terça-feira, 12 de julho de 2011

A MOODY’S E A RAIVA DE ALGUNS AGORA…

É verdade que as agências de notação financeira se estão a comportar como canibais...é verdade que o downgrade do rating da dívida soberana da Grécia, Portugal, Irlanda Itália, Espanha (menos grave no caso destes 2 países) fará parta de uma estratégia de ataque ao euro onde eleé mais vulnerável, ou seja no caso das economias dos PIIGS, com mais relevância no caso da Grécia, Portugal e Irlanda...é verdade que como os leões predadores as agências de rating atacam as presas mais fracas e vulneráveis...
É verdade que as agências nomeadamente a Moody's que são rápidas e solicitas a baixar o rating dos PIIGS europeus, não ousam fazer o downgrade das treasury bills americanas que deveriam ser consideradas como quase lixo! A dívida federal dos USA já ultrapassa largamente os 100% do PIB e a tendência é para subir nos próximos anos.
Tudo isto é verdade, MAS tb é verdade que a UE está a tomar do próprio veneno, pois não tem tido nestes anos uma liderança digna desse nome, nem tomou medidas estruturais que blindassem o euro a ataques mais ou menos especulativos.
A UE não tem um ministro das finanças, não pode emitir dívida denominada em EuroBonds, não tem sequer uma política externa ou de defesa comuns.
A UE não é uma federação, mas sim uma manta de retalhos onde cada Estado responde por si e tem uma política orçamental e fiscal próprias.
Também é verdade que as autoridades portuguesas Governo e PR que agora recriminam as agências de rating, outrora (na oposição) tinham um discurso de "não afrontamento".
É necessário ter a coragem de admitir que a Moody's - e talvez mais tarde a S&P e a Fintch - têm razão no fundamental...afinal a despesa corrente primária não foi controlada (o deficit orçamental será maior do que o estimado para 2011), a carga fiscal vai aumentar (corte de 50% do 14º mês) em vez da despesa pública diminuir (estamos na mesma como a lesma, pois a consolidação continua a ser feita pelo lado da receita fiscal), a economia continuará em penosa recessão sem crescer em 2011 e 2012, o investimento não descola e o desemprego registará níveis record ! Faça a tudo isto a probabilidade de Portugal entrar em default e/ou ser alvo de novo resgate à grega é altamente provável !
O que mudou? Para mal dos nossos pecados a Moody's tem nos fundamentais da economia portuguesa!

sem crescimento económico é matematicamente impossível honrar o serviço da dívida (capital+juros) equivalente a 78 mil milhões de euros, acrescidos claro da dívida anterior.
O que isto vai dar é um default futuro, um possível rollover dos títulos de dívida, com troca de títulos com novas maturidades e no limite a tragédia da saída do euro (o que não acredito venha a suceder, pelos efeitos colaterais que teria na UE, juntando o caso português ao da Grécia, e quiçá da Itália e da Espanha.
Neste cenário bem pode o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, o PR Cavaco Silva, o Governo, os banqueiros, muitos analistas e outros vociferarem contra as agências de notação financeira, que não lhes servirá de nada nem de coisa nenhuma, será chover no molhado...só demonstram uma tremenda hipocrisia para não usar outro tipo de adjectivos...

Mas, sempre se pode medir a temperatura da crise da zona do euro para fazer o jogo da culpa. Na semana passada, a dissonância brevemente subsidiada quando todo mundo que importava acusou as agências de classificação de envolvimento em uma conspiração antieuropeu. Este foi o dia depois da Moody que rebaixou a Portugal lixo. A fúria da reacção me diz que o processo está em apuros, mais uma vez.
O aspecto mais interessante do rating Moody não era o downgrade em si, mas o raciocínio. Moody espera que Portugal, como a Grécia, vai precisar de outro empréstimo. Moody também espera que a política vai ser tão bagunça.

Que não vai voltar a procurar os alemães mas sim a participação do sector privado, como condição? É claro que eles vão. Moody concluiu, com razão, na minha opinião, que a bagunça da União Europeia política constitui um motivo de preocupação. Tendo observado esta crise desde o início, eu concordo. Isto é tanto uma crise de coordenação política, pois é uma crise da dívida soberana.



sábado, 9 de julho de 2011

A GOLPADA


«Contrariando tudo o que dissera durante a campanha eleitoral, a primeira medida tomada por Passos Coelho foi aumentar o IRS, através do corte de cerca de 50% no subsídio de Natal.

Argumento invocado: o anterior Governo, que declarara um excedente de €432 milhões no orçamento do primeiro trimestre, foi agora desmentido pelo INE, que encontrou um défice de €3.177 milhões. Eis um episódio triste, de que o actual PM deveria envergonhar-se.

O episódio é triste por dois motivos. Em primeiro lugar, não se percebe como é que um défice de €3.177 milhões no primeiro trimestre pode impedir o défice de €10.068 milhões no final do ano, quando as medidas aprovadas visaram exactamente este valor. Em segundo lugar, releva de uma profunda ignorância confundir a contabilidade pública com a contabilidade nacional, onde a semelhança é idêntica à que existe entre um pepino e um girassol.

Façamos a analogia com o mundo empresarial. Nas empresas, a prestação de contas faz-se igualmente de duas maneiras: de um lado temos o balanço, que compara os proveitos com os custos, e por diferença obtêm-se os resultados; do outro lado temos o caixa, que compara as receitas com as despesas, de cuja diferença resulta o saldo. Dando de barato que os critérios de cálculo estejam correctíssimos, a discrepância de números pode ser abissal.

Imaginemos a aquisição de um equipamento por 100, pago integralmente no acto da compra e contabilisticamente amortizável em 5 anos. Na óptica do caixa, o valor registado é de 100; na óptica do balanço, o valor registado é de 20, porque os outros 80 transitam para os exercícios seguintes. Num lado há o valor que se gastou; no outro aquele que se imputou ao exercício. E podíamos escolher um só deles? Podíamos, mas não era a mesma coisa.

A conclusão a extrair de tudo isto é que Passos Coelho vive obcecado com a ‘troika', que a todo o custo quer ultrapassar pela direita. E esta diferença nos orçamentos caiu como sopa no mel: o Governo anterior foi chamado de irresponsável, os ‘troikistas' sorriram de orelha a orelha e o Estado ainda se prepara para encaixar uns milhões.

Mas o expediente não resultou. E o novato que se supunha diferente revelou-se igual a tantos outros: um político que não olha a meios para atingir os fins.


Não foi um gesto bonito.

CONTAS PÚBLICAS


Dos défices anuais... ...à dívida acumulada


*Previsões.


Quando a ‘troika' e o anterior Governo subscreveram o memorando de entendimento, já conheciam os números que o INE agora publicou. E foi com base nesses números que planearam o défice de €10.068 milhões, 5,9%


do PIB, para o final de 2011. Mas Passos Coelho quis passar mensagem de que foram elementos novos, e muito mais "gravosos", que o obrigaram a este imposto brutal. Não é verdade, e o gesto não caiu bem.

Fontes: Governo, Eurostat» [DE]

Autor:

Daniel Amaral.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

AFINAL OS MERCADOS NÃO SÃO AMIGOS DOS NOSSOS ASPIRANTES A LIBERAIS...

Os nossos aspirantes a liberais passaram os últimos anos a desenvolver uma teoria complexa de uma enorme profundidade ideológica: as coisas são como são. E pronto, é isto. Os mercados são como são. E sendo como são, só lhes devemos estar agradecidos por serem assim mesmo. São eles que nos emprestam dinheiro. E, como explicou o nosso Presidente, que é, ele próprio, como é, não devemos aborrecer os mercados. Porque se os mercados são como são, se ficarem aborrecidos são muito piores. E da mesma forma que os mercados são como são, as agências de rating, está visto, limitam-se a ser as mensageiras da realidade. Ela própria indiscutível, por ser como é.

Os nossos aspirantes a liberais sorriem quando falamos de especulação e ataques ao euro. "Ui, que malandros são os especuladores!", dizem com ar trocista. Os nossos aspirantes a liberais desprezam quem diz que as agências de rating se dedicam ao tráfico de influências que vai destruindo economias. "Sim, matem o mensageiro em vez de tratar da doença!", acusam. As agências só fazem o diagnóstico, acreditam eles.

Os nossos aspirantes a liberais chegaram ao governo. Apresentaram um plano de privatizações muito catita. Disseram que iam mais longe do que já era muito distante. E os especuladores, que são como são, nem quiseram saber. E os traficantes de ratings, que são como são, estão-se nas tintas. Ao contrário do que nos diziam os nossos aspirantes a liberais, o problema não era a credibilidade de quem fazia as propostas. Ao contrário do que sinceramente pareciam acreditar, o problema nem eram as propostas. O problema é que no casino a casa ganha sempre. E ou se põe fim ao jogo ou se sai de lá depenado. Quem acredita que a solução está em Portugal pode começar a preparar a falência e a saída do euro. Quem ainda não percebeu que a especulação também ganha com a nossa falência vive noutro tempo, quando o jogo era bem mais simples. Também se aposta na desgraça alheia. E os que estão a atacar o euro não esperam de nós soluções. Esperam apenas que nos verguemos. Com Sócrates, Passos Coelho ou outro qualquer. Eles querem lá saber...

A classificação da Moody's é um escândalo? É injustificada? É pouco fundamentada? Mas alguma vez foi séria, justificada ou fundamentada? Será que ainda ninguém percebeu a que se dedicam estas instituições? Para quem trabalham e como ganham a vida? O mais perturbante nos nossos aspirantes a liberais não são as suas "soluções". É mesmo a sua candura.
Daniel Oliveira

Agora todos gritam até os média;
É por essas e por outras que foi assim que muita donzela se perdeu em tempos que já lá vão. De boas intenções está o Inferno cheio e de promessas o Céu vazio. Não digo que foi por tal fato só que a direita em Portugal ganhou as eleições e a esquerda as perdeu. Pelo fato de haver uma esquerda maioritária serviu para muito pouco. A vitoria da esquerda sobre o aborto e os casamentos gay, não foram suficientes para evitar uma estrondosa derrota. A questão é que andaram entretidos com os entre tantos e esqueceram os finalmentos. Como diria o outro:-Só se preocuparam com os pentelhos. Para aqueles que acreditaram nas palavras de Cavaco e da direita que caso ganhassem as eleições só por si os mercados acalmavam e os juros baixavam, devem estar profundamente desiludidos. A final a culpa não era de Sócrates, mas de todos que nos pusemos a jeito, mas também da União e muita culpa das agências com interesses na especulação

quinta-feira, 7 de julho de 2011

BODE EXPIATÓRIO

A decisão da Moody não contém nenhuma informação nova, mas seu raciocínio reflecte um fato crucial sobre os participantes do mercado: eles não têm fé na estratégia actual da zona do euro. O avaliador adverte que Portugal não pode recuperar o acesso ao financiamento privado acessível quando projectadas pelo empréstimo EFSF, e que os credores oficiais emprestaram mais somente se os obrigacionistas privadas fizerem um sacrifício. Certamente com estes chimes exactamente está o pensamento a maioria dos investidores ". (Editorial do Financial Times)

Confesso que a criação de um novo bode expiatório - as agências de rating - não me entusiasma por aí além. Não porque não mereçam ser criticadas, mas porque a crítica e a indignação servem de pouco e, sobretudo, porque temo que a unanimidade, nacional e europeia, em torno deste novo mafarrico sirva para desviar a atenção daquilo que verdadeiramente importa: o reconhecimento, por parte da UE (Comissão, BCE e Conselho), de que a abordagem moralista à crise das dívidas soberanas está errada e tem de ser radicalmente revista.
A crítica é sempre mais eficaz quando parte dos pressupostos que estiveram na base de uma determinada política e demonstra como, nos seus próprios termos, essa abordagem está a falhar. É aqui que o comportamento dos mercados e das agências de rating se torna relevante. Não porque seja 'errado' ou 'injusto', mas, sobretudo, porque o principal objectivo da chamada consolidação orçamental e das reformas estruturais é, precisamente, o de conquistar a confiança dos mercados e das agências de rating. Perante isto, e tendo em conta a evolução dos juros e os sucessivos cortes de rating, só podemos concluir uma coisa: esta abordagem não só não está a funcionar, como não se afigura possível que tal coisa venha a suceder.
João Galamba

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A GOVERNAÇÃO PSD CDS/PP

"Ninguém põe o país a pão e água por precaução"

(Miguel Relvas, 15 de Março de 2011)



O partido que acusava o outro, há 3 meses, de pretender deixar o país a "pão e água" encaminha-se, aparentemente, para cortar parte do 13.º mês. O partido que achava ridículo que o PECIV tivesse o objectivo de ganhar uma margem de segurança na redução do défice de 2011 quer, afinal, agora ganhar uma folga para impressionar (não venham com os números do INE conhecidos ontem, porque quem manda é o Conselho Europeu, e desde a semana passada se sabia que vinha aí mais austeridade). O partido que achava a todos os títulos inaceitável aumentar impostos em vez de reduzir a despesa (mas onde estão os míticos consumos intermédios que tudo resolviam?) e que prometia, no futuro, que a austeridade incidiria apenas e só sobre o Estado - porque a sociedade já estava dela farta -, vai, tudo indica, criar um novo imposto extraordinário que, obviamente, não distingue público do privado. E o partido (já governo) que disse que "não usaremos nunca a situação que herdámos como desculpa", não demorou uns dias a violar uma afirmação tão nobre como destituída de sentido (no contexto em que vivemos).



Será esta a nova "política de verdade"? Não, é a esperteza estratégia clássica: está nos "manuais de ciência política" - para usar uma das expressões preferidas de Miguel Relvas - que nos primeiros 100 dias de um Governo, em termos de sacrifícios a impor, vale tudo menos arrancar olhos, por ser ainda cedo para as pessoas chamarem os políticos de "mentirosos".



Mas lá chegaremos. Sejam, por isso, bem-vindos à governação.
Hugo Mendes

domingo, 26 de junho de 2011

NOVO GOVERNO VELHO GOVERNO!

O novo governo da direita representa o triunfo do radicalismo ideológico liberal. As finanças e a economia estão entregues a dois universitários teóricos e militantes do liberalismo económico mais radical.

A saúde ao melhor gestor dos interesses dos seguros médicos, a pessoa indicada para destruir com eficiência o Serviço Nacional de Saúde.

Dizem-se gente nova, mas não são.

São gente bem velha, apenas cópias daqueles Chicago boys que dirigiram o Chile durante a ditadura de Pinochet, e conduziram o Chile a uma miséria e a um sofrimento da esmagadora maioria da população nunca antes vistos, tudo isso a par de um enriquecimento escandaloso da clique económica e político-militar, levado a cabo pelo NORMAL FUNCIONAMENTO DO MERCADO e pela PILHAGEM.

O novo governo é a clique que irá impor a miséria e o sofrimento à maioria esmagadora da população através do mercado puro e duro ( isto é, do triunfo dos porcos, perdão, dos fortes) e da pilhagem.

Surpreende-me apenas a presença no meio deles de NUNO CRATO. Já não de Francisco José Viegas, um medíocre escritor menor, porque a política é o destino natural de um escritor falhado.

Cavaco diz que o governo merece respeito de todos.

Confesso que não tenho respeito por Cavaco, cuja mediocridade só tem paralelo na sua arrogância.

E os respeito que tenho por Cavaco é o mesmo que o novo governo velho me merece.

UMA SEMANA E PERAS...

A semana passada foi marcada pelo sucesso internacional de Pedro Passos Coelho que parece ter conseguido de uma penada o reconhecimento internacional, tudo isto viajando em classe económica dando um exemplo de franciscanismo, só que este franciscanismo revelou-se mais intelectual do que económico, o primeiro-ministro desconhecia que a TAP não lhe cobra bilhete e de pouco serviu ficarem vazios os lugares das filas da frente.

Aliás, parece que este franciscanismo intelectual está a tornar-se moda, até o brilhante professor vindo do Canadá o melhor que conseguiu durante esta semana foi perguntar numa feira de artesanato pela bandeirinha nos produtos portugueses, dizer aos jornalistas que o tratem por Álvaro e sugerir que Portugal poderia ser a Flórida da Europa. Estava a referir-se aos velhos pois o boom da construção civil do sucesso da Flórida não recebeu apenas o dinheiro das pensões, beneficiou muito da lavagem do dinheiro da cocaína no tempo em que essa lavagem ainda não era crime nos EUA.

Igualmentem com tiques franciscanas anda Assunção Esteve, depois de eleita presidente do parlamento dispensou a segurança pessoal. Ficamos sem saber um fraquinho por bdoy guards, se lhe irrita a presença ou se apenas quer poupar os trocos. A verdade é que em vez de poupar ou deixar de ter segurança criou uma dor de cabeça às autoridades, vão ter de gastar mais recursos pagos pelos contribuintes para lhe garantir segurança enquanto a senhora faz de conta que a dispensou.
Jumento

segunda-feira, 13 de junho de 2011

OS DOIS DESAFIOS DO NOVO PS.

São dois os principais desafios do novo PS. O desafio de assumir um compromisso com o passado e com o legado do PS de José Sócrates, para lá do fanatismo acrítico, discutindo os excessos e os erros. E o desafio de assumir um compromisso com o futuro fazendo das pessoas a razão da acção política assente num novo contrato de transparência e credibilidade entre os Partidos e os Portugueses.

Não são desafios fáceis. Vivemos ainda nos dias da emoção que efervesce sobre uma derrota duríssima, em que muitos são responsáveis para lá do Secretário-Geral. Os Barões da Derrota devem ser humildes e dignos, tal como o foi José Sócrates. Mas não podem expurgar-se em poucos dias da responsabilidade do declínio. O PS tem perdido eleitorado, de forma consistente, desde 2005, em todas as eleições (Legislativas, Presidenciais, Europeia e Autárquicas). A sua experiência é útil mas deve estar ao serviço do Partido e não servir-se do Partido e das últimas horas de gabinetes com secretariados – precipitação de procedimentos e ajustamento das regras ao interesse de um grupo seria um grave atentado à história do Partido.

O puro tacticismo ideológico levou-nos a um beco. Vai ser difícil fazer oposição a um memorando, assinado por nós, que pretende destruir o Estado Social – por cuja defesa foram eleitos os nossos deputados, os que estarão na primeira linha da bancada parlamentar. O calculismo político poderia aconselhar que se deixasse os Barões da Derrota dar a cara na oposição. Seria uma questão de tempo para o PS se desintegrar ou cair no colo de quem “avisou”. Mas a responsabilidade política exige que se construa um novo projecto político que agregue, que some e que inclua também os Barões da Derrota no papel que lhes será adequado. Citando José Sócrates, num comício em 2009, “neste PS, todos têm o seu espaço, em função do seu mérito”.

O segundo desafio distancia-se do que Paulo Pedroso e Ana Gomes pretendem – refundar a esquerda. Há questões prévias. A questão da credibilidade da política, dos políticos e dos partidos. Com um instrumento musical podre não há música que agrade. Eu concordo que a esquerda deve reencontrar os nós sociais e apresentar uma estratégia para os desatar. Mas antes disso deve haver um intenso debate sobre os instrumentos que assegurem legitimidade ao contrato social: a credibilidade dos partidos e a forma de fazer política. Esse é o grande desafio: regras claras, justas; a noção clara de quem nem todos os fins justificam todos os meios; estruturas independentes; menos personalização; procedimentos correctos que garantam a igualdade de acesso à informação; fazer dentro do partido o que se apregoa para o País (contas transparentes, recrutamentos transparentes, gestão participada, discussão dos conteúdos em pormenor, usar a forma e o folclore como complemento e não como essência). Daí, com força, com tranquilidade ética e moral, partimos para o sonho de transformar Portugal numa sociedade mais justa e equitativa.

Sem resolver essa questão prévia será uma questão de tempo para voltarmos a ter um debate com "profundas reflexões" sobre a derrota.

JR

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A PERESTROIKA DE DANIEL OLIVEIRA

Segundo o Daniel, os últimos seis anos representaram o culminar de um processo de descaracterização e esvaziamento ideológico do PS. Para além de um fascínio pela tecnologia, Sócrates terá governado sem destino, terá alimentado o discurso anti-serviços públicos e terá enfraquecido o Estado Social. Para o Daniel, a governação de Sócrates terá aberto a porta à direita porque não foi suficientemente de esquerda.

O maior problema do post do Daniel é o de avaliar o PS partindo exclusivamente da perspectiva que o Bloco tem da esquerda. É irónico que, num texto sobre a necessidade do PS repensar toda a sua estratégia, o Daniel se limite repetir a estratégia com que a extrema esquerda insiste em abordar o PS há mais de 30 anos. O Daniel não quer que o PS se reencontre (seja lá o que isso for); quer que o PS se transforme naquilo que o Daniel deseja para o Bloco. Como é óbvio, o PS tem de reflectir sobre esta derrota eleitoral, mas não se afigura provável que venha a ter um secretário-geral que abandone o projecto de modernizar Portugal, através da qualificação dos seus cidadãos, das suas empresas e do seu território; que considere que avaliar professores é um ataque à escola pública; que recue na reforma do sistema de pensões, porque esta coisa da sustentabilidade é uma invenção da direita. Nem provável, nem desejável, acrescento eu.

Por muitas críticas que o Daniel faça aos governos de Sócrates, é inquestionável que se investiu como nunca na escola pública, tendo-se reabilitado e modernizado o parque escolar, instituído a escola a tempo inteiro, etc; que foram criadas novas prestações sociais, como abono pré-natal e o complemento solidário para idosos; que se mostrou como é possível reconhecer o problema da sustentabilidade, rejeitando as soluções da direita: na segurança social, com a reforma de Vieira da Silva; no SNS, que, após as reformas iniciadas por Correia de Campos, é hoje mais eficaz e mais eficiente, sem que se tenha alterado a sua natureza universal, geral e tendencialmente gratuita; no Código do Trabalho, que, ao contrário da reforma de Bagão Félix, privilegiou a flexibilidade interna (banco de horas) e reforçou a negociação colectiva.

Admito que se pudesse ter ido mais longe em matéria fiscal (mais-valias imobiliárias), mas nunca ao ponto de satisfazer o Daniel, porque grande parte do que ele defende, sobretudo no que diz respeito reforço da tributação sobre o capital, só pode de ser feito ao nível europeu.O mesmo vale para a política de austeridade, que eu também considero errada, mas que, dado o actual enquadramento europeu, é, infelizmente, necessária. Aqui reside talvez o maior erro de Sócrates: não por ter posto em prática uma política de austeridade, como afirma o Daniel, mas por ter sempre assumido a austeridade como sua, como se fosse um projecto em tudo semelhante, por exemplo, ao investimento na escola pública ou à aposta nas energias renováveis . Se é verdade que a personalidade de Sócrates pode explicar este modo de actuação, não é menos verdade que o mais relevante não são as suas características pessoais, mas o facto de ser primeiro-ministro de um pequeno país numa zona euro que institucionalizou a austeridade. Aqui devemos criticar Sócrates mais pelo discurso do que pela prática.
João Galamba

terça-feira, 7 de junho de 2011

MAIORIA DE DIREITA NO PARLAMENTO

Antes de mais uma referencia aos comentários no post anterior " Parabéns", em que pelo código de fonte é sempre o meu amigo de estimação que comenta, em menos comentário pelo que se denota que o dito comentador não deve ter muito que fazer ou então será um dos novos boys do PSD.

depois deste à parte vamos ao que interessa:

O PS perdeu as eleições legislativas e com valores muitíssimo expressivos. O PSD ganhou com bastante diferença, pelo que o próximo governo será um governo de maioria de direita. A derrota do BE também foi um dos perdedores, tal como o CDS que ficou aquém do que se esperava.

Assim quis o povo, assim será. A democracia é exactamente o cumprimento da vontade da maioria.

Para a História ficará certamente o excelente discurso de José Sócrates. Foi um discurso de um grande homem, de quem Portugal se deve orgulhar. Esteve à frente de dois governos, um que foi o melhor governo de há muitos anos, em democracia, o outro que remou contra correntes e marés e não conseguiu o seu objectivo. Erros teve, mas teve muito mais acertos.

Fica também para a História a vergonhosa pergunta que lhe foi feita por um jornalista, não sei de que meio de comunicação, em que se sugeria que Sócrates, deixando de ter poder político, passaria a ser alvo de mais processos judiciais, nomeadamente no Face Oculta.

O PS terá agora a tarefa de iniciar outro ciclo político, de eleger outro líder. O país precisa de um PS revigorado na oposição, para uma oposição esclarecida e responsável, o exacto contrário do que foi a oposição ao último governo do PS.

Há uma maioria de direita, esperemos que estável. A Passos Coelho deseja-se sorte. Precisa ele e precisamos nós.

Sofia Loureiro dos Santos