quarta-feira, 8 de junho de 2011

A PERESTROIKA DE DANIEL OLIVEIRA

Segundo o Daniel, os últimos seis anos representaram o culminar de um processo de descaracterização e esvaziamento ideológico do PS. Para além de um fascínio pela tecnologia, Sócrates terá governado sem destino, terá alimentado o discurso anti-serviços públicos e terá enfraquecido o Estado Social. Para o Daniel, a governação de Sócrates terá aberto a porta à direita porque não foi suficientemente de esquerda.

O maior problema do post do Daniel é o de avaliar o PS partindo exclusivamente da perspectiva que o Bloco tem da esquerda. É irónico que, num texto sobre a necessidade do PS repensar toda a sua estratégia, o Daniel se limite repetir a estratégia com que a extrema esquerda insiste em abordar o PS há mais de 30 anos. O Daniel não quer que o PS se reencontre (seja lá o que isso for); quer que o PS se transforme naquilo que o Daniel deseja para o Bloco. Como é óbvio, o PS tem de reflectir sobre esta derrota eleitoral, mas não se afigura provável que venha a ter um secretário-geral que abandone o projecto de modernizar Portugal, através da qualificação dos seus cidadãos, das suas empresas e do seu território; que considere que avaliar professores é um ataque à escola pública; que recue na reforma do sistema de pensões, porque esta coisa da sustentabilidade é uma invenção da direita. Nem provável, nem desejável, acrescento eu.

Por muitas críticas que o Daniel faça aos governos de Sócrates, é inquestionável que se investiu como nunca na escola pública, tendo-se reabilitado e modernizado o parque escolar, instituído a escola a tempo inteiro, etc; que foram criadas novas prestações sociais, como abono pré-natal e o complemento solidário para idosos; que se mostrou como é possível reconhecer o problema da sustentabilidade, rejeitando as soluções da direita: na segurança social, com a reforma de Vieira da Silva; no SNS, que, após as reformas iniciadas por Correia de Campos, é hoje mais eficaz e mais eficiente, sem que se tenha alterado a sua natureza universal, geral e tendencialmente gratuita; no Código do Trabalho, que, ao contrário da reforma de Bagão Félix, privilegiou a flexibilidade interna (banco de horas) e reforçou a negociação colectiva.

Admito que se pudesse ter ido mais longe em matéria fiscal (mais-valias imobiliárias), mas nunca ao ponto de satisfazer o Daniel, porque grande parte do que ele defende, sobretudo no que diz respeito reforço da tributação sobre o capital, só pode de ser feito ao nível europeu.O mesmo vale para a política de austeridade, que eu também considero errada, mas que, dado o actual enquadramento europeu, é, infelizmente, necessária. Aqui reside talvez o maior erro de Sócrates: não por ter posto em prática uma política de austeridade, como afirma o Daniel, mas por ter sempre assumido a austeridade como sua, como se fosse um projecto em tudo semelhante, por exemplo, ao investimento na escola pública ou à aposta nas energias renováveis . Se é verdade que a personalidade de Sócrates pode explicar este modo de actuação, não é menos verdade que o mais relevante não são as suas características pessoais, mas o facto de ser primeiro-ministro de um pequeno país numa zona euro que institucionalizou a austeridade. Aqui devemos criticar Sócrates mais pelo discurso do que pela prática.
João Galamba

terça-feira, 7 de junho de 2011

MAIORIA DE DIREITA NO PARLAMENTO

Antes de mais uma referencia aos comentários no post anterior " Parabéns", em que pelo código de fonte é sempre o meu amigo de estimação que comenta, em menos comentário pelo que se denota que o dito comentador não deve ter muito que fazer ou então será um dos novos boys do PSD.

depois deste à parte vamos ao que interessa:

O PS perdeu as eleições legislativas e com valores muitíssimo expressivos. O PSD ganhou com bastante diferença, pelo que o próximo governo será um governo de maioria de direita. A derrota do BE também foi um dos perdedores, tal como o CDS que ficou aquém do que se esperava.

Assim quis o povo, assim será. A democracia é exactamente o cumprimento da vontade da maioria.

Para a História ficará certamente o excelente discurso de José Sócrates. Foi um discurso de um grande homem, de quem Portugal se deve orgulhar. Esteve à frente de dois governos, um que foi o melhor governo de há muitos anos, em democracia, o outro que remou contra correntes e marés e não conseguiu o seu objectivo. Erros teve, mas teve muito mais acertos.

Fica também para a História a vergonhosa pergunta que lhe foi feita por um jornalista, não sei de que meio de comunicação, em que se sugeria que Sócrates, deixando de ter poder político, passaria a ser alvo de mais processos judiciais, nomeadamente no Face Oculta.

O PS terá agora a tarefa de iniciar outro ciclo político, de eleger outro líder. O país precisa de um PS revigorado na oposição, para uma oposição esclarecida e responsável, o exacto contrário do que foi a oposição ao último governo do PS.

Há uma maioria de direita, esperemos que estável. A Passos Coelho deseja-se sorte. Precisa ele e precisamos nós.

Sofia Loureiro dos Santos

segunda-feira, 6 de junho de 2011

PARABÉNS

Aos laranjinhas que não tardam muito estão azedas e bem azedas com PPC.
E o ultimo a rir é o que ri melhor...
O estado de graça vai ser de um mês se tanto depois da posse, o meu amigo de estimação depois me dirá, por agora que seja feliz deite os foguetes e apanhe as canas, para mais tarde chorar...
Como tenho pena de gente triste e infeliz.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

GOVERNAR BEM!...


De pouco serve aos que votem num governo de direita ou num governo de Sócrates se esse governo não governar bem, de pouco serve ao país um bom projecto se for mal conduzido ou se o país for mal governado. O país pode correr com Sócrates e escolher Passos Coelho de olhos fechados ou confiar em Sócrates e rejeitar a revolução liberal se for mal governado, a situação em que a crise financeira o deixou é má e a que resultou de uma crise política desnecessária é ainda pior.

Governar bem exige competência, capacidade de decisão, coragem política, saber escolher os governantes e as suas equipas e, acima de tudo, governar para, com e pensando nos portugueses. Segundo este critério o actual governo esteve aquém das minhas expectativas como o disse pouco depois de ter sido constituído, nunca confiei na competência do ministério das Finanças como o disse aqui muitas vezes, também segundo esse critério não posso confiar em Passos Coelho, não me convenceu de que tm qualidades para primeiro-ministro e algumas personagens que o acompanham fazem-me sentir calafrios na espinha.

Sempre aqui defendi orçamentos equilibrados, por vezes chego mesmo a pensar que sou dos poucos portugueses que considera que os défices orçamentais devem ser uma excepção e não uma regra. Mas para ter orçamentos equilibrados não é necessário acrescentar à miséria e às brutais assimetrias na distribuição de rendimento um SNS e um sistema educativo público para pobres. É necessário sim gastar menos e com mais critério, combater a evasão fiscal e fechar a torneira a uma imensidão de esquemas de evasão fiscal legalizada, como é o caso da zona franca da Madeira ou a imensidão de ofshores e de fundações privadas oportunistas.

Governar significa restabelecer ou impor a concorrência nos mercados e adoptar a meritocracia nas instituições do Estado e nas empresas públicas, acabar com a criação de empresas municipais para empregar as clientelas partidárias ou usar os cargos no topo do Estado e das Empresas Públicas para colocar os amigos. Os prejuízos que a burocracia instalada pelos partidos em todos os níveis do Estado nos últimos trinta anos provocaram prejuízos incalculáveis, tal como um mercado onde impera o oportunismo impediu o aparecimento de milhares de empresas competitivas que hoje poderiam ser projectos empresariais de dimensão internacional, mas que nem chegaram a nascer ou morreram precocemente, asfixiadas pela concorrência desleal, pelos abusos do poder, pela corrupção e pela burocracia.

Sócrates cometeu erros, talvez o mais dramático e elementar foi ter nacionalizado o BPN em vez de nacionalizar a SLN, talvez um dia possamos conhecer tudo o que nos bastidores levou a esta decisão, mas por agora é Sócrates que se arrisca a ver a direita ganhar, a mesma direita que defraudou o país com o BPN. Mas financiar uma descida brutal da TSU com os dinheiros da segurança social ou com um aumento do IVA sobre o cabaz de compras dos mais carenciados não será um erro, será um crime premeditado. Sócrates errou e foram os portugueses a pagar esse erro com impostos enquanto os senhores da SLN ficaram com o património e daqui a uns dias até poderão rir de Sócrates e dos portugueses. Mas financiar os lucros das grandes empresas com a desculpa de criar alguns empregos não será um erro, será uma manobra premeditada de enriquecimento dos que já são ricos à custa dos que ficaram mais pobres. Governar bem é na actual situação pensar acima de tudo nos mais carenciados e proteger a classe média, os problemas da economia não resultam da falta de ricos ,resulta sim do número crescente de pobres e da destruição da classe média.

Governar bem é pensar no país, tudo fazer para que exista um projecto que consiga unir os portugueses em torno de um projecto que os mobilizes, é fazer do programa do próximo governo um verdadeiro contrato social com todos os portugueses, um contrato capaz de conciliar as necessidades das empresas com a esperança dos mais pobres e da classe média que ainda resta. Governar bem é governar para o país e não para testar ideologias, o país não está em condições para servir de laboratório para a reencarnação de Milton Friedman, até porque em Portugal vive-se em democracia e não se conta com os algozes de Pinochet para implementar a receita de Chicago. Governar bem é ser capaz de garantir aos que fazem os sacrifícios de que serão ressarcidos do que perderam e não o que sucedeu ao longo dos últimos trinta anos em que todos os programas de austeridade levaram a que os ricos ficassem mais ricos e todos os outros ficassem mais pobres.

Sempre aqui defendem maiorias absolutas, sou mesmo partidário de um sistema maioritário ponde fim a um sistema utópico que tem conduzido ao empobrecimento do país. Mas governar com uma maioria absoluta obriga a que quem governa tenha a capacidade de governar para uma maioria mais vasta do que a maioria parlamentar de que dispõe. Isso não significa soçobrar aos interesses corporativos ou aceitar que sejam esses mesmos interesses a gerir uma boa parte do Estado, á margem da vontade dos portugueses

Neste último dia de campanha eleitoral confesso que tenho dúvidas, de que sinto receios, de que não tenho certezas. Não acredito nos programas eleitorais, a única garantia que tenho é o acordo com a troika mas qualquer governo pode e deve fazer muito mais do que transformar aquele programa em programa de governo, seria como se o departamento de contabilidade de uma empresa se substituísse a todos os outros e o contabilista passasse a substituir todos os outros administradores e directores da empresa. No programa da troika não se fala de questões fundamentais como o ambiente, a agricultura, a investigação científica, a qualificação de várias gerações que com ou sem habilitações académicas não tem qualificações profissionais, das universidade, da qualidade do ensino ou da taxa de natalidade e da protecção da infância. E há muito Portugal, há mesmo muito mais Portugal para além do défice público, da dívida soberana ou da competitividade das empresas mal geridas e que apostam na mão de obra intensiva pois foi o encerramento ou deslocalização dessas empresas que conduziu o desemprego aos actuais níveis.

E se alguém não tiver dúvida ainda que como eu tenham a certeza quanto ao partido onde vai votar que me digam, que me ajudem, a mim e a muitos portugueses, a termos certezas.

Mesmo que o próximo governo governe bem não á garantias de sucesso e a verdade é que são poucos os indicadores de que o próximo governo, seja ele qual for, será um bom governo. Nos últimos anos muitas manifestações usaram figurantes que diziam estarem arrependidos de ter votado num determinado partido, receio que daqui a dois anos em vez de figurantes sejam eleitores de verdade a fazê-lo. E quando isso suceder a democracia portuguesa terá fracassado e os portugueses terão de repensar seriamente o seu modelo constitucional.

Jumento



quinta-feira, 2 de junho de 2011

TODA A VERDADE II

O que se tem dito sobre José Sócrates e Paulo Portas? Muita coisa.


E sobre Passos Coelho, nada. Funciona como uma espécie de apagão na imprensa portuguesa o escrutínio sobre o passado profissional do líder do PSD que se a Primeiro-Ministro. E afinal que passado? Pedro Passos Coelho tem vários processos de execução, como administrador do Grupo Fomentinvest Ambiente, SGPS viu-se envolvido em mais de 10 processos de contra-ordenação, a nível pessoal vários processos fiscais por frequentes apresentações de declarações fora de prazo e algumas condenações nas empresas que administrou.


Outra curiosidade. A empresa de tratamento e valorização de resíduos industriais, RibTejo, do grupo Fomentinvest, de Ângelo Correia, e que teve como presidente do Conselho de Administração, Pedro Passos Coelho, actual líder do PSD, foi obrigada pelo Tribunal da Relação de Évora a pagar uma coima de 60 mil euros por infracções às normas ambientais. Esta sentença surge depois do Tribunal Judicial da Golegã ter confirmado, em Novembro de 2009, que a empresa presidida por Pedro Passos Coelho estava a infringir normas na área do ambiente. Esta decisão, confirmada em dois tribunais diferentes, leva a perguntar porque será que Pedro Passos Coelho tanto defende a privatização de serviços públicos.


Conheça todos estes episódios aqui.


Passos Coelho gaba-se, também, da sua experiência como administrador, mas esta é um desastre. Senão vejamos, o Grupo Fomentinvest de que Passos Coelho era administrador executivo geria, por exemplo, o “New Energy Fund” que integra vários projectos empresariais (com resultados desastrosos desde a sua constituição com uma desvalorização acumulada de 17% em apenas 15 meses e diversas empresas do Grupo sobre suspeita).


É esta a sua experiência!


Consulte aqui todos os investimentos do "New Energy Fund".


Um dos projectos a Albaidas de que Pedro Passos Coelho era administrador executivo, na sequência de uma denúncia sobre gestão danosa durante os anos de 2008 e 2009 em que referem ter havido um desvio de cerca de 1 milhão de euros, foi objecto de uma deliberação da Comissão Executiva do Banif para que se procedesse a uma investigação exaustiva desses graves factos culminando com a realização de um memorando da Cuatrecasas.


Podem ver e fazer download das cartas do Banif à Fomentinvest, a denúncia da gestão danosa, a carta do Banif à MCO2-SGFIM e o memorando da Cuatrocasas.


Da apreciação do Comité de investimentos da NIF foi detectado, entre outras coisas, que “em 2009, as contas apresentadas não reflectiam sequer os saldos que o NEF tinha desembolsado a título do financiamento do projecto”, bem como, outras irregularidades.


Este fundo “NEF” tem participação de diversas instituições financeiras e estão neste momento completamente desvalorizados e descapitalizados em relação ao investimento inicial nele feito.


Podem ver este quadro que comprova essa desvalorização.


Existe, também, a intenção de caso o PSD ganhe as eleições integrar este fundo do Grupo Fomentinvest na CGD de forma a diluir o enorme buraco financeiro acumulado e assim compensar os diversos accionistas que passam por diversas instituições financeiras.


PPC que trouxe à campanha a sua capacidade de gestão empresarial como economista podia explicar o que tem a dizer à apreciação demolidora na sua gestão na Albaidas e se pode garantir que caso ganhe as eleições o fundo das energias e também o fundo do carbono (outro altamente desvalorizado) da Fomentinvest do seu amigo Ângelo Correia não será adquirido pela CGD.


Encontre aqui, disponível para consulta, um ponto de situação sobre o projecto Albaida.


Outro projecto com gravíssimos problemas de irregularidades na sua gestão foi MARL Energia.


Análises que podem, igualmente, ser aqui consultadas.


Pergunto eu: É isto que queremos para Portugal?


Consulte em (http://verdadeirolapisazul.blogspot.com/) e partilhe com os seus amigos por mail e nas redes sociais.

terça-feira, 31 de maio de 2011

TODA VERDADE...PASSOS COELHO

Verdade sobre Passos Coelho
Todos os candidatos destas eleições viram a sua vida escrutinada ao mais ínfimo pormenor. Sabemos tudo e conhecemos bem o passado de José Sócrates, Paulo Portas, Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã. De Pedro Passos Coelho nada. Funciona como uma espécie de apagão de “lápis azul” na imprensa portuguesa o escrutínio sobre o passado profissional do líder do PSD que se candidata a futuro Primeiro-ministro. E afinal que passado.

Pedro Passos Coelho tem vários processos de execução fiscal pessoais por frequentes apresentações de declarações fora de prazo.

E como administrador do Grupo Fomentinvest Ambiente, SGPS viu-se envolvido em mais de 10 processos de contra-ordenação (em anexo mapa dos processos de contra-ordenação).

O último foi enquanto Presidente do Conselho de Administração da RIBTEJO em que perdeu no Tribunal da Relação um processo “por muito grave incumprimento das normas de qualidade de água tendo sido aplicada uma coima de 60 mil euros”.

Vale a pena também investigar as “ligações perigosas” do grupo empresarial a que Pedro Passos Coelho está ligado e onde se destacaram os irmãos Cavaco acusados de burla qualificada no caso BPN e Horácio Luís de Carvalho acusado de corrupção activa e branqueamento de capitais e sócio da sub-holding Tejo-Ambiente (que inclui a Ribtejo e HLCTejo).

O Blogue “ Lápis Azul” não tem medo, não tem receio e quebra o manto de silêncio sobre os interesses que estão por detrás de Passos Coelho e da sua ânsia de privatizações. Veja-se o caso das Águas de Portugal e o interesse da Fomentinvest e do seu amigo Ângelo Correia (esta o Expresso não deixou escapar em nota de rodapé).

Imaginem que estas situações se passavam com qualquer um dos outros candidatos. O que seria?! Mas se investigarem que as duas empresas de marketing Brasileiras que estão a fazer a campanha do PSD são pagas por dois grandes grupos de Media nacionais, que perspectivam vir a beneficiar com a eventual privatização da RTP, fica muito clara a razão porque existe uma espécie de “lápis azul” na comunicação social sobre o passado e presente de Pedro Passos Coelho

sexta-feira, 27 de maio de 2011

É com ele e com os votos dele que eu conto para construir um Estado laranja

"A Madeira confronta-se com a maior taxa de desemprego de sempre, um número recorde de insolvências, um desproporcional nível de endividamento agravado pelo insucesso das sociedades de desenvolvimento que, tal como a zona franca, não têm servido, como era expectável, para alavancar a débil economia insular e criar postos de trabalho. Até no número de eleitores, o arquipélago atinge a marca máxima: 255.867 recenseados, mais do que toda a população residente que em 2009 estava estimada em 247.399 indivíduos.

(...)O exagerado número de funcionários públicos, que representam quase um terço da população activa, não consegue evitar que a taxa de desemprego atinja a cifra recorde de 13,9 por cento. Em Março último havia 17541 desempregados, o dobro do registado em 2008.

A Madeira atinge um recorde de insolvências, registando mais encerramentos de empresas nos quatro meses deste ano do que durante todo o ano de 2010. A dívida global, superior a seis mil milhões de euros, faz com que cada madeirense deva 24 mil euros, valor a que acrescem os 17 mil euros por conta do endividamento nacional. O passivo global do sector público empresarial atingiu 4.221 milhões de euros no final de 2009, traduzindo um agravamento de 140 por cento em quatro anos, quase três vezes o valor do orçamento da região que,mesmo com o programa da troika, desde 2007 teima em manter na gaveta a reforma da administração que exige a redução de funcionários, extinção e fusão de serviços e autarquias.

(...) Os meios financeiros extraordinários para a reconstrução no pós-temporal disponibilizados pelo governo da República - apontada como causa da crise que tem mais remotas e evidentes origens regionais - têm servido para atenuar os enormes atrasos de pagamentos a fornecedores de serviços e bens. Por falta de boa cobrança, alguns serviços têm sido suspensos, com prejuízo para a prestação de cuidados de saúde e de educação, sector em cujo ranking a Madeira tem das piores médias do país." - Tolentino da Nóbrega, Público, 27/05/2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

UM CONTO DA SUBIDA AO INFERNO DE PASSOS COELHO…

Passos Coelho, está andar tranquilamente quando é atropelado por um condutor que faz rally nas ruas de Massamá e Morre ali na hora.

A alma dele chega ao Paraíso e dá de caras com São Pedro na entrada
– Bem-vindo ao Paraíso; diz São Pedro:

- Antes que você entre, há um problemazito...

Raramente vemos Políticos por aqui, sabe... então não sabemos bem
o que fazer com o doutor.

– Não vejo problema nenhum, basta deixar-me entrar, diz o antigo Presidente do PSD Passos Coelho.
Eu bem que gostaria de o deixar entrar senhor Doutor, mas tenho ordens superiores... Sabe como é... Vamos fazer o seguinte:

O Senhor passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Depois pode escolher onde quer passar a eternidade.

- Não é necessário, já resolvi. Quero ficar no Paraíso diz Passos Coelho.

- Desculpe, mas temos as nossas regras.
Assim, São Pedro acompanha-o até o elevador e ele desce, desce,
desce até o Inferno.

A porta abre-se e ele vê-se no meio de um lindo campo de golfe.

Ao fundo o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos
com os quais havia trabalhado.

Todos muito felizes em traje social.

Ele é cumprimentado, abraçado e eles começam a falar sobre os bons
tempos em que ficaram ricos às custas do povo.

Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar.
Quem também está presente é o diabo, um tipo muito amigável que
passa o tempo todo dançando e contando piadas.

Eles divertem-se tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir
embora.

Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador
sobe.

Ele sobe, sobe, sobe e a porta abre-se outra vez. São Pedro está a espera dele.

Agora é a vez de visitar o Paraíso
Ele passa 24 horas no paraíso, junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e cantando.

Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia chega ao fim e São
Pedro retorna.

- E então??? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso.

Agora escolha a sua casa eterna. Ele pensa um minuto e responde:

- Olha, eu nunca pensei... vir a tomar esta decisão... O Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou ficar muito melhor no Inferno

Então São Pedro abanando com a cabeça, leva-o de volta ao elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.

A porta abre-se e ele vê-se no meio de um enorme terreno baldio cheio
de lixo e com um cheiro horrível.

Ele vê todos os seus amigos com as roupas rasgadas e muito sujas catando o entulho e colocando-o em sacos pretos, repara que por vezes os amigos se pegam á porrada na disputa de pedaços de comida podre.

O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo ombro do Líder do PSD.

– Não estou a entender?! - Gagueja o Passos Coelho – ontem mesmo eu
estive aqui e havia um lindo campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, e nós dançamos e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo mal cheiroso e os meus amigos totalmente arrasados!!!

O diabo olha para ele... sorri ironicamente e diz:

- Ontem estávamos em campanha.

Agora, que conseguimos o seu voto... eis a realidade

domingo, 22 de maio de 2011

O LIBERALISMO RADICAL DA DIREITA PORTUGUESA




Foi o PSD e o CDS que forçaram a entrada do FMI para salvar os banqueiros e para querem impor o pagamento dos seus desmandos a todos os portugueses.

O FMI era a sua desculpa para poderem terem um estado totalmente neoliberal...

Por isso vos digo se agora estamos mal, se a direita ganhar pior ficaremos com toda a certeza: Porque esta direita de Paulo Portas e Passo Coelho irá mudar muito para pior na vida da classe média dos portugueses, a saber: Já pagam os impostos que financiam o SNS, passarão também a pagar os cuidados de saúde de que carecerem nos hospitais do Estado; Os transportes públicos serão em grande parte privatizados e os passes atingirão preços proibitivos; O Estado passará a financiar os colégios privados, restando a escola pública apenas para os muito pobres e filhos de imigrantes; A médio prazo a segurança social será em grande parte entregue às Seguradoras, que em em caso de descalabro financeiro, como aconteceu nos EUA, deixarão milhões de pessoas de mãos a abanar e na maior miséria. Sabem bem que não estou a inventar, isto está tudonos respectivos programas de governo, mais nas enterlinhas aquilo que não está ao acesso de todos nós ...


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Empresa dirigida por Passos condenada a pagar 60 mil euros por negligência

Líder do PSD era presidente da Ribatejo à data das descargas de águas residuais com níveis de enxofre superiores aos permitidos na lei.

A empresa Ribtejo, da qual Pedro Passos Coelho foi presidente entre 2005 e 2009, foi condenada a pagar 60 mil euros por negligência devido a descargas de águas residuais (uma infracção classificada como muito grave), com níveis de enxofre 15 vezes superiores aos permitidos por lei, em 2008. O líder do PSD confirmou ao i que "teve conhecimento [da questão] através da directora do aterro", mas garante que se tratou de uma "situação excepcional e pontual, sem impactos ambientais.

Afinal todos tem telhados de vidro!...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Quantas novas oportunidades daremos a Passos Coelho?

Pedro Passos Coelho acha que as Novas Oportunidades são uma certificado à ignorância. Assim como acha que o subsídio de desemprego é um expediente de preguiçosos. Passos Coelho deve ser um homem que, desde de tenra idade, deu no duro. Um aluno brilhante que singrou numa carreira e assim se impôs aos que o rodeavam. Porque tanta arrogância social só pode resultar de uma vida sofrida que olha com impaciência para as dificuldades dos outros. Quem vá ouvindo a forma como a nossa elite fala dos menos afortunados terá de concluir que é o mérito, e apenas ele, que explica o seu sucesso.

Pois eu admiro quem, depois de um dia de trabalho, ainda arranja forças para ir para uma escola. Admiro quem tira tempo ao seu tempo para aprender um pouco mais. As Novas Oportunidades não corresponderão muitas vezes a um ensino de excelência. Aqui e ali poderão, muitas vezes, ser ligeiras. E as principais vítimas desse facilitismo serão aqueles que perdem o seu tempo para melhorar os seus conhecimentos e ver habilitações que já têm, conseguidas fora dos bancos da escola, reconhecidas pela comunidade. E serei o primeiro a defender que não pode haver uma formação de segunda para quem se esforça para conseguir mais. Mas nunca, em nenhum momento, me atreveria a insultar assim o esforço destas pessoas.

A frase de Passos até pode ser popular num País onde o esforço de quem não se resigna a ficar no seu lugar é, pelo menos até se conseguir engordar a conta bancária, motivo de troça. Quem fez o 12º ano até pode gostar de pensar que os que chegaram até lá fora de tempo não o merecem. Mas ela carrega consigo o indisfarçável desprezo que os homens à volta de Passos Coelho têm por aqueles que esta sociedade desigual e esta elite arrogante vê como "falhados". É assim com os desempregados, é assim com os que têm menos estudos. E este padrão de desprezo social diz quase tudo sobre a forma como estes senhores pretendem governar o País.

Daniel Oliveira - in Expresso

quarta-feira, 18 de maio de 2011

PASSOS INSULTOU 500 MIL PORTUGUESES

Com mais esta já nem precisa de Catroga, nem sei para que o mandou para o Brasil, porque ele faz as mesmas caricaturas e mostra bem quem é…





E desta vez Pedro Passos Coelho estatelou-se com o "certificado à ignorância", sobre as Novas Oportunidades. Desajeitado e incompetente, impreparado e ganancioso pelo poder a todo o custo, esquecendo-se que em Portugal vive um povo com 850 anos de História, experiente e sábio, todas essas "qualidades" já lhas tinha reconhecido. Mas imprevidente ao ponto de na retórica eleitoral não evitar cometer uma tal calinada, expressão do que vai no seu pensamento, estava, sinceramente, longe de imaginar.
Ele não conhece a vida, nomeadamente a das nossas empresas de sucesso, onde em muitas delas quadros médios e superiores, que começaram a trabalhar de cueiros, muitos com a quarta classe e que, por tanto se valorizarem individualmente, profissional e culturalmente, se erigiram como colaboradores decisivos para o desenvolvimento e crescimento das suas empresas. Eu próprio conheci alguns, especialmente em empresas ligadas à exportação e outras.
Nas suas áreas são especialistas, "doutorados", para referir os casos mais notáveis.


AS Novas Oportunidades têm esse objectivo: certificar, não a ignorância, mas o saber adquirido ao longo de muitos anos, de sobra para ensinar muita gente, em especial o Dr. Pedro Passos Coelho. E estimular a valorização contínua.
São influências de Santana Castilho, Filomena Mónica Ferreira e C.lda.·
Este homem não pode nunca ser primeiro-ministro de Portugal.
Tenhamos bom senso.·
Vamos mas é votar no meu Zézito.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

OS VERDADEIROS ARRANJINHOS PARA POLÍTICOS-PROFISSIONAIS...




Circula por aí um email que nos explica, melhor, quem é, afinal, Eduardo Catroga?

"
É o tal da penhora das retretes do estádio das Antas no Porto, o mesmo sócio do condomínio da coelheira no Algarve, grandes mansões com Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Sr. Cavaco Silva e outros do BPN.( É este homem que só quer discutir assuntos sérios? Tem razão. Isto de sério tem pouco! )

Eduardo Catroga o "chefe da equipa negocial" do PSD e íntimo de Cavaco Silva
Se é verdade o que diz este escrito:
-Pensionista com cerca de 9600 euros mensais, aposentado pela CGA (como trabalhador... também no sector privado!) (?)
-Prof. Catedrático a tempo parcial 0% (1)
-Criador das PPP - Parcerias Público Privadas (!) - Ai esta coisa da realidade que os persegue!

..."porque não processar Eduardo Catroga por destruir a imagem das universidades portuguesas ao fazer-se nomear professor catedrático a tempo parcial 0%, quando nunca teve uma carreira de professor brilhante e já há anos que é pensionista? Algum jovem deste país tem entrada numa universidade estrangeira se esta souber que um dos catedráticos das cadeiras que este aluno estudou foi um catedrático a tempo parcial 0%, nomeado seis meses depois de já o ser? É evidente que não só não terá entrada numa universidade estrangeira, como ainda se arrisca a ser ridicularizado por sonoras gargalhadas. Além disso, estes jovens ainda poderiam pedir uma investigação à gestão e privatização do BPA conduzida na ocasião pelo ministro das Finanças Eduardo Catroga.
...
Em Maio de 2009 o senhor professor Joao Duque presidente do conselho directivo do Instituto Superior de Economia e Gestão, ( que tem lugar cativo nas mesas das televisões mais reaccionárias), produziu um "despacho" contratando-o, "por conveniência urgente, para exercer as funções de Professor Catedrático Convidado, a tempo parcial 0 %, além do quadro do Instituto, com efeitos a partir de 1 de Setembro de 2008", Eduardo Catroga. Acrescenta sibilinamente, "não carece de visto prévio do Tribunal de Contas": Está-se mesmo a ver que andaram a fazer contas para não ultrapassar a fronteira em que seria exigido visto do TC. Para quem passa a vida a clamar por transparência, estamos conversados.
Algumas questões? Esse tal Catroga não acumula reformas e outros vencimentos? Não recebe da CGA mais de 9.000 euros/mês? Não é administrador da Sapec e da Nutrinveste? O que quer dizer tempo parcial 0 %? Aparentemente nem precisa andar pelos corredores do ISEG, de mãos nos bolsos a assobiar! Para qualquer leigo tempo parcial 0 %, é não fazer mesmo nada. Se é assim, porque é que se paga retroactivamente, desde 2008, por não fazer nada?

Antigo ministro das Finanças e "criador das já famosas PPP" , professor catedrático convidado do ISEG, Eduardo Catroga aposentou-se no mês de Abril de 2007 com uma pensão mensal de 9 693,54 euros, de acordo com a listagem publicada pela Caixa Geral de Aposentações (CGA) para o próximo mês.
Em conversa com o Correio da Manhã, o economista explicou que o valor é a soma das pensões a que tem direito pelos seus descontos como funcionário público... e como trabalhador privado. (Sou capaz de não ter percebido bem: a pensão dos 40 anos no privado é paga pela CGA? Para simplificar, diz ele?)"

Eu Acrescento:
É aquele que saiu de Ministro porque... não ganhava para os charutos...!!! "

quinta-feira, 5 de maio de 2011

AS MINHAS NOTAS

Um dia passado, às voltas com as notícias que vão saindo nos jornais online, no rádio e na televisão, algumas notas que tomei:

      • Pudemos perceber que, ao longo do último mês, pelo menos, os jornais serviram de veículo de propaganda e de desinformação, alarmando continuamente a população, tudo fazendo para que a avaliação que fizéssemos do governo fosse aquela que os partidos de direita e de extrema esquerda, em união perfeita, uns por um lado outros pelo outro, queriam.
      • À parte uma nota final no editorial de Pedro Santos Guerreiro, não me apercebi de qualquer tentativa de justificação da parte dos media de tanta incompetência. A não ser que não seja incompetência, que seja mesmo luta política, da mais baixa.
      • As medidas que se vão conhecendo são, tanto quanto me apercebi, as que estavam previstas no PEC 4, com algumas outras alterações ou especificações, nomeadamente na redução da despesa do estado, privatizações, etc.
      • De facto a sensação que fica, mais uma vez e com mais sustentação, é que o PSD precipitou a queda do governo para evitar que Sócrates conseguisse evitar a intervenção externa e, apesar de tudo, pudesse aguentar-se este ano, com a eventual ajuda da União Europeia, e ultrapassar a pressão d'Os Mercados.
      • Ficámos com a certeza de que o PSD precipitou a demissão do governo negando apoio ao último PEC, primeiro porque era muito duro, depois porque era pouco duro, para agora vir a apoiá-lo, ensaiando uma distância e uma soberba ridículas, descredibilizando-se totalmente, se ainda tinha algum crédito de sobra.

Sócrates conseguiu ganhar mais esta batalha. Vamos a eleições sem qualquer razão, perdemos um mês sem qualquer préstimo, mostrámos internacionalmente uma imagem de doidos e oportunistas, cavámos mais fundo o insuportável fosso entre eleitores e eleitos.

Cada vez mais se configura a repetição do quadro parlamentar anterior, com a vitória do PS nas próximas eleições. E ainda bem, porque este PSD demonstrou bem qual a importância que dá ao país. Tudo vale, mas mesmo tudo, para alcançar o poder.

sábado, 30 de abril de 2011

SEPARAÇÃO DE PODERES

Ainda bem que algumas coisas vão encontrando a sua justa medida. A coligação negativa que decidiu suspender a avaliação de desempenho dos professores teve o seu epílogo com o chumbo do Tribunal Constitucional.
Outras continuam no descaminho do inenarrável, como a declaração de Eduardo Catroga, ao dizer que as gerações mais jovens deviam pôr este Governo em tribunal.
O nível da campanha eleitoral e de quem a faz é bem patente.
Também é interessante ouvir os vários porta-vozes do PSD a pedir ao país a responsabilização dos 6 anos de governo do PS, para além da exigência da prestação de contas por 6 anos de governação socialista.
Esquecem-se convenientemente que o PS já prestou contas em 2009, indo a eleições e tendo-as vencido. Prestá-las-á novamente a 5 de Junho. O programa que tem, bom, mau, assim-assim, com TGV ou sem ele, fora da realidade ou dentro dela, será sufragado pelos eleitores.
A democracia é assim. Os tribunais devem servir para julgar crimes. Seria bom que Eduardo Catroga e outros como ele se lembrem da separação de poderes e, já agora, da decência.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O ABISMO ÉTICO

Melhor do que eu, muitos leitores estarão lembrados das bandeiras negras que em 1983 se ergueram, um pouco por todo o país, para sinalizar a fome. Tal como hoje, Portugal vivia tempos muitíssimo difíceis. Tal como hoje, o país recorrera, em desespero, à ajuda do FMI. Tal como hoje, o pior estava para vir. Mas as coincidências acabam aqui. Em 1983 o valor global da ajuda que o Fundo disponibilizou chegou ao montante (então) extraordinário de 650 milhões de dólares. Em 2011 estamos a discutir um resgate que pode chegar aos 100 mil milhões de euros! Infelizmente, espantosamente, o diabo nem são os números. Permitam-me uma inconfidência (devidamente autorizada) e já perceberão ao que venho. Estávamos, repito, em 1983. O Ministro das Finanças e do Plano era Ernâni Lopes. António de Almeida era o seu Secretário de Estado do Tesouro. Os dois homens tinham viajado até Washington para uma reunião com o FMI. O regresso a Lisboa implicava uma escala e uma pernoita em Nova Iorque. Ao chegar ao Hotel, o Ministro, seguramente com o ar grave, pausado e sério que punha nessas ocasiões, disse ao seu Secretário de Estado: «António, o momento é de austeridade. Mandei reservar um único quarto para os dois». O susto terá sido muito mas a verdade é que lá ficaram, cada qual na sua caminha bem entendido, a zelar durante o sono pelas depauperadas finanças pátrias.


Mas desenganem-se se julgam que a história acaba aqui. António de Almeida, mal refeito de uma noite espartana, ainda terá sonhado com um merecidíssimo passeio pela 5ª Avenida. Afinal de contas o avião de regresso a Lisboa estava marcado para o final da tarde e não havia reuniões agendadas durante todo o dia. Pura ilusão. O check-out fez-se, pontualmente, ao meio-dia. «Os tempos são de austeridade e a partir dessa hora cobram uma sobretaxa». Bem dito e melhor feito: o resto da tarde foi passado a trabalhar no banco de trás do automóvel que haveria de levar Ministro e Secretário de Estado ao Aeroporto. Devem ter comido umas sandes. Mas este gastronómico pormenor, em verdade vos digo, já sou eu que o invento.



Percebem onde quero chegar? Não julguem que é ao populismo basista que apelo. Não julguem que me vou aqui pôr a reclamar impensáveis sacrifícios nocturnos ao Dr. Teixeira dos Santos. Nem ao futuro Ministro das Finanças de Passos Coelho. Eu próprio, para ser sério, provavelmente não os faria. Mas isso não impede a minha inominável angústia. O facto é que é que, episódios como este, tornam ainda mais esmagadora a consciencialização do real abismo que separa as crises de 1983 e de 2011. O diabo, repito, nem são os números. O diabo são os líderes que vamos eleger para tratar deles. O diabo são os quadros mentais em que se movimentam. O diabo são os valores que os animam e que, colectivamente, vimos caucionando. O diabo é a falência ética em que estamos mergulhados. Nos mundos politico, económico e empresarial. É por aí, não tenham dúvidas, que a crise começou. É por aí que teremos, mais cedo que tarde, de começar a tratar o problema.


PS: “Economia, Moral e Politica” é o título do último livro de Vítor Bento. E imprescindível é dizer pouco.


Publicado na Visão em 28.4.2011

segunda-feira, 18 de abril de 2011

MOTIVO ATENDÍVEL DE DESPEDIMENTO

A entrevista de Fernando Nobre ao Expresso é um bom motivo para o PSD recuar quanto ao cabeça de lista que pretende apresentar por Lisboa. Nobre não trará um saldo positivo de votos, nem representará um balde de ideias frescas ou úteis para o país, mas apenas uma fonte de problemas para o partido. Passos já terá seguramente consciência disso. Agora basta ter a coragem para recuar numa intenção que do ponto de vista teórico poderia ser interessante, mas na prática é um erro político grosseiro.

Os potenciais eleitores do PSD agradecem.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Agências de rating, o que pensar!


As agências de notação financeira, nomeadamente a Moody's e a Standard & Poor's (S&P), é que estiveram na origem da grave crise financeira mundial que eclodiu em 2008, revela um relatório do Senado norte-americano conhecido esta sexta-feira… link

Este relatório evidencia os conflitos de interesses dessas agências que são pagas pelas empresas que classificam e as enormes responsabilidades pelo agravamento da actual crise financeira.


Em Portugal, a exemplo do que sucede em diversos tribunais dos EUA e do processo levantado em Espanha, por economistas alemães e, recentemente por um grupo de cidadãos portugueses que apresentou uma queixa dessas agências na PGR, pretendendo que lhes seja levantado um processo judicial. Decorre paralelamente uma petição pública link iniciada em 7 de Abril 2011, cujo texto – virado para a situação portuguesa - merece ser lido e, de certo modo, antecipa as conclusões da Subcomissão do Senado norte-americano.


Na verdade, os mercados financeiros [na realidade todos os “mercados”] necessitam de regulados por entidades independentes e idóneas. Os sacrifícios que estas agências têm imposto a muitos povos conferem um carácter de urgência a medidas fiscalizadoras. Entretanto, quer as agências de rating quer as empresas financeiras beneficiárias [como é o caso referido pelo relatório do Senado sobre Banco de Investimento Goldman Sachs link ] deveriam ser duramente penalizadas pelas entidades competentes… E os prejuízos que os Estados e as empresas financeiras espalhadas pelo Mundo tiveram de arcar, ressarcidos.


Entretanto, julgo de elementar justiça que, na sequência dos abundantes indícios que vão surgindo por todo o lado, as agências de rating mais responsáveis [Moody's, Fitch e Standard & Poor's] deveriam ser obrigadas a suspenderem as [nefastas] actividades a que se vêm dedicando. Seria uma medida salutar para os Países em dificuldades financeiras e orçamentais. Quiçá, a "poção tranquilizante" capaz de “acalmar” [e sanear] os ávidos mercados financeiros.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O RESGATE ACONTECEU


Portugal vai pedir o resgate da dívida. Os rumores começaram na quarta -feira de manhã, atiçados pelo Financial Times, foram dados como adquiridos numa inopinada entrevista que o ministro das Finanças resolveu dar a meio da tarde e, por fim, confirmados na declaração que o primeiro-ministro fez ao país às 20:35h. Tudo tinha de ficar decidido antes da reunião do Ecofin que se realiza amanhã em Budapeste.

Ontem, no Facebook, o Presidente da República escreveu: «Reafirmo, perante os Portugueses, que o actual Governo contará com todo o meu apoio para que não deixem de ser adoptadas as medidas indispensáveis a salvaguardar o superior interesse nacional e assegurar os meios de financiamento necessários ao funcionamento da nossa economia. [...]»

Nisto tudo, uma certeza: a Banca precisa, já, de quinze mil milhões de euros. Mas como o Fundo Europeu de Estabilização não funciona às mijinhas, temos de negociar, já, o pacote global: noventa mil milhões. Nessa medida, tem sido penoso ouvir (e ler) os disparates que jornalistas e comentadores repetem ad nauseam.

O melhor bocado está guardado para o fim: o dia em que o PSD aprovar em dobro, com pompa e circunstância, o que chumbou a 23 de Março.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

IMPORTA-SE DE REPETIR?


Queria agradecer à Zon a possibilidade que me deu de rever 11 vezes as declarações de Passos Coelho em que afirma o seguinte:

não se assustem, a nossa situação não é comparável com a Grécia e com a Irlanda porque nós já estamos a fazer em Portugal algumas das coisas que serão precisas fazer...

Isto é inacreditável (mesmo após ver 11 vezes) porque:

a) Passos Coelho admite que as situações da Irlanda e da Grécia são dramáticas, após ajuda externa do FEEF/FMI;

b) Passos Coelho reconhece que o Governo tomou medidas que amenizam (e porventura poderiam ter impedido) os efeitos da ajuda externa do FEEF/FMI; mas mais impressionante

c) Passos Coelho é o líder do partido que mais tentou impedir essas medidas, antes e depois da demissão do Primeiro-Ministro.

Acho que vou rever mais umas quantas vezes, para perceber melhor.

Jagular