
As agências de notação financeira, nomeadamente a Moody's e a Standard & Poor's (S&P), é que estiveram na origem da grave crise financeira mundial que eclodiu em 2008, revela um relatório do Senado norte-americano conhecido esta sexta-feira… link



Queria agradecer à Zon a possibilidade que me deu de rever 11 vezes as declarações de Passos Coelho em que afirma o seguinte:
não se assustem, a nossa situação não é comparável com a Grécia e com a Irlanda porque nós já estamos a fazer em Portugal algumas das coisas que serão precisas fazer...
Isto é inacreditável (mesmo após ver 11 vezes) porque:
a) Passos Coelho admite que as situações da Irlanda e da Grécia são dramáticas, após ajuda externa do FEEF/FMI;
b) Passos Coelho reconhece que o Governo tomou medidas que amenizam (e porventura poderiam ter impedido) os efeitos da ajuda externa do FEEF/FMI; mas mais impressionante
c) Passos Coelho é o líder do partido que mais tentou impedir essas medidas, antes e depois da demissão do Primeiro-Ministro.
Acho que vou rever mais umas quantas vezes, para perceber melhor.
Jagular
Vivemos em democracia, gostamos de acreditar que sim, que temos uma sociedade pluripartidária, que nos oferece opções de governo diferentes, sendo essas opções decididas pelo voto popular, em eleições livres.
Mas será mesmo assim?
Desde a aprovação do OE de 2011, pelo menos, tem havido pressões quase diárias para que Portugal peça ajuda financeira externa, tal como fez a Irlanda. Para isso têm trabalhado os partidos da oposição mas sobretudo e principalmente, a especulação que faz com que subam os juros da dívida, que faz com que desçam os ratings dos bancos, das empresas públicas e do país.
A luta política é lícita, independentemente das interpretações que possamos fazer, da escolha do partido A ou do partido B. Mas neste momento até a decisão de ir a eleições é penalizada. Já não basta não termos mecanismos de decisão económica e financeira, visto que os governos têm que obter o aval e a autorização da União Europeia, leia-se da Alemanha, como têm que prestar contas à União Europeia, leia-se à Alemanha, como ainda têm que ter eleições apenas quando e se a União Europeia e Os Mercados quiserem.
Os media não podem estar a soldo do poder político. Mas informarão melhor as populações se estiverem a soldo do poder económico?
Nesta Europa dos Cidadãos, como ouço tantas vezes dizer, nesta sociedade ocidental, moderna e democrática, a vivência do que é a democracia vai encolhendo e afastando-se cada vez mais do seu conceito.





Se a conspiração promovida a partir de Belém tentando acusar um governo de fazer escutas ao Presidente da República tivesse ocorrido nos EUA dificilmente Cavaco Silva teria terminado o mandato. Este foi apenas um dos episódios em que a Presidência da República se envolveu em manobras contra um primeiro-ministro democraticamente eleito. Mas como estamos numa democracia em que os políticos põem os seus objectivos pessoais acima dos valores Cavaco recandidatou-se e apesar de ter vencido as presidenciais por uma margem mínima foi eleito.
Não esperou muito e logo no discurso de posse abriu uma crise política que ganhou expressão com o chumbo do PEC, ainda antes de este ser discutido no parlamento já Manuela Ferreira Leite, de quem ninguém dúvida que diz o que Cavaco pensa, liderava a luta por eleições antecipadas, fê-lo na reunião do grupo parlamentar e não admira que tenha sido ela a liderar o PSD no debate sobre o PEC IV. E para que não restassem dúvidas uns dias antes da queda do governo o mandatário nacional da candidatura presidencial de Cavaco Silva e Conselheiro de Estado, homem pouco dado a entrevistas e muito menos a actividade política, deu uma entrevista declarando que não havia alternativa a eleições antecipadas.
Pedro Passos Coelho não passou de uma marioneta em toda esta crise e é no mínimo estranho que a sua primeira decisão tenha sido pedir uma audiência a Cavaco Silva (ou terá antes sido convocado?) de onde saiu dizendo que ia chumbar o PEC. Entretanto, o Presidente que sabia muito de economia, que ia ter uma magistratura activa e que não queria uma segunda volta das presidenciais por causa dos mercados financeiros ficou em silêncio enquanto os habituais assessores anónimos de Belém iam passando a mensagem de que Cavaco considerava Sócrates culpado e que não ia fazer nada.
É evidente que as próximas eleições legislativas não serão uma luta eleitoral entre o líder do PSD e José Sócrates, Passos Coelho não passa de um peão de brega de Cavaco Silva tal como Manuela Ferreira Leite já o tinha sido nas últimas eleições legislativas. Pedro Passos Coelho não era o preferido de Cavaco Silva, esse estatuto pertencia a Rangel que perdeu apesar da discreta ajuda que recebeu, mas isso pouco importa a Cavaco, da mesma forma que deixou cair Manuela Ferreira Leite quando foi desmontada a mentira das escutas, mais facilmente deixará cair Pedro Passos Coelho por quem, aliás, não nutre grande consideração. Mas, enfim, quem não tem cão caça com gato, neste caso com coelho.
Na sua luta com Sócrates o Presidente da República ficou calado perante a conspiração do seu assessor Fernando Lima, chamou a Belém o sindicalista PSD dos magistrados dando expressão às insinuações de que Sócrates teria feito pressão sobre os magistrados, fez declarações insidiosas no caso do negócio da TVI e agora não hesita em empurrar o país para uma situação de insolvência. Compreende-se, Cavaco queria ficar na história como o político mais impoluto e competente, quanto ao impoluto foi o que se viu e quanto ao competente começa-se a perceber que não suporta a sombra que Sócrates lhe possa fazer. Deve ser difícil de ouvir Sócrates dizer que outros governos ficaram conhecidos como os governos do betão, enquanto o seu ficará conhecido pelo governo do saber e da ciência.
Se destas eleições resultar um governo sem maioria absoluta ou, pior ainda, se Sócrates ganhar, não serão os lideres partidários vencidos eleitoralmente que serão os derrotados, o grande derrotado será o país, os portugueses e a democracia e o grande responsável por esta situação será Cavaco Silva. Nesta situação fará mais sentido a realização de eleições presidenciais antecipadas do que as eleições legislativas que se vão realizar. E se a direita ganhar não atingirá o velho projecto de Sá Carneiro, a direita ter o governo e a presidência, será Cavaco que será o presidente e o primeiro-ministro, isto é, tenderá a ser um caudilho eleito por alguns portugueses para mandar em nome dos que o elegeram.
Cavaco é o pior presidente na história da democracia portuguesa, isto para não o comparar com Carmona ou Américo de Tomaz, é um político que não está à altura do cargo e não tem qualidades políticas para que seja reconhecido como o presidente de todos os portugueses.

