sexta-feira, 15 de outubro de 2010

TERRA QUEIMADA - POR ANTÓNIO VITORINO


Ficaremos hoje a conhecer a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2011. A qual, muito provavelmente, não conterá grandes novidades em relação ao que tem sido divulgado nas últimas semanas.dn
No caso dos países que se encontram debaixo de uma vigilância especial por parte dos mercados financeiros e das organizações internacionais, em regra, as consequências das políticas públicas são incorporadas por antecipação. Ora, as medidas que têm vindo a ser anunciadas tiveram apenas um ligeiro impacto positivo nos juros da nossa dívida pública externa. Esse impacto limitado não fica tanto a dever-se a que as medidas sejam consideradas insuficientes mas, muito mais, à incerteza que rodeia a sua aprovação pelo Parlamento.
Assim sendo, quanto mais tempo durar essa incerteza, menores serão os benefícios que tais medidas (ou, pelo menos, a sua adopção na lei do Orçamento) terão na melhoria da difícil situação financeira em que se encontra o nosso país.
Sucedem-se os apelos para que se encontre uma solução que viabilize o Orçamento do próximo ano, protagonizados pelo Presidente da República, agentes económicos, inúmeros comentadores de inspiração muito diversa, e mesmo por organizações internacionais, com especial destaque para a União Europeia.
Em Maio, quando foi possível lograr esse acordo político sobre a primeira série de medidas de austeridade, os mercados e as organizações internacionais enalteceram o caso português, por contraponto à situação que se vivia então na Espanha. Agora, em Outubro, os nossos vizinhos já lograram um acordo que garante a aprovação do seu Orçamento do Estado para o ano que vem, enquanto subsiste a incerteza sobre o desfecho no caso português. Mesmo na Irlanda, o outro país da Zona Euro especialmente visado pelo escrutínio internacional, o acordo político indispensável parece já ter sido também alcançado.
Esta envolvente externa sublinha o nosso isolamento neste momento. Claro que ninguém pode antecipar o que se passaria connosco se o Orçamento viesse a ser rejeitado e se, como tudo leva a crer, tal degenerasse numa crise política prolongada, que decerto se arrastaria por mais de seis meses. Mas uma coisa me parece certa: a moderada benevolência com que os mercados reagiram ao anúncio das grandes linhas da política de austeridade cessaria de imediato, e isso tornaria inelutável o recurso ao Fundo de Estabilização Financeira da União Europeia.
Mas mesmo esse acesso não estaria garantido em termos automáticos. Com efeito, a disponibilidade desse Fundo depende da adopção de políticas de austeridade que dificilmente poderiam ser assumidas por um Governo de gestão, numa conjuntura política em que só poderia ser devolvida a palavra ao povo para se pronunciar em meados do ano que vem. Neste ponto, até da Grécia estaríamos isolados, que sempre garantiu a viabilidade política interna das condições decorrentes do acesso aos auxílios financeiros europeus...
Se já hoje a envolvente externa limita substancialmente o perímetro da nossa margem de liberdade de decisão interna, um tal cenário reduziria praticamente a nossa capacidade de escolha autónoma e acabaria por tornar penosa senão irrelevante a próprio decisão eleitoral.
Claro que há quem tente minimizar este factor optando por preconizar um cenário de "choque e horror" como o único que permitiria adoptar as roturas necessárias para recolocar o nosso país na senda do equilíbrio das contas públicas. Essa deriva catastrofista parte do princípio de que só por imposição externa se pode inverter o curso dos acontecimentos, não existindo internamente nem a vontade nem a força política necessárias para introduzir as difíceis e dolorosas reformas que se tornam inadiáveis.
Cabe aos responsáveis políticos criarem as condições para que evitemos uma tal deriva perigosa, tanto do ponto de vista económico como do ponto de vista social e mesmo da estabilidade da própria democracia.
Numa terra queimada são necessários muitos anos para que se possa voltar a semear. E muitos mais ainda para se começar a colher os frutos.
Obs: Tenho para mim que este OE para 2011 será aprovado, mas PPCoelho fará um discurso de Estado - fúnebre para o Orçamento, para o PM e Teixeira dos Santos - e de auto-elogio, de resiliência e de elevada responsabilidade por o ter viabilizado, com muitas referências a Francisco Sá Carneiro, naturalmente. De resto, se o OE não passar, PPC arrisca-se a ganhar as eleições por uma tangente problemática que o obrigaria a governar um país na antecâmara da bancarrota. E isso também não será o desejo do PSD actualmente.
Talvez os partidos políticos devessem instituir um pacto social, político e económico em momentos de excepção, como este, em que se estabeleceria o seguinte: é urgente aprovar o OE, pois que se aprove! Mas como ele contém uma carga brutal de impostos resultante da necessidade de equilibrar as finanças públicas, logo que esses desvios estejam corrigidos e a rota do equilíbrio refeita, o Governo em funções, seja de direita seja de esquerda, comprometer-se-ia com os portugueses em baixar os ditos impostos de forma a compensar as populações que hoje pagam por uma crise de contas públicas para a qual não contribuíram directamente. Este objectivo deveria ser quantificado, público e publicitado e, logo que possível, posto em prática na economia nacional, até para restaurar a confiança e a competitividade perdidas pelos agentes económicos que hoje pagam pelos factores de produção que consomem e pelos custo de contexto um custo acima do que é pago pelos nossos mais directos competidores na economia global.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

QUE VENHA O FMI...PODE SER QUE TODOS SE CONSOLEM!...


Se cinquenta economistas subscreverem um abaixo-assinado defendendo as obras públicas é certo e sabido que aparecerão outros cinquenta defendendo-as, se aparece uma procissão de especialistas a oporem-se a aumentos de impostos aparecerá outra peregrinação a dizer o contrário. No fim pouco importa como se reduziu o défice, o importante é saber quem são os beneficiados e quais os escolhidos para serem os penalizados.

Nenhum dos economistas de serviço defende, por exemplo, a proibição ou o corte nas pensões, quase todos eles são pensionistas que acumulam pensões a que somam alguns honorários avulsos um ou outro ordenado estável. José Sócrates prefere dirigir as medias de austeridade de acordo com as suas expectativas eleitorais, por isso escolhe os grupos profissionais que mais prejudicou com as suas medidas e reformas, pouco tem a perder nos quadros superiores do Estado e por isso concentra nesses a redução do défice, corta-lhes vencimentos, aumenta-lhes os descontos e penaliza-os com um aumento do IVA. Pedro Passos Coelho fica contente com estas medidas pois apesar de pouco ainda ganha uns votos, mas não aceita um aumento do IVA e exige mais cortes na despesa, isto é, não o diz mas defende mais cortes de vencimentos ou o alargamento dos cortes a todos os funcionários.

Os banqueiros estão tranquilos, promete-se um imposto extraordinário sobre a banca mas esqueceram-se da taxa, nem sequer lhe atribuíram nome, por outras palavras é uma medida da treta que não os assusta, perceberam que consta no rol das medidas só para calar os mais idiotas. O que lhes interessa é que o défice seja reduzido, de preferência não penalizando os seus melhores clientes, como uma boa parte da Função Pública é cliente da CGD está tudo bem.

A verdade é que no debate a que estou assistindo pouco importam os portugueses, seja funcionários públicos ou trabalhadores do sector privado, sejam trabalhadores no activo sejam pensionistas, sejam nacionais ou emigrantes, sejam pobre ou ricos, cada interveniente no debate defende os seus interesses, as boas medidas são as que dão menos prejuízos ou mais lucros em voto, as que melhorem o acesso da banca ao financiamento ou as que não atinjam os rendimentos de abutres sem escrúpulos que em Portugal são designados por comentadores televisivos, uns rapazes que arranjaram forma de os seus honorários nas televisões e jornais pagarem apenas 50% do IRS devido.

Portanto, considero-me mais defendido por peritos estrangeiros que nada tenham que ver com votos ou com interesses pessoais da imensa burguesia política que gere este país do que com os oportunistas que por cá andam. Dizem-me que se vier o FMI será mais duro, talvez seja verdade mas certamente não o será para os que estão pagando a crise sozinhos. Mas tenho a certeza de que os peritos do MI serão mais independentes, rigorosos e honestos do que os nossos partidos, além disso tenho a certeza de que para o ano o espectáculo não se repete e que os esforço que os portugueses terão de fazer não resulta de jogos eleitorais.

Por tudo isto que venha o FMI, deixamos de aturar os Medinas, os Salgueiros, os Teixeiras e outros, os dirigentes partidários comem e calam deixando-se de jogos eleitorais feitos à custa dos outros, ficaremos a saber todos os podres económicos que ainda estão escondidos e ficamos certos de que os problemas serão resolvidos.

Não é por acaso que ao contrário do que é costume, serem os pobres a recear a vinda do FMI, desta vez são os mais ricos e a burguesia instalada que tem esse receio. De resto as medidas já anunciadas e as exigidas são bem piores do que qualquer acordo com o FMI a que Portugal se sujeitou no passado.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O REGRESSO DOS PEXISTOTÉMICOS


O remastigado e dramático Orçamento para 2011 vai ser entregue na AR, mas ainda não foi. Ou seja, verdadeiramente, ainda nem existe.Talvez , por isso, o pexistotémico Crespo, deslizando reptileanamente com sua voz untuosa e o seu sorriso melífluo, rumo ao pexistotémico Duque, uma das novas sumidades laranja, perguntou defimitivo e solene:O que pensais, do alto de vossa imenssíssima clarividência, ó preclaro oráculo das moedas e dos números sobre o próximo Orçamento?
O sábio pexistotémico Duque teve a leve sombra de uma hesitação, em dar uma opinião sobre algo que não existia. Mas qual novo Albuquerque do século XXI, desembainhou a sua coragem e avançou decidido. Reunindo todas as pulsões de adivinhação que ferozmente já o possuíam, olhou para dentro da sua vasta sabedoria e trovejou profunda e gravemente :" É mau !".


Crespo, aliviado, deixou escorrer pelo rosto um sorriso concupisciente de quem já sabia. Duque instalou-se confortavelmente na sua douta e definitiva opinião.Ronronaram-se mutuamente alguns lugares comuns e fulminaram com o seu juízo sólido e arguto um Orçamento que ainda não existe.


Se um verdadeiro cientista os analisasse, como exemplares raros e ousados de uma zoologia futura, só poderia concluir com objectividade que : os pexistotémicos, mais cedo ou mais tarde, acabam sempre por pexistotemizar.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

OS PASSOS QUE PASSOS NOS FAZ PASSAR...


Se fizermos as contas á evolução das taxas de juro da dívida soberana paga pelos portugueses e à evolução da intenção de voto no PSD chegamos à conclusão que por cada 1% de meras intenções de votos que Passos Coelho consegue nas sondagens o país paga mais 0,5 de juros pela dívida soberana. É este o preço da estratégia de um Passos Coelho que atribui mais importância à sua franja do que à economia do país.

O problema é que a este ritmo o país estará na bancarrota muito antes de o PSD poder arriscar-se a ir a votos. Passos Coelho quer que as dificuldades financeiras consigam o que os seus argumentos não conseguem, quer que uma crise financeira iluda a ausência de projecto, que uma crise política o poupe a debater o seu projecto de revisão constitucional.

Passos Coelho diz-se responsável mas não está nada preocupado com a credibilidade internacional do país, diz que não quer aumentos de impostos mas sabe que a sua estratégia visa o regresso do FMI e aumentos de impostos muito superiores do que os que agora rejeita, diz que não concorda com as medidas mas não tem coragem para fazer propostas. A imagem que Pedro Passos Coelho dá de si próprio não o favorece nada, é um político pouco escrupuloso ou, pior ainda, que faz o que gente escrupulosa lhe manda fazer, é um político que está mais preocupado com as sondagens do seu partido do que com os indicadores económicos do país, é um político sem ideias e sem projecto e é um líder sem coragem para apresentar propostas.

Passos Coelho teria autoridade se às propostas do governo contrapusesse as suas, se primeiro discutisse e negociasse e só depois lançasse a crise, se tivesse em considera os interesses do país na forma como usa uma situação em que o governo não conta com uma maioria parlamentar para lançar uma crise política. Como explicará Pedro Passos Coelho uma crise política da sua autoria num momento em que os mercados pressionam e não há soluções constitucionais, se enquanto Cavaco poderia ter dissolvido o parlamento nunca teve a coragem política de apresentar uma moção de censura.

Passos Coelho não tem coragem para enfrentar Sócrates em eleições, que viu os debates nas directas do PSD e os das legislativas sabe que o líder do PSD não tem nem inteligência nem conhecimentos para enfrentar o primeiro-ministro. Por isso nunca quererá eleições legislativas a anão ser que conte com uma grande vantagem nas sondagens. Como percebeu que nunca conseguirá essa vantagem usa a crise financeira para fazer chantagem sobre o país.

Resta saber quanto vai pagar o país em juros da dívida soberana pela falta de dimensão do líder do PSD, para já custa pelo menos 1%.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

MEALHADA: UMA NOVA AMBIÇÃO



Hoje venho aqui só para dizer isto aos socialistas da Mealhada:


Não é que a lista A às eleições da federação de Aveiro, encabeçada pelo Fernando Mendonça o senhor que perdeu as eleições autárquicas em Estarreja, daí não bem não bem mal nenhum ao mundo o que me custa ver é todo o sistema lá metido, o Candal , o José Mota( Governador Civil de Aveiro depois de Perder câmara) Acides Branco, Helena Terra (Directora do centro regional de segurança social de Aveiro ) e isto aplica-se a quase todos os que perderam .Como quem diz perdemos mas não morremos, claro que não, quem pode morrer somos nós, vocês todos tem tacho, se não for tacho é panela.


Mas a grande surpresa minha foi ver o dono da Fundação Buçaco também lá metido e em quarto lugar, o único da Mealhada e para uma concelhia como a Mealhada que é nem mais nem menos que a maior do distrito de Aveiro parece mal Franco! Ter poder por poder, é uma vergonha…


Espero que os socialistas ponderem bem e no dia 8 sexta-feira escolham o Pedro Nuno Santos.


Aos 33 anos, o presidente da comissão concelhia de S. João da Madeira pretende ser líder distrital do PS.


O ex-deputado quer “romper” com a gestão de Afonso Candal.


Aveiro tem políticos bem colocados?


Nos últimos anos Aveiro não tem produzido políticos de âmbito nacional. Nem o PS nem o PSD. E temos perdido com isso. Precisamos de políticos aveirenses com ambição. Ao contrário da população e do sector privado, não temos estado à altura. Os principais partidos em Aveiro não conseguiram afirmar um político de âmbito nacional, como já tivemos no passado, como Carlos Candal. Não temos figuras políticas que se consigam projectar no palco nacional.



A que se deve isso?


À falta de ambição. É uma visão paroquial achar que a política nacional é uma coisa de Lisboa feita em Lisboa e que nós tratamos das nossas estradinhas. Mas não são coisas separáveis. É bom que os políticos do distrito sejam capazes de intervir ao nível da política nacional.


Uma resposta que interessa a todos e aqui na Mealhada e muito não é PSD?


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

RABOS DE PALHA!...?


Corrupção? É claro que sabemos o que é. Não há como não saber. Afinal, vemo-la todos os dias ao sairmos de casa e olharmos para as viaturas topo de gama e de alta cilindrada, impossibilitadas de se explorar na sua potência máxima pelo trânsito congestionado ou pelos buracos que superabundam nas estradas das cidades.

A corrupção está, ainda, nas fendas abertas em vias ainda agora reabilitadas, nas demolições forçadas de residências, nas obras malfeitas e nas que nunca terminam, na escola degradada em que estuda o nosso filho, nas insuficiências que ele apresenta, enfim, naquele enorme hospital, todavia desprovido de quase tudo, desde competência humana a um fármaco sequer.

Vemo-la, a corrupção, uniformizada de azul ou, mesmo, envergando uma farda camuflada mas que deixa, de longe, sobressair patentes reluzentes que pesam mais do que a honra e a dignidade nos ombros de quem as ostente; nas gravatas de seda, que se destacam sobre um colarinho branco de algodão puro, ela também lá está, assim como a vemos nas mãos levantadas no Parlamento ou nas páginas das revistas cor-de-rosa, onde os protagonistas dos factos aí relatados exibem um sorriso digno de fazer inveja a qualquer publicidade da Colgate. Mas está, também, presente na mão estendida e nos andrajosos do mendigo que nos acena por ajuda, logo na primeira oportunidade.

É claro que sabemos o que é a corrupção. Não apenas sabemos, como ainda a sentimos. É, por isso, escusado que venha o Presidente da República lembrar-nos que ela existe e nas dimensões catastróficas que assumiu neste país. Não é disso que precisamos!

Na verdade, precisamos de Eduardo dos Santos muito. Na sua qualidade de líder desta viação seria bom ouvirmos medidas concretas, respostas aos dilemas que nos colocamos enquanto cidadãos, todos os dias relacionados com a problemática da corrupção.

Como combatê-la? Será colocando todos os corruptos na cadeia? Temos, entre nós, a certeza de que o caminho não é por aí. Afinal, se assim tentássemos, uma grande parte do Governo estaria a compor, agora, a maioria da população carcerária em Viana. É possível combatê-la quando sabemos que todo o mundo tem telhados de vidro? Haverá, de facto, coragem suficiente para se atear fogo sobre o vizinho, perante o nosso gigantesco rabo-de-palha?

São estas respostas que esperamos ouvir do Chefe de Estado, da próxima vez que falar sobre a corrupção em Angola. Afinal, não basta prometer tolerância zero, ou pronunciar-se a respeito na proximidade de um evento fulcral para a sua segurança política. Ou seja, não precisamos de esperar pelos congressos do maioritário para descobrir que a corrupção existe no país.

Em definitivo, precisamos, isso sim, de instituições que funcionem com independência suficiente do poder político, para fazer valer a lei; para que, num dia qualquer, possamos entender a razão pela qual gente sem antepassados ricos, nem antecedentes empresariais, se tornou, do dia para a noite, milionária ao ponto de deambular pela Europa, dando-se ao luxo de comprar até empresas falidas ou mesmo coisas de luxo... À grande e à angolana! Providência divina, senhores, já sabemos que não foi. Disso temos a alguma certeza!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

ESTÁ QUASE!...


Nada como um aperto orçamental para perceber o que faz correr as diversas forças políticas e entender as pressões de outras organizações que, embora inexistentes do ponto de vista formal, têm o poder de influenciar a percepção geral sobre os acontecimentos, condicionando, assim, as suas escolhas. Para a maioria delas, pouco importam as causas e as consequências de uma realidade que aproveitam como álibi para tornarem públicos argumentos que, noutras condições, teriam o cuidado de não expressarem com a mesma clareza. Mais do que nunca, joga-se no campo da retórica, do fomento de medos e de ódios sociais.

Assim, o PS tenta aparecer como paladino do Estado social. Um Estado social vendido a retalho através de privatizações ao desbarato e com prestações sociais que reduziu quando mais eram necessárias, de comum acordo com um PSD defensor de uma redução de impostos que, na mesma ocasião, no mesmo assomo de responsabilidade patriótica, acordou aumentar com o primeiro. E ambos estiveram de acordo com o eterno apêndice CDS em abrirem caminho à colocação dos emigrantes portugueses em França como o alvo que se segue da xenofobia que sempre aparece em momentos de crise. Todos diferentes, mas todos iguais.

Em França, os ciganos. Em Portugal, trabalhadores, especialmente do sector público, pesam nas contas de um país que se dá ao luxo de desbaratar milhares de milhões em impostos sobre transacções com off-shores, onde uma micro-empresa paga proporcionalmente mais em impostos do que um banco e onde o subsídio de Natal dos funcionários públicos pesa mais nas contas públicas do que o lamaçal de parcerias público-privadas desenhadas à medida do enriquecimento das clientelas do poder. E o FMI aqui tão perto. A ameaça surgiu do nada. A imprensa nacional descobriu-a num dia em que em jornal de mais país nenhum se falou do assunto. Em breve, o FMI aterrará na Portela se não se cortarem rapidamente mais nos salários e nos direitos de quem trabalha num dos países que pior remunera o factor trabalho e onde a precariedade laboral é mais sentida. De nada serviram as experiências irlandesa, grega, húngara e romena, onde se aplicaram receitas infalíveis que agravaram uma crise que já era grande apenas porque os cortes não foram ainda mais duros. Uma patranha repetida mil vezes rapidamente se transforma numa inevitabilidade com aceitação quase geral. A mensagem oficial é bem clara: preparem-se, está quase, vêm aí mais sacrifícios. Nada mais legítimo numa democracia onde a maioria vem reconduzindo no poder quem tão bem os representa.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

DEMISSÃO MISTERIOSA...


Com a devida vénia, transcrevo do site do DN de hoje o seguinte texto:


" O embaixador de Portugal na UNESCO confirmou que foi "demitido" do cargo, recusando comentar uma decisão de que tomou conhecimento "pela notícia da agência Lusa".
"Soube da demissão pela notícia da Lusa", declarou o actual embaixador português na agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, com sede em Paris.
Questionado sobre se a demissão resultou da entrevista de fundo publicada no sábado pelo semanário Expresso, Manuel Maria Carrilho afirmou que "as evidências não precisam de resposta".
Manuel Maria Carrilho é autor de um novo livro de análise da situação de Portugal, que a editora Sextante colocou hoje nas livrarias portuguesas.
Um comunicado da Sextante distribuído hoje anunciava que "Manuel Maria Carrilho acaba de ser demitido das suas funções como embaixador de Portugal na UNESCO, devido à publicação do livro E AGORA? Por uma nova República".
"Neste livro, o autor analisa a situação económica, social e política portuguesa e avança com diversas propostas, defendendo uma visão do país e do seu futuro centrada na urgente qualificação do território, das instituições e das pessoas que lance as bases de uma Nova República", acrescentava o comunicado da Sextante.
Fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros disse hoje à Lusa que a saída de Manuel Maria Carrilho da UNESCO se enquadra numa rotação de diplomatas em diversas capitais.
O ex-ministro da Cultura foi nomeado embaixador junto da UNESCO em Abril de 2008 e será agora substituído por Luís Filipe Castro Mendes, até agora a chefiar a embaixada portuguesa em Nova Deli."

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A atitude seráfica do Ministério dos Negócios Estrangeiros deixa-me a pulga atrás da orelha. São demasiadas coincidências e uma demissão demasiado expeditiva para que me não cheire a esturro.


Muitas vezes não concordei com Manuel Maria Carrilho em posições que tomou, mas nem pela cabeça me passa que alguém nas instâncias do poder socialista possa considerar descartável o contributo político, ideológico e cultural da MMCarrilho.


Querem continuar a desencorajar a criatividade dentro do PS? Querem ir confinando cada vez mais o partido a um orfeão de previsibilidades ?


Se não querem, expliquem muito bem o que aconteceu...
Rui Namorado

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A MAIOR DE TODAS AS URGÊNCIAS...



É urgente... é imperioso... é assustador... é real!
No mundo há 925 milhões de pessoas com fome e 210 milhões de desempregados!...
Há dias, em Oslo, na conferência internacional que, pela primeira vez, conjuntamente, FMI e OIT (respectivamente, Fundo Monetário Internacional e Organização Internacional do Trabalho), foi o próprio Presidente do FMI quem disse ser calamitosa a situação internacional do mundo laboral e anunciou que é necessário criar, nos próximos 10 anos, 440 milhões de empregos!
... por cá, no nosso país, para além das instituições de solidariedade social de que é exemplo a Caritas assegurarem que a situação de apoio social a pessoas e famílias carenciadas se está a tornar uma tarefa cada vez mais difícil e incompleta pelo constante acréscimo da procura e a não proporcionalidade dos meio disponíveis para lhe responder, é o próprio Presidente do Instituto da Segurança Social e Coordenador do Ano Europeu Contra a Pobreza, Edmundo Martinho, quem afirma que a luta contra a pobreza em Portugal não tem surtido o efeito desejado por não atender "(...) àquilo que é a dimensão da construção familiar(...)" (in DN de 12-09-2010). De facto, a incapacidade de sucesso do combate à pobreza decorre da complexidade do fenómeno que requer uma dupla intervenção: por um lado, persistir e reforçar os meios assistencialistas disponíveis (que são manifestamente insuficientes apesar do que proclamam os arautos das fiscalizações, das penalizações e outras estratégias menores e eticamente medíocres de combate à dívida pública) e, por outro lado, desenvolver medidas direccionadas para as causas estruturais da reprodução da pobreza e para a inversão das dinâmicas sociais que acentuam o fenómeno (desemprego, inércia social, formação profissional desadequada e por aí adiante...)...

O que deve fazer uma SANTA CASA DE MISERICÓRDIA, como a da MEALHADA:

1- Dar de comer a quem tem fome
2- Dar de beber a quem tem sede
3- Vestir os nus
4- Acolher os errantes
5- Visitar os doentes
6- Remir os cativos
7- Enterrar os mortos
Estas são as obras das misericórdias ditas do corporais, as espirituais são:
1- Dar um bom conselho a quem o pede
2- Ensinar os ignorantes
3- Corrigir os que erram
4- Consolar os que estão tristes
5- Perdoar as injúrias
6- suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo

A S. C. M. DA Mealhada alguma vez fez isto?