quinta-feira, 22 de março de 2012
OS INSUBSTITUÍVEIS
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
ISTO DEVAGAR VAI LÁ

E depois há o atraso e o subdesenvolvimento e a ausência de infra-estruturas, tudo recuperado nestes 30 e tal anos. Está bem, nós vamos fazer de conta que não conhecíamos Portugal continental nestes também 30 e tal anos, e fazer de conta que não sabemos quais foram as prioridades por detrás do milagre jardinista da "recuperação". Basta recordar aliás quando, há coisa de um mês se acabou o dinheiro, a quem Alberto João Jardim pagou – às empresas municipais e aos empreiteiros das obras do regime, e quem é que deixou para segundo plano – a comparticipação dos medicamentos à população. Prioridades.
Delicioso é ver Alberto João Jardim perguntar por que cargas de água a senhora lá no fim do mundo foi puxar como exemplo uma ilha perdida nos cus de Judas, como se não soubesse, como se não soubéssemos todos, e como se todos não soubéssemos que ele sabe quem foi a mosca que zumbiu um segredo na orelha da senhora uber alles.
O destino está[va] traçado nas estrelas, e os cavaquistas já só são anónimos. Isto devagar vai lá.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
CARNAVAL DA MEALHADA 2012
Os festejos começam na sexta-feira, dia 17 de Fevereiro, com a abertura da “Tenda Gigante”, a partir das 22h00 e culminam na terça-feira, dia 21 de Fevereiro, à meia-noite, com o anúncio dos resultados do concurso de Escolas de Samba. De resto, a animação nocturna será constante no decorrer do evento.
Como vem acontecendo, desde 1978, o Carnaval da Mealhada irá apresentar como “rei” um artista brasileiro, desta vez o actor Anderson Di Rizzi que interpreta o papel de sargento Xavier na novela “Morde e Assopra”. A “rainha”, essa, é bem portuguesa! Desta feita, a cantora popular Micaela foi a eleita para fazer a apresentação das escolas de samba.
Os desfiles, propriamente ditos, realizam-se nos dias 19 e 21 de Fevereiro, durante três horas, com a participação de seis carros alegóricos. Este ano a animação nocturna é na Tenda Gigante (de 17 a 21 de Fevereiro).
Os festejos do Carnaval Luso-Brasileiro da Bairrada tiveram início em 1971 e, desde então, conheceram um sucesso inigualável que não se confinou às gentes bairradinas de tradições carnavalescas.
Actualmente, o Carnaval da Mealhada é um acontecimento com projecção nacional, estando também ligado ao Brasil, especialmente através das personagens das telenovelas de cujos elencos tem saído o Rei do Carnaval. Hoje em dia, o evento está enraizado na alma dos bairradinos e tornou-se uma das maiores festividades da região Centro.
Temas do Carnaval da Mealhada
Escola Sócios da Mangueira irá prestar um tributo a Mickael Jackson – o rei da pop.
Escola Batuque fará uma “Viagem pelos caminhos de Portugal”.
Escola Samba no Pé escolheu como tema para este corso “Bens essenciais à vida”.
Escola Amigos da Tijuca vão trazer para a rua o tema “Surpresa”.
Contudo, para além dos carros das Escolas de Samba, o corso incluirá seis carros alegóricos, carro dos reis e o carro do grupo Papagatos, saltimbancos, mimos, fanfarra e gigantones.
À semelhança de anteriores edições, não vão faltar os grupos de crítica e de sátira social: os Divertidos, o grupo de dança Populum; o grupo de animação Big Borga e os Papagatos, num total de mais de 1500 figurantes prometem tardes de grande folia e animação.
Os desfiles começam nos dois dias às 15h, no sambódromo Luís Marques e os bilhetes estarão à venda nas várias bilheteiras colocadas ao longo do recinto.
Preço do bilhete a 5 euros
Esqueçam o Passos coelho e gozem, nem que seja com ele, porque não é por ele tirar a tolerância de ponto que não vamos brincar com esta vida madrasta...
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
"Mentira, demagogia e irresponsabilidade" são os métodos dos políticos, diz Marinho Pinto

O bastonário realçou a “mentira, a demagogia e a irresponsabilidade” como métodos de “actuação política”, acusando a classe política de não honrar os “compromissos eleitorais”. Marinho Pinto alertou para a actual situação social, referindo que “o povo português está no limite das suas capacidades e começa a dar sinais preocupantes de não suportar mais sacrifícios” e tecendo duras críticas ao Governo que, diz, não se preocupa.
Num discurso em que os elogios foram apenas para o Tribunal Constitucional na sua luta pela defesa da Constituição e ao Procurador-Geral da República, que está de saída do cargo e, segundo o bastonário, “honrou a magistratura portuguesa e dignificou a justiça e os tribunais”, Marinho Pinto centrou o seu alvo no Governo.
O bastonário declarou que há “sectores e entidades que se isentaram dos sacrifícios” e criticou os sacrifícios pedidos aos funcionários públicos, dizendo que “não se compreende” por que é que são mais penalizados do que os outros sectores. Sobretudo, disse, “não se compreende por que é que dentro da função pública há de haver sectores que ficam isentos de algumas medidas de austeridade e outros não”. O caso do Banco de Portugal (BdP), cujos funcionários continuam a usufruir dos subsídios, foi referido pelo bastonário, que criticou as diferenças entre os magistrados e os quadros do BdP, tendo também criticado a política de privatizações seguida pelo Governo.
As nomeações para cargos públicos também não foram esquecidas por Marinho Pinto, que declarou que “as gigantescas remunerações que gestores transformados em políticos e políticos transformados em gestores se atribuem uns aos outros em lugares e cargos para que se nomeiam uns aos outros constituem uma inominável agressão moral” aos portugueses.
Quanto à área da justiça, Marinho Pinto denunciou uma “política errática marcada pelo populismo” e uma incapacidade de resolução dos problemas, criticou o “processo de desjudicialização” que prevê a deslocação da justiça dos tribunais para outras instâncias e para entidades “privadas cujo escopo é o lucro”. As privatizações na área da justiça receberam duras críticas do bastonário, que fala numa “justiça semi-clandestina que são os tribunais arbitrais em que as partes escolhem e pagam aos pseudo-juízes”. Marinho Pinto sublinhou ainda o encerramento de cerca de 50 tribunais, antecipando as “dificuldades” acrescidas no acesso à justiça de pessoas que terão de percorrer “centenas de quilómetros para se deslocarem a um tribunal”.
“É preciso proclamar bem alto que a justiça não é um bem de mercado e não pode ser gerida segundo as leis da oferta e da procura”, afirmou.
Quanto às alterações previstas para o processo penal, Marinho Pinto avisou que “vai aumentar ainda mais o caos nos nossos tribunais” e denunciou a existência de “uma justiça para ricos e outra para pobres”.
Rita Araújo
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
FAZER POLÍTICA

O tédio imenso de títulos repetitivos, alarmados e alarmantes, sem que se discuta qualquer coisa de essencial.
O Presidente da República deveria receber a remuneração correspondente ao cargo para o qual foi eleito - de Presidente da República. Não concorda com o salário? Então não deveria ter concorrido. O mesmo se aplica à Presidente da Assembleia da República, só para citar dois exemplos.
O ordenado do Presidente da Republica é, como o da Presidente da Assembleia da República, para continuar a citar os mesmos exemplos, vergonhosamente diminuto. Ambos são os mais altos representantes do Estado, deveriam ter remunerações condicentes com a responsabilidade e com o significado dos cargos.
Não me importo que reduzam feriados nacionais. Não me parece imprescindível, mas também não vejo que seja um erro crasso. O que penso ser inacreditável é o fato de se reduzirem feriados católicos e civis. A que propósito é que há feriados católicos? E porque não muçulmanos ou adventistas, budistas ou hindus? Os feriados nacionais de um estado laico deveriam ser apenas os que se relacionam com acontecimentos que tenham significado para o país por motivos históricos, científicos, humanitários, culturais. Os dias santos, fosse para que religião fosse, deveriam ser santos apenas para quem professa essa religião. Por outras palavras, quem quisesse comemorar a Assunção da Virgem tirava um dia de férias. É claro que há dias que já se tornaram património de todos e que fazem parte da cultura ocidental. Mas são poucos, mesmo muito poucos - só me lembro do dia de Natal e do domingo de Páscoa. Acabar com feriados em compita com a Igreja é mais uma cedência à total separação entre o Estado e a Igreja.
Gostava muito de ver os partidos a discutirem o prestígio das funções públicas dos representantes eleitos, a oporem-se ferozmente ao controlo da informação por fações políticas ou por grandes interesses económicos, a defenderem o Estado livre de pressões e preconceitos religiosos e morais. Gostava que os partidos políticos fizessem política.
Sofia Santos
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
SENHOR PRESIDENTE, DEMITA-SE E PARTA COM DIGNIDADE

Cavaco Silva terminou mais um ano na Presidência da República o que significa que ainda terá de se arrastar num cargo para o qual não tem nem dimensão política, nem humana para desempenhar. Para que os portugueses não se esquecessem da sua efeméride decidiu fazer uma lamúria que diz muito do ser humano que é.
Quando o país enfrenta uma crise financeira que o asfixia e se esperava um Presidente da República capaz de representar os sentimentos de um país, temos um velhote egoísta em Belém. Quando centenas milhões de portugueses vivem com menos de quinhentos euros o Presidente da República apela à solidariedade porque os sus mais de dez mil euros não dão para as despesas.
Cavaco Silva foi o pior Presidente da República que Portugal teve mas não apenas pelo seu mau desempenho a todos os níveis, mas porque é um homem egoísta para quem o eu está acima do país e de todos os portugueses. Não é a primeira vez que Cavaco aborda o país na perspectiva dos seus próprios interesses, nele o “eu” está sempre presente no discurso.
Há quem questione a lucidez de Cavaco, há os que duvidam do seu estado de saúde desde que no famoso de bate com Mário Soares teve de agarrar uma mão com a outra para que não tremesse. É evidente que o discurso oral de Cavaco Silva apresenta momentos que parecem ser de falta de lucidez, há uma diferença abissal entre o Cavaco que lê discursos preparados ou que responde às perguntas combinadas entre assessores e jornalistas e o Cavaco espontâneo que responde a perguntas inesperadas. Dantes engasgava-se com o bolo-rei, agora deixa o país quase envergonhado com o presidente que tem.
Cavaco nunca deveria ter sido eleito Presidente da República depois do negócio com as acções do BPN, durante o primeiro mandato deu provas suficientes de que não estava à altura das exigências do cargo e deveria ter-se demitido com o escândalo das escutas a Belém. Agora além de perder a credibilidade parece ter perdido uma boa parte da lucidez.
Não seria mais digno Cavaco apresentar a sua demissão do que arrastar-se durante mais quatro penosos anos? Poupe o paíos a baboseiras e ao espectáculo triste de ver um Presidente apupado e gozado por tanta gente.
Jumento
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
POESIA DA PODA
Este governo produz admiráveis contributos para a língua portuguesa, digna do newspeak de Orwell. Atente-se nas afirmações poéticas do ministro José Pedro Aguiar Branco, hoje (nos noticiários da Antena 1): "A execução orçamental é um desafio de dimensão nacional, e para o qual cada um de nós é convocado seja em que função que esteja a desenvolver a sua atividade; eu acho que é altura de nós mudarmos o léxico e não falarmos de cortes mas falarmos, sim, de sustentabilidade. Portugal tinha um problema de sustentabilidade. Todos nós somos um galho na árvore que nos conduz à vitória, e cada galho é absolutamente fundamental, desde o mais pequenino ao maior".
Daqui se depreende que:
1. Cada português soma, aos seus deveres de cidadão, mais um: o de executar o orçamento de Vítor Gaspar. Mas não é obrigado, é "convocado".
2. Não há cortes, há sustentabilidade; "cortes" é feio, frio, pouco poético, mudemos o léxico, fica o problema resolvido. Deduzo que não é possível "sustentar" a educação, a saúde, a solidariedade social, a investigação científica; sustente-se, sustente-se.
3. Portugal é uma árvore rumo à vitória. Bela metáfora vegetal. Poder-se-ia sugerir, em alternativa, que "flutua como uma bigorna" ou que "voa como um molho de bróculos".
4. Cada um de nós, para rematar, é um galho dessa árvore em movimento, eppur si muove (talvez levada por uma enxurrada, não?). Todos são necessários, desde o minúsculo raminho ao grosso tronco, para cumprir o objetivo enunciado no ponto 1. Uma grande árvore a caminho da vitória (ou seja, da poda "sustentada"), onde os galhos são convocados para executarem um orçamento. Mas que lindo. Sai um Nobel da Literatura para a mesa dois. Mas que poda.
Paulo Pinto
INCOMPETÊNCIA COLOSSAL
O DN divulgou hoje um documento que põe em cheque a suposta competência técnica de Vítor Gaspar. Nesse documento, que não era suposto ser público, Gaspar anuncia aos seus colegas de governo que o défice de 2012 afinal vai ser de 5.4% do PIB, e não 4.5%, como estava previsto. Ou seja, estamos perante um 'buraco' antes mesmo do OE2012 sair da Assembleia da República e ser promulgado pelo Presidente das República. Este 'buraco' deve-se à operação da transferência do fundo de pensões da banca. Vejamos porquê:
- Gaspar 'esqueceu-se' de registar no OE 478 milhões de euros de pensões dos bancários que a Segurança Social vai ter de pagar em 2012 (e daí para a frente);
- Gaspar contava usar parte dos 6 mil milhões de euros para pagar dívidas em 2011. Como a Troika não autorizou essa operação, Gaspar acabou por ficar com receita em excesso em 2011, o que permite um défice de 2011 em torno dos 4% do PIB, e despesa a mais em 2012, o que agrava o défice de 2012.
O défice de 2012 só não é superior a 5.4% do PIB porque Gaspar vai recorrer a concessões e vendas de património. Gaspar disse várias vezes que não iria recorrer a receitas extraordinárias, porque isso era coisa do passado. Mais: essas receitas constavam do OE2011, e a sua não concretização foi um dos elementos que, ao reduzir (deliberadamente) a receita prevista, permitiu alimentar a tese do desvio colossal. Gaspar diz que esta trapalhada cria dificuldades comunicacionais ao governo. Concordo: não é fácil spinar uma incompetência colossal e um conjunto de malabarices deste calibre.
João Galamba
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
ERA UMA VEZ O EURO
Aquela crise que era só portuguesa e aquele pedido de resgate, frutos da incompetência de Sócrates e Teixeira dos Santos, está agora a atingir a Itália, mesmo depois de ter havido uma substituição do governo.
A França, a Espanha e a Alemanha seguir-se-ão. Mas o nosso governo mantém o modelo da austeridade, assume o papel contristado de PIG penitente perante a Chanceler alemã e Os Mercados, que não reconhecem o seu fiel discípulo.
Hoje a maioria fez um pequeno teatro de preocupação com os pobrezinhos. Os contratos de trabalho assinados com o Estado já foram todos rasgados. Além dos cortes salariais que incluem a supressão do 13º e do 14º mês, o governo prepara-se para acabar com o horário laboral de 40h semanais, com a elevadíssima taxa de desemprego.
Deve estar tudo certo. Os grandes economistas da oposição que sabiam todas as fórmulas mágicas para acabar com o desemprego e com a dívida, relançando velozmente a economia estão, com certeza, cheios de razão. Nós é que somos todos ignorantes, incompetentes e negligentes, todos filhos da ala socrática do PS, que ainda recebem ordens do grande chefe, enviadas de Paris.
Estamos, portanto, cada vez mais gregos.
Sofia Loureiro
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
SINAIS DE CORPORATIVISMO
Jumento
