terça-feira, 22 de março de 2011

A OBSESSÃO PELO POTE...


Num comunicado escrito em inglês, o PSD tenta justificar perante a União Europeia o voto contra as medidas acordadas pelo governo em Bruxelas, com o argumento de que uma “coligação alargada para a mudança reforçaria a legitimidade política” para impor essas medidas.
O PSD lá saberá por que não se deu ao trabalho de divulgar em português o seu comunicado para inglês ver. Porém, depois de espremido, o que o comunicado diz é que o PSD vai votar contra as medidas agora, mas promete adoptá-las se vier a ganhar as eleições, justificando este ziguezague com a mais-valia de vir a ter o apoio de outros partidos…
O PSD não especifica com que partidos está a contar, mas como todos, à excepção do PS, já declararam estar contra as medidas, ou o PSD avalia a “coerência” dos outros partidos pela sua, ou está a contar que o PS esqueça a facada que lhe está a espetar.
Quem, na ganância de chegar ao pote, brinca com a vida dos portugueses e despreza de forma tão leviana o interesse do país, não pode esperar generosidades, nem merece o voto dos portugueses.

segunda-feira, 21 de março de 2011

QUE VENHAM ELEIÇÕES!...O VOTO NÃO SE TROCA POR FAVORES.


Assistimos, durante esta última semana, ao enovelar de uma novela. O Primeiro-Ministro fez aquilo que não podia fazer ao ter comunicado, de Bruxelas, mais um pacote de medidas de austeridade, para os próximos anos, sem que antes tivesse tido o suficiente respeito pelas instituições do seu país para as informar do que, segundo ele próprio, seria indispensável para o equilíbrio e para a confiança internacional.

Desastrado ou maquiavélico, esse foi um ponto de não retorno. Assim como as várias declarações públicas de membros do governo e do PS chamando o PSD ao compromisso, após este já ter sido assumido pelo governo. As explicações sobre o congelamento das pensões não convenceu ninguém, a prestação de António Costa na Quadratura do Círculo foi, para dizer o mínimo, uma manobra deselegante e pouco credível, tentando responsabilizar Teixeira dos Santos pela jogada política do governo e de Sócrates.

Passos Coelho aguardava uma oportunidade para fazer cair o governo, sem ficar com o ónus de desencadear uma crise política. Dentro do PSD a espera começava já a fazer vítimas, estando a apertar-se-lhe o cerco. Sócrates deu-lhe um excelente pretexto.

Logo a seguir ao discurso de tomada de posse de Cavaco Silva defendi que o governo deveria apresentar uma moção de confiança à Assembleia da República para que os partidos assumissem as suas responsabilidades. Neste momento penso que o melhor é avançarmos para eleições e, ao contrário de Medeiros Ferreira, acho que José Sócrates se deve apresentar à frente do PS.

Em nome da estabilidade política tem-se mantido uma situação instável, à beira do precipício, com dramatizações em catadupa. A crise continua e o sobressalto que todos sentimos não é cívico, é depressivo. Não se aguenta mais esta situação de histeria, manipulação informativa e barragens de propaganda. Não há mercados, crises ou Bruxelas que me convençam que é melhor continuar assim. Em democracia estes problemas resolvem-se com eleições. Venham elas.

quarta-feira, 16 de março de 2011

O REGRESSO AO PASSADO!...


Importa que os jovens deste tempo se empenhem em missões e causas essenciais ao futuro do país com a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do Ultramar.

Este é o nosso Presidente da República. Em ditadura, com o analfabetismo e a falta de liberdade de expressão de pensamento, tudo o que os jovens queriam, desprendidos e corajosos, era ir à guerra, defender os territórios ultramarinos.

Salazar também assim pensava. Que os jovens queriam, corajosa e desprendidamente, defender o Ultramar. Era essa uma causa maior, ao serviço da nação.

Os jovens que estiveram envolvidos na guerra do Ultramar, que não puderam ter sobressaltos cívicos para se negarem a fazê-lo, que não puderem manifestar-se nas suas cidades contra a guerra e a miséria, mereciam bem melhor homenagem.

terça-feira, 15 de março de 2011

"A PRIMEIRA GERAÇÃO DA HISTÓRIA QUE VAI VIVER PIOR QUE OS PAIS"


Será verdade que os jovens de hoje serão a primeira geração da história que vai viver pior do que os seus pais?

Acredito que um médico filho de um médico ou um advogado filho de um advogado dificilmente alcançará o nível de vida dos seus pais. Pela simples razão de que, não tendo a procura de médicos e advogados crescido tão depressa quando a oferta, as respectivas competências sofreram uma desvalorização relativa, bem notória no facto de essas e outras profissões qualificadas terem perdido algo do seu prestígio social.

Acontece, porém, que a grande maioria dos novos licenciados não são filhos de gente com estudos. Bem pelo contrário, nasceram e cresceram em famílias de pequenos funcionários, empregados administrativos, comerciantes ou mesmo, em muitos casos, trabalhadores da indústria e da agricultura.

Ora, não pode haver dúvidas de que estes viverão muito melhor que os seus pais. Trata-se, aliás, de um facto de mera observação, sem necessidade de comprovação estatística, para qualquer pessoa que ande por cá há algum tempo e tenha uma moderada preferência por abrir os olhos à realidade.

Mas quem só acredita em números pode mais uma vez ir aqui para verificar que os jovens de hoje ganham em termos reais 10% mais do que os jovens de há uma dúzia de anos.

Gaita, como é que certas pessoas têm imaginação para inventar tanta treta?

domingo, 13 de março de 2011

A MANIF DA GERAÇÃO À RASCA....


O grande obstáculo da dita “geração à rasca” que hoje se manifestou de modo impressivo e alegre por todo o País é o mercado de trabalho. Aqueles que já tendo ingressado constituem “a geração dos 700€” e muitos continuam à procura de um lugar. Hoje, este mercado caracteriza-se por oferecer más condições laborais, índices remuneratórios baixos, desajustamento entre as prestações e a formação recebida e, mais grave, altas taxas de desemprego. Este o leitmotiv da manifestação.

A disfuncionalidade do mercado de trabalho bem como a disputa (procura) por postos de trabalho que envolvem grande número de candidatos foi um facto que levou as entidades patronais a distorcer as condições de trabalho: sonegação de benefícios sociais, precariedade e sub-emprego. Um outro motivo desta manifestação.
Os sectores mais tecnológicos da Economia exigem bons níveis de formação mas são somíticos nas retribuições financeiras e sociais. Há frequentes desvios ocupacionais, i. e., muitos mantêm um emprego em nada relacionado com a sua formação. Os meios de acesso aos postos de trabalho são frequentemente enviesados e tributários de indicações pessoais (compadrio) ou de favorecimento partidário. Os centros de emprego, anúncios, agências e associações profissionais terão um papel pouco relevante.

Por outro lado, muitos jovens não preenchem um requisito muitas vezes importante para o empregador: não possuem experiência profissional. É neste contexto que se abrem as portas para estágios. Muitos deles não remunerados. De facto, as empresas não concebem estes estágios como um investimento em recursos humanos.

Mas, por outro lado, muitos dos candidatos aos novos empregos que ao longo da sua formação se envolveram num processo ultra-competitivo de formação não foram capazes de se entrosar em processos culturais. Esta circunstância aliena-os do Mundo e prejudica a actividade criativa e inovadora muito valorizada nas modernas empresas.
Dificulta-lhes o acesso ao trabalho.

Outros, provavelmente, também muitos, mantiveram-se à margem da política, alguns fazem gala de se apresentar como “despolitizados”, têm dificuldades em aceitar os modelos da sociedade democrática e muitas vezes entram em confrontos de valores.
Todavia, mesmo divorciados de uma prática de cidadania, a capacidade destes jovens em contestar o poder é inata, embora tenham dificuldades em apresentar projectos alternativos.
Mais, perante um país a viver um drama social tão profundo, facilmente se geram atitudes políticas de indignação.
Apesar de todos os condicionamentos das Escolas que vão formando a actual geração, a juventude sempre se colocou na vanguarda do julgamento dos homens públicos.

Por estas razões a manifestação da “geração à rasca” sempre levantou reservas ao stablishment político. Para eles (os jovens candidatos ao mercado de trabalho) os políticos não são entes confiáveis.

Muitos deste jovens – fora do circuito de formação – estão sujeitos a um brutal processo de massificação em regra dominado por valores conservadores. Um processo influenciado pela televisão, redes sociais e uma secreta ânsia de abranger o Mundo.
Deste modo a profissão e a realização pessoal dominam as ambições profissionais e, por outro lado, ter casa, arranjar companheiro(a), criar filhos, automóvel, etc. são condições de bem-estar que preenchem a vertente da realização pessoal.


Algumas das entrevistas transmitidas pela TV, durante a mega manifestação de hoje, corroboram estes percursos…

sexta-feira, 11 de março de 2011

A MANIF. DOS DESENRASCADOS...ENRASCADOS!?...


Desenrasquem-se! Porque não alinho com os supostos enrascados...

Porque não me parece que o movimento não me parece que seja tão espontâneo quanto quer fazer crer, evidenciando sinais de organização como a tentativa de boicote de um comício de um partido democrático. Ninguém vai espontaneamente para boicotar um comício “armado” de megafone.

Porque desconfio de um movimento com fortes apoios e patrocínios por parte de alguma comunicação social, com direito, por exemplo, a uma coluna permanente na edição online do jornal Expresso.

Porque desconfio de movimentos que visam directamente o ataque ao poder democraticamente eleito, bem como de manifestações que são supostamente contra a classe política instalada que contam com o apoio de toda essa classe política instalada, tendo mesmo o alto patrocínio de Cavaco Silva, Presidente da República e o político que se diz não político mas que foi quem durante mais tempo esteve à frente dos destinos do país (um governo como ministro das Finanças, parte de uma legislatura como primeiro-ministro, duas legislaturas como primeiro-ministro sem oposição, um mandato como presidente com direito a mais outro mandato presidencial), sendo o grande mentor do modelo social e económico de que os enrascados se queixam.

Porque os meninos-bem que têm dado a cara pelo movimento estão longe de representar os jovens que enfrentam maiores dificuldades, esses à hora da manifestação estarão a fazer reposições em supermercados e a desenrascar-se como podem. Não posso confundir o jovem que não tirou qualquer curso e não teve acesso a formação profissional ou os jovens licenciados em engenharia vítimas da crise na construção civil, ou jovens arquitectos ou advogados vítimas da proletarização forçada para proveito de grandes arquitectos e advogados instalados, com jovens que optaram por licenciaturas em violoncelo, comunicação e relações diversas que acham que as empresas têm de os empregar mesmo sem disporem de qualificações profissionais.

Porque as suas motivações são motivadas pelos seus interesses pessoais e mais do que protestar contra gerações de políticos que se amanharam e trespassaram as dívidas para as futuras gerações pretendem ter direito a um modelo de direitos adquiridos que já faliu. Mais do que os problemas do país e a busca de soluções pretendem a continuação de um modelo social inviável.

Desconfio de um movimento que junta jovens defensores da ditadura do proletariado com jovens que votam em Salazar como o maior português, jovens das nossas “boas famílias” com jovens do bloco ou da JCP.

Este movimento poderá ter nascido espontaneamente mas neste momento tem muito pouco de espontâneo, os jotas de todas as organizações políticas estão envolvidos sob disfarce, a comunicação social de direita está fortemente empenhada e até assistimos ao ridículo de ver um Cavaco Silva que sempre teve horror a manifestações vir apelar à participação.

Não gosto nada de ser “comido” por parvo! Muitos dos que vejo dizerem estar à rasca sempre tiveram melhor vida do que eu e agora que acham que estão em boa idade de terem as mesmas benesses dos papás estão preocupados.

Recordo-me das últimas frases do discurso de posse de John F. Kennedy "Por isso meus irmãos americanos não perguntem o que o seu país pode fazer por vocês. Perguntem o que vocês podem fazer pelo seu país. Meus irmãos do mundo: não perguntem o que a América fará por vocês, mas o que juntos podemos fazer pela liberdade do homem."

Mesmo assim estou solidário com as gerações de todos os Pais desta geração “ à rasca”. Esses sim, que fizeram sacrifícios enormes para dar aos filhos o que, a muitos, não lhes foi dado.

Não sei porquê, sempre desconfiei desta manifestação. Cedo percebi, que havia ladrão com rabo de fora. Conhecendo as armas da esquerda arrogante, arruaceira e social-fascista (BE-PCP), estava escrito nas estrelas o propósito desta gente.
Se não, vejamos:
-Deslocar de Lisboa a Viseu para boicotar uma sessão de esclarecimento de um partido há porta fechada, levando uma câmara para filmar a ocorrência, e, assim, poder explorar o acontecimento.
-A convocação de manifestações partidárias para o mesmo sitio e à mesma hora.
-Para disfarçar, escrever no manifesto que era contra a classe politica, mas, ao mesmo tempo, não se demarcando desta, na manifestação.
-Colocação na agenda mediática a manif, com o apoio do mundo jornalístico mais conservador e difamatório.
-O apoia, dado pelo Presidente da Republica, a esta manif, e, até, como sobressalto cívico...

Em suma:
A minha solidariedade para com os jovens que de facto querem mesmo trabalhar em que área seja independentemente da sua, e não têm.
E aos Pais destes, que tudo fizeram para dar aos filhos, o que, a muitos, não lhes foi dado.

Resultado da manif . A oposição a dar uma força. As caixas dos bares a facturarem. E a juventude com os mesmos problemas, e a ser instrumentalizada por gurus.


quinta-feira, 10 de março de 2011

O PROVINCIANO FASCISTA...


O PRESIDENTE DA JUVENTUDE:

A polícia de choque do ministro Dias Loureiro em cima de tudo o que mexesse ou cheirasse a protesto, jovens e estudantes incluídos; os incentivos à não produção e ao abate na agricultura e nas pescas, disfarçados de fundos comunitários; 10 anos de Governo, 8 dos quais em maioria absoluta, ignorando tudo o que fosse opinião diferente e desprezando todo e qualquer tipo de consenso, e que foram o princípio do fim a que chegámos; o nascimento e apadrinhamento de toda uma classe de políticos, primeiro, e banqueiros depois, que tiveram o epílogo no BPP e no BPN. Cavaco Silva é a última pessoa com legitimidade neste país para lançar vibrantes apelos aos jovens e para falar em sobressaltos cívicos e em situação de emergência económica e financeira. Não apaguem a memória.

O DISCURSO ANARQUISTA:

O tosco que foi eleito por 23% dos eleitores para exercer o cargo de PR, fez um discurso de tomada de posse como se estivesse a fazer um discurso de campanha para primeiro ministro.

Portugal tem problemas graves e tem de resolve-los. É verdade.
Mas também não deixa de ser verdade que muitos desses problemas são antigos. Do tempo em que o próprio Cavaco era Primeiro Ministro e que também ele não conseguiu ou não quis resolve-los, apesar dos rios de dinheiro que na altura chegavam da Europa.
Nunca, em 30 anos de regime democrático o país teve um superavit. E só muito raramente conseguimos baixar o peso do nosso endividamento externo.

O compadrio na política deve merecer o repúdio de todos os cidadãos, porque retira oportunidades a muitos para dar a uns poucos, mas não será o Compadre de Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Cardoso e Cunha, Ferreira do Amaral, João de Deus Pinheiro entre muitos outros que virá dar lições a quem quer que seja.
Além disso, no seu partido, nas regiões e nas autarquias, o compadrio não está propriamente em extinção.

Ao ignorar o impacto da crise internacional no estado de dificuldade em que estamos actualmente, o professor de economia mostrou que tem vistas curtas e que não tem capacidade de interpretar o mundo em que vivemos.
Muitos outros países da UE estão neste momento a partilhar as dores das dificuldades orçamentais. Grécia, Irlanda, Espanha, Itália, Reino Unido, Bélgica, entre outros, estão também com dificuldades de crescimento e com dificuldades de conter os seus défices.
Ver esse problema com algo de exclusivo de Portugal e que tem de ser exclusivamente resolvido por nós é colocar em cima dos ombros do governo mais um peso, em vez de, como lhe competia, ser institucionalmente solidário na explicação aos portugueses da necessidade de sacrifícios.

Várias forças partidárias expressaram públicos votos no sentido de que o segundo mandato presidencial de Cavaco Silva decorra sem sobressaltos, ou melhor, seja um prolongamento do anterior. Todavia, estas declarações denunciam a convicção [dessas forças políticas] de que não será assim. Nunca vivemos, no Portugal pós-Abril, um segundo mandato presidencial como uma simples replicação do primeiro. E não só porque a habitual recandidatura dos presidentes condiciona o exercício presidencial [no 1º. mandato]. Na verdade, o protagonismo presidencial perante o desempenho do Executivo, num segundo mandato, tende a acentuar-se, por uma dinâmica política própria. A reiterada confiança expressa pelo eleitorado, ao conferir o 2º. mandato, transmite ao titular do cargo a sensação do reforço e alargamento do campo de manobra político e, ao País, um sentimento de estabilidade. Temos vários exemplos disso, ditados por circunstâncias diferentes, na nossa História recente. E, no presente caso, foram sendo lançados ao País sinais que isso poderia acontecer. Passamos de uma "cooperação estratégica" [anunciada perante um Governo com maioria absoluta] ao anúncio de uma “magistratura activa” [num Governo de maioria relativa].

O discurso de posse do Presidente da República [link], não transmitiu a concreta ideia do que será essa “magistratura activa”.

De facto, Cavaco Silva, de manhã, visitou o navio-escola Sagres e, na sessão solene da AR, navegou do crucial ao conjuntural, aportando - aqui e acolá - em questões essenciais e outras marginais.

Crucial, foi a resenha sobre a evolução dos indicadores económico-sociais dos últimos 10 anos (as taxas de crescimento da economia e do rendimento nacional bruto, a deterioração do saldo da balança de rendimentos, a recessão da taxa de poupança, o desemprego e o risco de pobreza e exclusão social, etc.);

Essencial, terá sido o apelo à participação cívica (“despertar os Portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte, dinâmica e, sobretudo, mais autónoma perante os poderes públicos…”), o reconhecimento público de clivagens socais determinadas por desigualdades e pela pobreza, à humanização das políticas (“A pessoa humana tem de estar no centro da acção política…”), etc. ;

Balançando entre marginal e o circunstancial, foram as explanações, com claro posicionamento doutrinário (que obviamente dividem os portugueses) relativas ao investimento público, à educação, à família, etc., em que, pondo de lado a coesão nacional, confrontou concepções ideológicas da Esquerda (latu sensu) e, sem surpreender, feriu, com especial acutilância, o Governo. (Para quem seguiu em directo o discurso estas foram as passagens entusiasticamente aplaudidas pelas bancadas parlamentares do CDS/PP e PSD).

Finalmente, registo uma questão enigmática porque tratada superficialmente, talvez, levianamente. Foi patente, no discurso, um inusitado tom panfletário de estímulo à participação dos jovens na política:
“Façam ouvir a vossa voz. Este é o vosso tempo. Mostrem a todos que é possível viver num País mais justo e mais desenvolvido, com uma cultura cívica e política mais sadia, mais limpa, mais digna. Mostrem às outras gerações que não se acomodam nem se resignam.”
Estas questões como todos sabemos (incluindo os jovens para quem a mensagem foi dirigida) são mais profundas. Ultrapassam a vontade, a capacidade e a necessidade de participação na vida pública e não se dirimem pelo estímulo aos confrontos geracionais.
Muitos portugueses terão ficado na dúvida se este incitamento (oratório) se dirigia à anunciada manifestação da “Geração à Rasca”, marcada para o próximo sábado…[link]

sexta-feira, 4 de março de 2011

CARNAVAL 2011 na MEALHADA A FOLIA CONTINUA!...





Já sabem se querem divertirem-se à grande, comer um belo Leitão e beber um bom vinho, então tem a Mealhada com estes ingredientes.
E bom Carnaval!...

quinta-feira, 3 de março de 2011

UM DUPLO ERRO


No mercado de trabalho, a relação de poder pende favoravelmente para as entidades empregadoras. Se não fosse por outras razões, o simples facto de haver mais procura do que oferta de empregos chegaria para compreender o que se passa. A isto junta-se uma realidade económica e social que penaliza fortemente o desemprego. O desempregado sofre um estigma social enorme, perde poder de compra e vê piorar, com o passar do tempo, as probabilidades de conseguir outro emprego.

Muito embora a retórica demagógica de direita equipare o desemprego subsidiado à preguiça, a verdade é que a maior parte das pessoas nessa situação preferiria encontrar um emprego decente e dignamente remunerado a passar os seus dias a olhar para as paredes do quarto. Como quanto mais tempo se passa desempregado mais baixa é a probabilidade de se ultrapassar essa situação, com o passar dos meses - por vezes, com o passar dos anos -, o desespero e a desmotivação aumentam exponencialmente. O subsídio de desemprego pode durar, no máximo, sensivelmente três anos, mas um crédito automóvel chega facilmente aos cinco ou seis anos e um crédito habitação pode ir até aos quarenta anos. A prazo, a verdade é que as necessidades financeiras pressionam qualquer desempregado.

Há uma razão social e moral para existirem protecções como o subsídio de desemprego, o rendimento social de inserção, o salário mínimo e as cargas horárias máximas de trabalho. Sem este tipo de bases mínimas, as pressões sobre todos os que procuram emprego conduziriam a uma espiral descendente da oferta de condições pelos empregadores. Medidas como estas destinam-se a introduzir patamares de justiça e dignidade abaixo dos quais a sociedade não reconhece legitimidade moral às condições de vida proporcionadas aos seus membros.

A liderança de Pedro Passos Coelho escolheu, simbólica e sintomaticamente, começar por atacar os mais fracos. Por uma questão de justiça e de modelo social e cultural, nunca deveria ganhar a oportunidade de implementar as violentas medidas que preconiza. Neste momento, com 10% de taxa de desemprego e com muitos mais portugueses que não sabem o dia de amanhã, são pelo menos 500.000 eleitores com boas razões para não votarem PSD. O tiro de partida de Passos Coelho revela, afinal, não ser mais do que um erro social e político.