domingo, 15 de abril de 2012

OLHÓS MEUS CHOURIÇOS, ASSUNÇÃO!


Pedro Passos Coelho precisava de angariar mais receitas, mas tinha esgotado a imaginação e não conseguia encontrar uma ideia para lançar um novo imposto. Telefonou a Paulo Portas a pedir ajuda. O ministro fantasma prometeu tratar do assunto. Reuniu-se com Pedro Mota Soares e pediu-lhe que criasse mais um imposto disfarçado, reduzindo mais umas regalias, a pretexto de evitar as fraudes.
- Porque é que hei-de ser sempre eu, Paulo? – choramingou o ministro da Vespa que num passe de mágica se transformou num Audi.
- Está bem vou telefonar à Cristas- condescendeu Portas
“Ó Cristas, inventa lá no teu ministério um imposto que não pareça imposto e dê ares de ser uma boa ideia!”
- Ok, Paulo, tu mandas. Dá-me só uma horinha que eu já arranjo uma solução.

Uma hora depois ....

-Está lá, Paulo? Já descobri. Vou criar uma taxa sobre os alimentos!
-Tu estás louca Assunção ! Com os portugueses a passar fome e vens-me com a ideia de aumentar o preço dos alimentos? Deves querer correr comigo do governo. Isso não se faz, olha que fui eu que te arranjei esse ministério de luxo.
- De luxo? Deves estar a gozar comigo, Paulo. Sabes lá o que eu tenho passado por aí! Até já tive de andar a espremer as tetas das vacas, imagina!
- Eu vi na televisão. Não tens lá muito jeito, mas um dia destes a gente encontra-se e eu ensino-te umas técnicas que aprendi nas feiras, para ultrapassar momentos delicados. Bem, mas vamos lá ao que interessa. Eu não quero...
- Calma, Paulo, calma...Não te preocupes! As pessoas não vão perceber. Vou anunciar uma taxa sobre os comerciantes, dizendo que é para garantir a saúde e segurança dos alimentos e toda a gente vai achar bem. Se eles resolverem fazer incidir essa taxa sobre os consumidores, a culpa não é nossa, estás a ver?
- Bem visto, sãozita, bem visto. Eu sabia que tinha feito uma boa escolha quando te nomeei.Olha, mas faz-me um favor. Põe aí uma excepção na lei. Os estabelecimentos com menos de 400 m2 não pagam taxa.
- Porquê, Paulo?
- Eh, pá, é que o merceeiro lá do meu bairro, o sr.Casimiro, todos os meses me oferece uns chouriços e eu tenho receio que essa taxa o ponha mal disposto. E sabes bem como eu gosto de chouriços, não sabes?
- Pronto, está combinado, Paulinho. Fica tranquilo que não te vou tirar esse prazer dos chouriços.
CBO

terça-feira, 3 de abril de 2012

OS PORTUGAS SÃO TODOS VIGAROS E MALANDROS...É QUE DIZ ESTE GOVERNO!...


Quem tiver mais de 25 mil euros no banco vai deixar de poder aceder ao Rendimento Social de Inserção (RSI). Quem estiver preso preventivamente ou possuir casa, carro ou aeronave até ao mesmo valor também fica de fora. As novas regras de acesso ao RSI, que integram o amplo pacote de revisão das regras das prestações sociais apresentado ontem pelo Governo em sede de concertação social, serão inócuas em termos de efeitos práticos, mas, objectivamente, perseguem um objectivo claro: tentar denegrir e estigmatizar os beneficiários daquele apoio, que aparecem na lei como ricos donos de aviões e criminosos em potência, para depois capitalizar em aceitação a estigmatização assim gerada.
A mesma estratégia foi utilizada para a redução dos subsídios de doença, diminuídos na rentabilização da ideia de subsidiação da preguiça e de combate a uma fraude generalizada por comprovar que, a existir, se combateria com mais fiscalização e não cortando a já anteriormente parca protecção em situações de vulnerabilidade acrescida. Nesta redução da protecção na doença, destaca-se o preceito que acautela eventuais situações em que uma pessoa com baixa médica possa receber um valor superior àquele que receberia caso estivesse a trabalhar, o que, por ser impossível, nunca acontecia.
Evidentemente, o Estado não vai poupar um cêntimo com esta medida, mas, tal como nas demais do mesmo género, A ideia de que tal é possível, que fica no ar, serve na perfeição o objectivo de maximizar a aceitação da perda de direitos incluídas nas restantes, que afectam toda a gente, e a minimização das reacções da tacanhez que nela se deixa enredar. Como em episódios anteriores da nossa regressão social, os fantasmas são fabricados para servir a demagogia dos ladrões de direitos. Puseram outra vez a inveja a trabalhar para eles. E lá sairemos todos a perder outra vez enquanto sociedade.
Um país de burros!...

quinta-feira, 22 de março de 2012

OS INSUBSTITUÍVEIS



António Borges é assim uma espécie de super-homem. Tudo consegue fazer e tudo lhe é permitido. Só existem duas diferenças que não o identificam com a personagem de ficção: a primeira é que não é ficção coisa nenhuma. A segunda é que as remunerações que aufere deixam o jornalista Clark fora de comparações. O verdadeiro super-homem é mesmo o dr. Borges. Valente.

TD

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

ISTO DEVAGAR VAI LÁ



Frau Merkel, que se devia ter abstido de contar contas que não são do seu rosário, acaba por não dizer nada de nada, porque só lhe mostraram o final do desfile de um samba de enredo, cujo refrão é a promiscuidade partido-governo regional-empresas, cantado e dançado por meia dúzia de famílias que se deram bastante bem com os fundos estruturais e com a ausência de incompatibilidades no Governo e no Parlamento regional.

E depois há o atraso e o subdesenvolvimento e a ausência de infra-estruturas, tudo recuperado nestes 30 e tal anos. Está bem, nós vamos fazer de conta que não conhecíamos Portugal continental nestes também 30 e tal anos, e fazer de conta que não sabemos quais foram as prioridades por detrás do milagre jardinista da "recuperação". Basta recordar aliás quando, há coisa de um mês se acabou o dinheiro, a quem Alberto João Jardim pagou – às empresas municipais e aos empreiteiros das obras do regime, e quem é que deixou para segundo plano – a comparticipação dos medicamentos à população. Prioridades.

Delicioso é ver Alberto João Jardim perguntar por que cargas de água a senhora lá no fim do mundo foi puxar como exemplo uma ilha perdida nos cus de Judas, como se não soubesse, como se não soubéssemos todos, e como se todos não soubéssemos que ele sabe quem foi a mosca que zumbiu um segredo na orelha da senhora uber alles.

O destino está[va] traçado nas estrelas, e os cavaquistas já só são anónimos. Isto devagar vai lá.

José Simões

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

CARNAVAL DA MEALHADA 2012

O programa deste ano daquele que já foi considerado o Carnaval “mais brasileiro de Portugal”, no sambódromo Luís Marques, aponta para a participação de cerca de 1.500 figurantes, entre dançarinos de quatro escolas de samba, grupos de sátira, dança, animação, saltimbancos, gigantones, fanfarra e mascarados.

Os festejos começam na sexta-feira, dia 17 de Fevereiro, com a abertura da “Tenda Gigante”, a partir das 22h00 e culminam na terça-feira, dia 21 de Fevereiro, à meia-noite, com o anúncio dos resultados do concurso de Escolas de Samba. De resto, a animação nocturna será constante no decorrer do evento.

Como vem acontecendo, desde 1978, o Carnaval da Mealhada irá apresentar como “rei” um artista brasileiro, desta vez o actor Anderson Di Rizzi que interpreta o papel de sargento Xavier na novela “Morde e Assopra”. A “rainha”, essa, é bem portuguesa! Desta feita, a cantora popular Micaela foi a eleita para fazer a apresentação das escolas de samba.

Os desfiles, propriamente ditos, realizam-se nos dias 19 e 21 de Fevereiro, durante três horas, com a participação de seis carros alegóricos. Este ano a animação nocturna é na Tenda Gigante (de 17 a 21 de Fevereiro).

Os festejos do Carnaval Luso-Brasileiro da Bairrada tiveram início em 1971 e, desde então, conheceram um sucesso inigualável que não se confinou às gentes bairradinas de tradições carnavalescas.

Actualmente, o Carnaval da Mealhada é um acontecimento com projecção nacional, estando também ligado ao Brasil, especialmente através das personagens das telenovelas de cujos elencos tem saído o Rei do Carnaval. Hoje em dia, o evento está enraizado na alma dos bairradinos e tornou-se uma das maiores festividades da região Centro.

Temas do Carnaval da Mealhada

Escola Sócios da Mangueira irá prestar um tributo a Mickael Jackson – o rei da pop.
Escola Batuque fará uma “Viagem pelos caminhos de Portugal”.
Escola Samba no Pé escolheu como tema para este corso “Bens essenciais à vida”.
Escola Amigos da Tijuca vão trazer para a rua o tema “Surpresa”.

Contudo, para além dos carros das Escolas de Samba, o corso incluirá seis carros alegóricos, carro dos reis e o carro do grupo Papagatos, saltimbancos, mimos, fanfarra e gigantones.

À semelhança de anteriores edições, não vão faltar os grupos de crítica e de sátira social: os Divertidos, o grupo de dança Populum; o grupo de animação Big Borga e os Papagatos, num total de mais de 1500 figurantes prometem tardes de grande folia e animação.

Os desfiles começam nos dois dias às 15h, no sambódromo Luís Marques e os bilhetes estarão à venda nas várias bilheteiras colocadas ao longo do recinto.

Preço do bilhete a 5 euros

Esqueçam o Passos coelho e gozem, nem que seja com ele, porque não é por ele tirar a tolerância de ponto que não vamos brincar com esta vida madrasta...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

"Mentira, demagogia e irresponsabilidade" são os métodos dos políticos, diz Marinho Pinto


O bastonário realçou a “mentira, a demagogia e a irresponsabilidade” como métodos de “actuação política”, acusando a classe política de não honrar os “compromissos eleitorais”. Marinho Pinto alertou para a actual situação social, referindo que “o povo português está no limite das suas capacidades e começa a dar sinais preocupantes de não suportar mais sacrifícios” e tecendo duras críticas ao Governo que, diz, não se preocupa.

Num discurso em que os elogios foram apenas para o Tribunal Constitucional na sua luta pela defesa da Constituição e ao Procurador-Geral da República, que está de saída do cargo e, segundo o bastonário, “honrou a magistratura portuguesa e dignificou a justiça e os tribunais”, Marinho Pinto centrou o seu alvo no Governo.

O bastonário declarou que há “sectores e entidades que se isentaram dos sacrifícios” e criticou os sacrifícios pedidos aos funcionários públicos, dizendo que “não se compreende” por que é que são mais penalizados do que os outros sectores. Sobretudo, disse, “não se compreende por que é que dentro da função pública há de haver sectores que ficam isentos de algumas medidas de austeridade e outros não”. O caso do Banco de Portugal (BdP), cujos funcionários continuam a usufruir dos subsídios, foi referido pelo bastonário, que criticou as diferenças entre os magistrados e os quadros do BdP, tendo também criticado a política de privatizações seguida pelo Governo.

As nomeações para cargos públicos também não foram esquecidas por Marinho Pinto, que declarou que “as gigantescas remunerações que gestores transformados em políticos e políticos transformados em gestores se atribuem uns aos outros em lugares e cargos para que se nomeiam uns aos outros constituem uma inominável agressão moral” aos portugueses.

Quanto à área da justiça, Marinho Pinto denunciou uma “política errática marcada pelo populismo” e uma incapacidade de resolução dos problemas, criticou o “processo de desjudicialização” que prevê a deslocação da justiça dos tribunais para outras instâncias e para entidades “privadas cujo escopo é o lucro”. As privatizações na área da justiça receberam duras críticas do bastonário, que fala numa “justiça semi-clandestina que são os tribunais arbitrais em que as partes escolhem e pagam aos pseudo-juízes”. Marinho Pinto sublinhou ainda o encerramento de cerca de 50 tribunais, antecipando as “dificuldades” acrescidas no acesso à justiça de pessoas que terão de percorrer “centenas de quilómetros para se deslocarem a um tribunal”.

“É preciso proclamar bem alto que a justiça não é um bem de mercado e não pode ser gerida segundo as leis da oferta e da procura”, afirmou.

Quanto às alterações previstas para o processo penal, Marinho Pinto avisou que “vai aumentar ainda mais o caos nos nossos tribunais” e denunciou a existência de “uma justiça para ricos e outra para pobres”.
Rita Araújo

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

FAZER POLÍTICA


O tédio imenso de títulos repetitivos, alarmados e alarmantes, sem que se discuta qualquer coisa de essencial.

O Presidente da República deveria receber a remuneração correspondente ao cargo para o qual foi eleito - de Presidente da República. Não concorda com o salário? Então não deveria ter concorrido. O mesmo se aplica à Presidente da Assembleia da República, só para citar dois exemplos.

O ordenado do Presidente da Republica é, como o da Presidente da Assembleia da República, para continuar a citar os mesmos exemplos, vergonhosamente diminuto. Ambos são os mais altos representantes do Estado, deveriam ter remunerações condicentes com a responsabilidade e com o significado dos cargos.

Não me importo que reduzam feriados nacionais. Não me parece imprescindível, mas também não vejo que seja um erro crasso. O que penso ser inacreditável é o fato de se reduzirem feriados católicos e civis. A que propósito é que há feriados católicos? E porque não muçulmanos ou adventistas, budistas ou hindus? Os feriados nacionais de um estado laico deveriam ser apenas os que se relacionam com acontecimentos que tenham significado para o país por motivos históricos, científicos, humanitários, culturais. Os dias santos, fosse para que religião fosse, deveriam ser santos apenas para quem professa essa religião. Por outras palavras, quem quisesse comemorar a Assunção da Virgem tirava um dia de férias. É claro que há dias que já se tornaram património de todos e que fazem parte da cultura ocidental. Mas são poucos, mesmo muito poucos - só me lembro do dia de Natal e do domingo de Páscoa. Acabar com feriados em compita com a Igreja é mais uma cedência à total separação entre o Estado e a Igreja.

Gostava muito de ver os partidos a discutirem o prestígio das funções públicas dos representantes eleitos, a oporem-se ferozmente ao controlo da informação por fações políticas ou por grandes interesses económicos, a defenderem o Estado livre de pressões e preconceitos religiosos e morais. Gostava que os partidos políticos fizessem política.

Sofia Santos

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

SENHOR PRESIDENTE, DEMITA-SE E PARTA COM DIGNIDADE




Cavaco Silva terminou mais um ano na Presidência da República o que significa que ainda terá de se arrastar num cargo para o qual não tem nem dimensão política, nem humana para desempenhar. Para que os portugueses não se esquecessem da sua efeméride decidiu fazer uma lamúria que diz muito do ser humano que é.
Quando o país enfrenta uma crise financeira que o asfixia e se esperava um Presidente da República capaz de representar os sentimentos de um país, temos um velhote egoísta em Belém. Quando centenas milhões de portugueses vivem com menos de quinhentos euros o Presidente da República apela à solidariedade porque os sus mais de dez mil euros não dão para as despesas.
Cavaco Silva foi o pior Presidente da República que Portugal teve mas não apenas pelo seu mau desempenho a todos os níveis, mas porque é um homem egoísta para quem o eu está acima do país e de todos os portugueses. Não é a primeira vez que Cavaco aborda o país na perspectiva dos seus próprios interesses, nele o “eu” está sempre presente no discurso.
Há quem questione a lucidez de Cavaco, há os que duvidam do seu estado de saúde desde que no famoso de bate com Mário Soares teve de agarrar uma mão com a outra para que não tremesse. É evidente que o discurso oral de Cavaco Silva apresenta momentos que parecem ser de falta de lucidez, há uma diferença abissal entre o Cavaco que lê discursos preparados ou que responde às perguntas combinadas entre assessores e jornalistas e o Cavaco espontâneo que responde a perguntas inesperadas. Dantes engasgava-se com o bolo-rei, agora deixa o país quase envergonhado com o presidente que tem.
Cavaco nunca deveria ter sido eleito Presidente da República depois do negócio com as acções do BPN, durante o primeiro mandato deu provas suficientes de que não estava à altura das exigências do cargo e deveria ter-se demitido com o escândalo das escutas a Belém. Agora além de perder a credibilidade parece ter perdido uma boa parte da lucidez.
Não seria mais digno Cavaco apresentar a sua demissão do que arrastar-se durante mais quatro penosos anos? Poupe o paíos a baboseiras e ao espectáculo triste de ver um Presidente apupado e gozado por tanta gente.
Jumento

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

POESIA DA PODA

Este governo produz admiráveis contributos para a língua portuguesa, digna do newspeak de Orwell. Atente-se nas afirmações poéticas do ministro José Pedro Aguiar Branco, hoje (nos noticiários da Antena 1): "A execução orçamental é um desafio de dimensão nacional, e para o qual cada um de nós é convocado seja em que função que esteja a desenvolver a sua atividade; eu acho que é altura de nós mudarmos o léxico e não falarmos de cortes mas falarmos, sim, de sustentabilidade. Portugal tinha um problema de sustentabilidade. Todos nós somos um galho na árvore que nos conduz à vitória, e cada galho é absolutamente fundamental, desde o mais pequenino ao maior".

Daqui se depreende que:

1. Cada português soma, aos seus deveres de cidadão, mais um: o de executar o orçamento de Vítor Gaspar. Mas não é obrigado, é "convocado".

2. Não há cortes, há sustentabilidade; "cortes" é feio, frio, pouco poético, mudemos o léxico, fica o problema resolvido. Deduzo que não é possível "sustentar" a educação, a saúde, a solidariedade social, a investigação científica; sustente-se, sustente-se.

3. Portugal é uma árvore rumo à vitória. Bela metáfora vegetal. Poder-se-ia sugerir, em alternativa, que "flutua como uma bigorna" ou que "voa como um molho de bróculos".

4. Cada um de nós, para rematar, é um galho dessa árvore em movimento, eppur si muove (talvez levada por uma enxurrada, não?). Todos são necessários, desde o minúsculo raminho ao grosso tronco, para cumprir o objetivo enunciado no ponto 1. Uma grande árvore a caminho da vitória (ou seja, da poda "sustentada"), onde os galhos são convocados para executarem um orçamento. Mas que lindo. Sai um Nobel da Literatura para a mesa dois. Mas que poda.

Paulo Pinto

INCOMPETÊNCIA COLOSSAL


O DN divulgou hoje um documento que põe em cheque a suposta competência técnica de Vítor Gaspar. Nesse documento, que não era suposto ser público, Gaspar anuncia aos seus colegas de governo que o défice de 2012 afinal vai ser de 5.4% do PIB, e não 4.5%, como estava previsto. Ou seja, estamos perante um 'buraco' antes mesmo do OE2012 sair da Assembleia da República e ser promulgado pelo Presidente das República. Este 'buraco' deve-se à operação da transferência do fundo de pensões da banca. Vejamos porquê:

  • Gaspar 'esqueceu-se' de registar no OE 478 milhões de euros de pensões dos bancários que a Segurança Social vai ter de pagar em 2012 (e daí para a frente);
  • Gaspar contava usar parte dos 6 mil milhões de euros para pagar dívidas em 2011. Como a Troika não autorizou essa operação, Gaspar acabou por ficar com receita em excesso em 2011, o que permite um défice de 2011 em torno dos 4% do PIB, e despesa a mais em 2012, o que agrava o défice de 2012.

O défice de 2012 só não é superior a 5.4% do PIB porque Gaspar vai recorrer a concessões e vendas de património. Gaspar disse várias vezes que não iria recorrer a receitas extraordinárias, porque isso era coisa do passado. Mais: essas receitas constavam do OE2011, e a sua não concretização foi um dos elementos que, ao reduzir (deliberadamente) a receita prevista, permitiu alimentar a tese do desvio colossal. Gaspar diz que esta trapalhada cria dificuldades comunicacionais ao governo. Concordo: não é fácil spinar uma incompetência colossal e um conjunto de malabarices deste calibre.

João Galamba