terça-feira, 24 de abril de 2012

A AVALANCHE


O FMI  prevê que Portugal sofrerá, até 2016, uma avalancha de investimento estrangeiro. O governo já tinha dito o mesmo, mas aos nossos governantes sempre dou um desconto por confundirem a venda ao desbarato do nosso património com investimento. São néscios e aldrabões, não nos devemos admirar que misturem a realidade com a fantasia. 
Agora, quando vejo  o FMI  dizer o mesmo, então já fico com “a pulga atrás da orelha”. Vai daí, dei 1,10€ pelo JN para ler a notícia - que tinha chamada de capa.
Na página 48 confirmei as minhas suspeitas. O FMI diz, na verdade, o mesmo que os nossos governantes mas  acrescenta ( pormenor importante que o nosso governo escamoteia…)  “os ganhos da economia serão quase nulos!”.
Ou seja,  quando  este governo der à sola depois de vender todas as nossas empresas lucrativas a capital estrangeiro, terá cumprido a sua promessa eleitoral de deixar o país mais pobre e sem quaisquer hipóteses de recuperação porque,  como também diz o FMI “ (do investimento estrangeiro) pouco ficará em termos líquidos na economia, já que os investidores vão extrair rendas e lucros, repatriando os ganhos para os seus países de origem”. Ainda de acordo com o FMI, a partir de 2017 haverá “ um agravamento das necessidades de financiamento”. Como iremos pagá-lo, é que o FMI nada diz.
Resumindo: este governo delapida o país em quatro anos, os seus membros  ganharão o reconhecimento dos investidores e, muito provavelmente, serão contemplados  com cargos nas empresas que venderam ao desbarato, ou em algumas das suas subsidiárias, para não dar tanto nas vistas.  Os portugueses ficarão soterrados nos escombros desta avalanche de investimento, à espera que as brigadas de socorro venham em sua salvação. 
Sabendo o que nos reserva o futuro, Cavaco faz agora coro com o governo, dizendo que vamos sair da crise mais rapidamente do que era esperado. Estamos entregues aos bichos!
Carlos Barbosa

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Paula e a síndrome de Estocolmo

Ministra da Justiça admite que corte de subsídios perdure após 2015…

 Afinal não se tratou de um lapso mas de um relapso vício de mentir aos portugueses. A intolerável chicana política tecida pelo actual Governo à volta dos cortes de subsídios mostra a ligeireza e a indignidade do exercício do poder e como é possível fazer política com honestidade e sobranceria. Não é indiferente para os portugueses e portuguesas ter de 'suportar' um corte temporário de subsídios (uma importante redução de rendimentos) ou ser vítima de um brutal confisco. Como também não será indiferente esta enviesada e propositada “confusão” para os partidos políticos e comportamento cívico dos cidadãos. O anúncio da Sr.ª Ministra de que os cortes de subsídios podem perdurar após 2015 significa, pura e simplesmente, o falhanço das actuais “soluções” austeritárias. Claro que esse facto terá consequências políticas. Uma delas será que a actual coligação (após 2015) terá de passar pelo crivo de eleições legislativas (por coincidência em 2015, se não forem antes). Portanto, a advertência de Paula Teixeira Pinto, além de extemporânea e politicamente suicidária, mostra uma outra perversidade. A ilusão dos actuais governantes de que à custa de malabarismos e da exploração do medo podem eternizar-se no Poder. A sociedade portuguesa não se deixará devorar (capturar) pela Síndrome de Estocolmo. Punirá os sequestradores da democracia. Afastará os carrascos que teimam em cercear as suas legítimas aspirações.
 Ponte Europa

ARGENTINA

Em dia histórico de nacionalização da YPF, a única companhia de exploração petrolífera privatizada da América Latina, vale a pena lembrar o processo de privatização. Não há duas sem três. E esta é terceira vez que aqui publico o documentário argentino "Memória de um Saque". Chamo a atenção para a parte a partir do minuto 59:00, onde o caso da YPF é tratado em concreto. O documentário é todo obrigatório, dados os paralelismos com a situação portuguesa nos dias que correm.


Fernando Solanas, realizador do documentário, foi baleado depois de ter denunciado publicamente o processo de privatização. Nuno Teles

quarta-feira, 18 de abril de 2012

PAULA TEIXEIRA DA CRUZ


É uma pena que a ministra ande tão empenhada no enriquecimento ilícito e não disponibilize os meios financeiros para que os submarinos sejam investigados. Algo está muito podre quando um governo pode "gerir" o que o MP pode investigar através da asfixia financeira.

«O procurador-geral da República (PGR) justificou esta terça-feira o atraso na investigação do caso da compra de dois submarinos à Alemanha com a falta de dinheiro para a realização de perícias.

"É muito difícil quando mete perícias. São caríssimas e temos estado à espera que o Ministério da Justiça disponibilize a verba", disse Pinto Monteiro, a propósito do inquérito sobre a compra de submarinos que está a ser investigado há anos pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).» [CM]

domingo, 15 de abril de 2012

OLHÓS MEUS CHOURIÇOS, ASSUNÇÃO!


Pedro Passos Coelho precisava de angariar mais receitas, mas tinha esgotado a imaginação e não conseguia encontrar uma ideia para lançar um novo imposto. Telefonou a Paulo Portas a pedir ajuda. O ministro fantasma prometeu tratar do assunto. Reuniu-se com Pedro Mota Soares e pediu-lhe que criasse mais um imposto disfarçado, reduzindo mais umas regalias, a pretexto de evitar as fraudes.
- Porque é que hei-de ser sempre eu, Paulo? – choramingou o ministro da Vespa que num passe de mágica se transformou num Audi.
- Está bem vou telefonar à Cristas- condescendeu Portas
“Ó Cristas, inventa lá no teu ministério um imposto que não pareça imposto e dê ares de ser uma boa ideia!”
- Ok, Paulo, tu mandas. Dá-me só uma horinha que eu já arranjo uma solução.

Uma hora depois ....

-Está lá, Paulo? Já descobri. Vou criar uma taxa sobre os alimentos!
-Tu estás louca Assunção ! Com os portugueses a passar fome e vens-me com a ideia de aumentar o preço dos alimentos? Deves querer correr comigo do governo. Isso não se faz, olha que fui eu que te arranjei esse ministério de luxo.
- De luxo? Deves estar a gozar comigo, Paulo. Sabes lá o que eu tenho passado por aí! Até já tive de andar a espremer as tetas das vacas, imagina!
- Eu vi na televisão. Não tens lá muito jeito, mas um dia destes a gente encontra-se e eu ensino-te umas técnicas que aprendi nas feiras, para ultrapassar momentos delicados. Bem, mas vamos lá ao que interessa. Eu não quero...
- Calma, Paulo, calma...Não te preocupes! As pessoas não vão perceber. Vou anunciar uma taxa sobre os comerciantes, dizendo que é para garantir a saúde e segurança dos alimentos e toda a gente vai achar bem. Se eles resolverem fazer incidir essa taxa sobre os consumidores, a culpa não é nossa, estás a ver?
- Bem visto, sãozita, bem visto. Eu sabia que tinha feito uma boa escolha quando te nomeei.Olha, mas faz-me um favor. Põe aí uma excepção na lei. Os estabelecimentos com menos de 400 m2 não pagam taxa.
- Porquê, Paulo?
- Eh, pá, é que o merceeiro lá do meu bairro, o sr.Casimiro, todos os meses me oferece uns chouriços e eu tenho receio que essa taxa o ponha mal disposto. E sabes bem como eu gosto de chouriços, não sabes?
- Pronto, está combinado, Paulinho. Fica tranquilo que não te vou tirar esse prazer dos chouriços.
CBO

terça-feira, 3 de abril de 2012

OS PORTUGAS SÃO TODOS VIGAROS E MALANDROS...É QUE DIZ ESTE GOVERNO!...


Quem tiver mais de 25 mil euros no banco vai deixar de poder aceder ao Rendimento Social de Inserção (RSI). Quem estiver preso preventivamente ou possuir casa, carro ou aeronave até ao mesmo valor também fica de fora. As novas regras de acesso ao RSI, que integram o amplo pacote de revisão das regras das prestações sociais apresentado ontem pelo Governo em sede de concertação social, serão inócuas em termos de efeitos práticos, mas, objectivamente, perseguem um objectivo claro: tentar denegrir e estigmatizar os beneficiários daquele apoio, que aparecem na lei como ricos donos de aviões e criminosos em potência, para depois capitalizar em aceitação a estigmatização assim gerada.
A mesma estratégia foi utilizada para a redução dos subsídios de doença, diminuídos na rentabilização da ideia de subsidiação da preguiça e de combate a uma fraude generalizada por comprovar que, a existir, se combateria com mais fiscalização e não cortando a já anteriormente parca protecção em situações de vulnerabilidade acrescida. Nesta redução da protecção na doença, destaca-se o preceito que acautela eventuais situações em que uma pessoa com baixa médica possa receber um valor superior àquele que receberia caso estivesse a trabalhar, o que, por ser impossível, nunca acontecia.
Evidentemente, o Estado não vai poupar um cêntimo com esta medida, mas, tal como nas demais do mesmo género, A ideia de que tal é possível, que fica no ar, serve na perfeição o objectivo de maximizar a aceitação da perda de direitos incluídas nas restantes, que afectam toda a gente, e a minimização das reacções da tacanhez que nela se deixa enredar. Como em episódios anteriores da nossa regressão social, os fantasmas são fabricados para servir a demagogia dos ladrões de direitos. Puseram outra vez a inveja a trabalhar para eles. E lá sairemos todos a perder outra vez enquanto sociedade.
Um país de burros!...

quinta-feira, 22 de março de 2012

OS INSUBSTITUÍVEIS



António Borges é assim uma espécie de super-homem. Tudo consegue fazer e tudo lhe é permitido. Só existem duas diferenças que não o identificam com a personagem de ficção: a primeira é que não é ficção coisa nenhuma. A segunda é que as remunerações que aufere deixam o jornalista Clark fora de comparações. O verdadeiro super-homem é mesmo o dr. Borges. Valente.

TD

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

ISTO DEVAGAR VAI LÁ



Frau Merkel, que se devia ter abstido de contar contas que não são do seu rosário, acaba por não dizer nada de nada, porque só lhe mostraram o final do desfile de um samba de enredo, cujo refrão é a promiscuidade partido-governo regional-empresas, cantado e dançado por meia dúzia de famílias que se deram bastante bem com os fundos estruturais e com a ausência de incompatibilidades no Governo e no Parlamento regional.

E depois há o atraso e o subdesenvolvimento e a ausência de infra-estruturas, tudo recuperado nestes 30 e tal anos. Está bem, nós vamos fazer de conta que não conhecíamos Portugal continental nestes também 30 e tal anos, e fazer de conta que não sabemos quais foram as prioridades por detrás do milagre jardinista da "recuperação". Basta recordar aliás quando, há coisa de um mês se acabou o dinheiro, a quem Alberto João Jardim pagou – às empresas municipais e aos empreiteiros das obras do regime, e quem é que deixou para segundo plano – a comparticipação dos medicamentos à população. Prioridades.

Delicioso é ver Alberto João Jardim perguntar por que cargas de água a senhora lá no fim do mundo foi puxar como exemplo uma ilha perdida nos cus de Judas, como se não soubesse, como se não soubéssemos todos, e como se todos não soubéssemos que ele sabe quem foi a mosca que zumbiu um segredo na orelha da senhora uber alles.

O destino está[va] traçado nas estrelas, e os cavaquistas já só são anónimos. Isto devagar vai lá.

José Simões

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

CARNAVAL DA MEALHADA 2012

O programa deste ano daquele que já foi considerado o Carnaval “mais brasileiro de Portugal”, no sambódromo Luís Marques, aponta para a participação de cerca de 1.500 figurantes, entre dançarinos de quatro escolas de samba, grupos de sátira, dança, animação, saltimbancos, gigantones, fanfarra e mascarados.

Os festejos começam na sexta-feira, dia 17 de Fevereiro, com a abertura da “Tenda Gigante”, a partir das 22h00 e culminam na terça-feira, dia 21 de Fevereiro, à meia-noite, com o anúncio dos resultados do concurso de Escolas de Samba. De resto, a animação nocturna será constante no decorrer do evento.

Como vem acontecendo, desde 1978, o Carnaval da Mealhada irá apresentar como “rei” um artista brasileiro, desta vez o actor Anderson Di Rizzi que interpreta o papel de sargento Xavier na novela “Morde e Assopra”. A “rainha”, essa, é bem portuguesa! Desta feita, a cantora popular Micaela foi a eleita para fazer a apresentação das escolas de samba.

Os desfiles, propriamente ditos, realizam-se nos dias 19 e 21 de Fevereiro, durante três horas, com a participação de seis carros alegóricos. Este ano a animação nocturna é na Tenda Gigante (de 17 a 21 de Fevereiro).

Os festejos do Carnaval Luso-Brasileiro da Bairrada tiveram início em 1971 e, desde então, conheceram um sucesso inigualável que não se confinou às gentes bairradinas de tradições carnavalescas.

Actualmente, o Carnaval da Mealhada é um acontecimento com projecção nacional, estando também ligado ao Brasil, especialmente através das personagens das telenovelas de cujos elencos tem saído o Rei do Carnaval. Hoje em dia, o evento está enraizado na alma dos bairradinos e tornou-se uma das maiores festividades da região Centro.

Temas do Carnaval da Mealhada

Escola Sócios da Mangueira irá prestar um tributo a Mickael Jackson – o rei da pop.
Escola Batuque fará uma “Viagem pelos caminhos de Portugal”.
Escola Samba no Pé escolheu como tema para este corso “Bens essenciais à vida”.
Escola Amigos da Tijuca vão trazer para a rua o tema “Surpresa”.

Contudo, para além dos carros das Escolas de Samba, o corso incluirá seis carros alegóricos, carro dos reis e o carro do grupo Papagatos, saltimbancos, mimos, fanfarra e gigantones.

À semelhança de anteriores edições, não vão faltar os grupos de crítica e de sátira social: os Divertidos, o grupo de dança Populum; o grupo de animação Big Borga e os Papagatos, num total de mais de 1500 figurantes prometem tardes de grande folia e animação.

Os desfiles começam nos dois dias às 15h, no sambódromo Luís Marques e os bilhetes estarão à venda nas várias bilheteiras colocadas ao longo do recinto.

Preço do bilhete a 5 euros

Esqueçam o Passos coelho e gozem, nem que seja com ele, porque não é por ele tirar a tolerância de ponto que não vamos brincar com esta vida madrasta...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

"Mentira, demagogia e irresponsabilidade" são os métodos dos políticos, diz Marinho Pinto


O bastonário realçou a “mentira, a demagogia e a irresponsabilidade” como métodos de “actuação política”, acusando a classe política de não honrar os “compromissos eleitorais”. Marinho Pinto alertou para a actual situação social, referindo que “o povo português está no limite das suas capacidades e começa a dar sinais preocupantes de não suportar mais sacrifícios” e tecendo duras críticas ao Governo que, diz, não se preocupa.

Num discurso em que os elogios foram apenas para o Tribunal Constitucional na sua luta pela defesa da Constituição e ao Procurador-Geral da República, que está de saída do cargo e, segundo o bastonário, “honrou a magistratura portuguesa e dignificou a justiça e os tribunais”, Marinho Pinto centrou o seu alvo no Governo.

O bastonário declarou que há “sectores e entidades que se isentaram dos sacrifícios” e criticou os sacrifícios pedidos aos funcionários públicos, dizendo que “não se compreende” por que é que são mais penalizados do que os outros sectores. Sobretudo, disse, “não se compreende por que é que dentro da função pública há de haver sectores que ficam isentos de algumas medidas de austeridade e outros não”. O caso do Banco de Portugal (BdP), cujos funcionários continuam a usufruir dos subsídios, foi referido pelo bastonário, que criticou as diferenças entre os magistrados e os quadros do BdP, tendo também criticado a política de privatizações seguida pelo Governo.

As nomeações para cargos públicos também não foram esquecidas por Marinho Pinto, que declarou que “as gigantescas remunerações que gestores transformados em políticos e políticos transformados em gestores se atribuem uns aos outros em lugares e cargos para que se nomeiam uns aos outros constituem uma inominável agressão moral” aos portugueses.

Quanto à área da justiça, Marinho Pinto denunciou uma “política errática marcada pelo populismo” e uma incapacidade de resolução dos problemas, criticou o “processo de desjudicialização” que prevê a deslocação da justiça dos tribunais para outras instâncias e para entidades “privadas cujo escopo é o lucro”. As privatizações na área da justiça receberam duras críticas do bastonário, que fala numa “justiça semi-clandestina que são os tribunais arbitrais em que as partes escolhem e pagam aos pseudo-juízes”. Marinho Pinto sublinhou ainda o encerramento de cerca de 50 tribunais, antecipando as “dificuldades” acrescidas no acesso à justiça de pessoas que terão de percorrer “centenas de quilómetros para se deslocarem a um tribunal”.

“É preciso proclamar bem alto que a justiça não é um bem de mercado e não pode ser gerida segundo as leis da oferta e da procura”, afirmou.

Quanto às alterações previstas para o processo penal, Marinho Pinto avisou que “vai aumentar ainda mais o caos nos nossos tribunais” e denunciou a existência de “uma justiça para ricos e outra para pobres”.
Rita Araújo