1. Ao contrário do que insistentemente diz o PSD, a iniciativa para a aquisição de três submarinos não coube a um governo de Guterres, mas ao último governo de Cavaco Silva, mesmo ao cair do pano, através de despacho conjunto [referido aqui], assinado a 12 de Setembro de 1995 por Figueiredo Lopes, ministro da Defesa, e por Mira Amaral, ministro da Indústria e Energia.
2. Não faz sentido imputar apenas a Paulo Portas a responsabilidade pelo dossiê dos submarinos, como sibilinamente tem procurado fazer o PSD e, em particular, Durão Barroso. A decisão de aquisição dos dois submarinos foi tomada num conselho de ministros realizado em 6 de Novembro de 2003, presidido por Durão Barroso.
3. Analisar, na hora actual, o dossiê dos submarinos não é sinónimo de utilizar em proveito próprio os métodos abjectos da brigada do reumático (Saraiva, Crespo, Guedes, Fernandes, Pacheco, etc.). O que está em causa não é descobrir se ocorreram actos de corrupção (que a justiça apurará), mas fazer a avaliação da gestão dos dinheiros públicos.
E para levar a bom porto essa avaliação, a questão não está em saber se o país precisa de submarinos, mas em esclarecer se os procedimentos adoptados foram os mais adequados para quem gere dinheiros públicos.
O país especializou-se de tal forma em discutir as supostas “falhas de carácter” que esgotado o tema sente-se um vazio no debate político, estamos em crise mas ninguém discute a crise, o TGV já nem suscita a mais pequena discussão, o novo aeroporto é tema do passado, o estatuto dos professores já não alimenta paixões. Que venha o Verão, o mundial de futebol e , se Deus quiser, um Benfica campeão.
Há uns anos atrás alguém se lembrou de dizer que o facto de o Benfica ser campeão teria um impacto positivo na economia, mas agora nem isso anima o debate, estamos convencidos de que a crise veio para ficar independentemente de quem ganhar o campeonato.
O país cansou-se, os magistrados cansaram-se, os directores dos jornais estão exaustos, Pacheco Pereira já nem aborda temas políticos no Público, o próprio Cavaco Silva parece estar em regime de pré-férias e não manifesta as suas habituais preocupações, até os seus assessores parecem ter desaparecido depois de terem metido os pés pelas mãos no hilariante caso das escutas a Belém.
O ‘Público’ ainda tentou animar o ambiente com as casas da Covilhã mas foi o que se viu, ninguém ligou ao tema. As pessoas estão fartas de jornais, da família Moniz, de magistrados, de assessores presidenciais, das lutas internas no PSD, das preocupações do Cavaco Silva, do penteado da Felícia Cabrita, da localização do aeroporto, do diploma de José Sócrates, das tentativas de vendas da TVI, do Medina Carreira, do João Cravinho, do caso Freeport, dos robalos do Godinho, da imaginação do procurador do Baixo Vouga.
A única coisa que conseguiram foi levar os portugueses a estarem fartos de falsos debate, de discutir falsos problemas, o vazio instalou-se, os ‘Prós e Contras’ são uma maçada, as grandes entrevistas da Judite a democratização das conversas em família, a ‘Quadratura do Círculo’ uma seca. Os comentadores estão a perder o interesse, quando vejo a Joana Amaral Dias confiro se mudou de penteado e faço zapping.
Sente-se um imenso vazio no país, um vazio de ideia, um vazio de debates sérios, um vazio de alternativas. Já ninguém se lembra de que Alegre é pré-candidato, já ninguém sabe de quem é a TVI, já ninguém espera que o Caso Freeport seja concluído antes das próximas legislativas, já ninguém se preocupa em conhecer todos os gatunos do BPN, já ninguém está interessado em saber qual vai ser o próximo discurso de Rangel no Parlamento Europeu, ninguém quer saber se a Manuela Ferreira Leite vai regressar ao Santander.
Basta-nos esperar semana a semana como se vai safar o Benfica, depois de amanhã será o Liverpoll, depois vem o Sporting que já desistiu do Vilas Boas que, pelo que parece, vai para o FC Porto.
JCN está desolado porque sabe que um povo que duvida da virtude dos padres descrê da omnipotência do seu deus; porque sente que os pecados pios afastam o rebanho do redil da sua Igreja; porque sente que as hormonas do clero criaram um mar de lama que suja as sotainas, mancha as mitras e a tiara.
O bem-aventurado esquece os pecados dos bispos e papas sem se dar conta que o mais grave não são os actos que os tribunais julgam mas o sofrimento das crianças e o crime de ocultação que os prelados cometeram e que, segundo a BBC, atinge os três últimos papas.
Desnorteado, acusa a comunicação social:
1 – «Parecendo combater a pedofilia, visa-se a promoção do aborto, eutanásia, divórcio, promiscuidade», obsessões que traz à colação em cada homilia;
2 – «A prática é tradicional. Assim se criou há séculos o mito da Igreja sanguinária nas cruzadas e Inquisição», como se tivessem sido inventadas para a denegrir;
3 – «Os processos [da Inquisição] foram rigorosos e transparentes, as condenações uma ínfima minoria dos casos julgados e pouquíssimas face às execuções civis…», como se a literatura sobre o assunto fizesse parte da conspiração judaica e do ódio jacobino»;
4 – Esqueceu-se de falar da evangelização e dos pogroms mas a um santo não se pode exigir tanto;
5 – A penúltima frase é lapidar: «Como Nero, os jornais hoje querem convencer-nos que os padres comem criancinhas».
Só de um bem-aventurado, com odor a santidade, podia ter saído o verbo «comer» para exonerar a responsabilidade dos funcionários do seu deus.
Pantera cor-de-rosa: uma alegoria à vida interna do PSD
...A grande questão está em saber se Pedro Passos Coelho consegue inverter a tendência.
Pedro Passos Coelho e o (s) futuro (s)...
Pedro Passos Coelho (PPC) tem presença, articula com facilidade, tem telegenia e passa bem em televisão e, portanto, concentra características pessoais e psico-políticas essenciais a um político moderno - que Sócrates também reúne - e que a pobre senhora Ferreira leite não tem. Isto, à priori, é uma mais-valia para o PSD e uma desvantagem para o PS e para o PM. Que agora tem alguém no PSD mais incisivo e não uma líder faz-de-conta sem capacidade de planificação política nem capacidade para comunicar uma única ideia ao país. O problema de PPC é outro, que, em certo sentido, também se coloca a Sócrates e remete para a definição do modelo de desenvolvimento socioeconómico do país. Desta feita, PPC, assim como Sócrates, têm que se preocupar com as estratégias de desenvolvimento do país, seleccionar as medidas correctivas para eliminar os desvios micro e macroeconómicos, não governar em função da instabilidade do eleitorado e, por fim, aproveitar os recursos disponíveis do Estado e redistribui-los pelos portugueses com equidade e justiça social, será isso que fará dos dirigentes políticos homens de Estado. Ou seja, cada um à sua maneira, um no poder e outro na oposição, podem agora rivalizar e aprender um com o outro na arte e técnica da governação, e ambos terão que se preocupar com a orientação estratégica, o campo de possibilidades políticas, as suas correcções, os níveis de satisfação do povo, alimentar as suas expectativas e necessidades. Tudo para, no final, atingir um modelo de sustentabilidade de sociedade, que é o que Portugal hoje não tem, daí a desesperança. Diria, para concluir, que temos hoje dois homens à procura do poder em Portugal: Sócrates já o tem e quer mantê-lo; PPC tem o poder interno do partido mas ainda não ganhou a sociedade e o país. Mas esta competição saudável trará frutos aos portugueses, e se eles não vieram mais cedo deve-se ao adiar patológico de Ferreira leite que tem uma concepção anormal e incapacitante do poder e, por isso, deu uma péssima imagem não só do PSD nestes últimos dois anos no país, como apoucou a condição feminina acerca dos que as mulheres conseguem ou não fazer na esfera política. PPC está, pois, confrontado com dois futuros: consolidar o poder no partido e ganhar o país. Terá um semestre para gerar uma dinâmica de vitória e mostrar o que vale na sociedade, depois disso, se não se conseguir impor, suceder-lhe-á o mesmo que sucedeu a Luís Filipe Meneses, Marques Mendes e a outros líderes do psd que foram literalmente abatidos internamente quando se percebeu que não atingiam o cadeirão de S. Bento. E é o que sucederá ao PS quando um dia Sócrates se reformar - ou for compulsivamente reformado. A política, como a lei do tempo, tem esse efeito de erosão: concede vida e energia, mas depois dá-nos um tiro na nuca.
Foi Henry Kissinger que inventou a política dos pequenos passos, a propósito do conflito israelo-árabe. Perante tamanho problema, não se podia querer resolver tudo de uma vez; assim, tinha-se que ir resolvendo uma coisa aqui, outra acolá, até que, um dia, se haveria de chegar à Resolução Final.
Não resultou, claro.
O PSD também tem adoptado a política dos pequenos passos e, embora o novo líder, Passos, seja alto, de apelido não passa de um coelho. Um pequeno roedor, portanto.
E os pequenos passos do PSD são: Santana Lopes, de 2004 a 2005, Marques Mendes, de 2005 a 2007, Luis Filipe Menezes, de 2007 a 2008 e Manuela Ferreira Leite, de 2008 a 2010. E, agora, Passos.
De pequeno passo em pequeno passo, até que Cristo desça à Terra, e traga Marcelo Rebelo de Sousa envolto em nevoeiro, ou Sá Carneiro ressuscite.
Para a semana, a comissão parlamentar de inquérito ao caso PT/TVI inicia os seus trabalhos. Sendo conhecidas as declarações dos principais intervenientes (de Granadeiro a Bava, de Vasconcelos a Bairrão), não é complicado antecipar as conclusões do “inquérito”. Mas a questão não é tanto essa.
O que é extraordinário é a oposição (incluindo o Presidente da República) não entender que um primeiro-ministro — independentemente do que possa conhecer de forma indirecta — tem a obrigação política de dizer que não conhece negócios privados enquanto eles decorrem, mais a mais se estiverem em causa empresas cotadas na bolsa. Por definição, o discurso da política não pode ter a natureza de uma conversa à mesa do café. A isto se chama sentido de Estado.
Mas ainda mais extraordinário é que as carpideiras do regime se mostrem agora tão incomodadas com a “mentira” e não tenham reagido quando tomaram conhecimento de que Durão Barroso mentiu à Assembleia da República, ao dizer que havia visto as provas da existência de armas de destruição massiva no Iraque. Então, Durão Barroso não apenas mentiu como rompeu o consenso entre os partidos portugueses no âmbito da política externa — e quando estavam em causa assuntos de vida e de morte.
Continuamos a ver “O Sol” por uma peneira e ninguém é colocado a ver o Sol aos quadradinhos.
Isto é um jornalismo de levanta lebres e mata processos sem o mínimo de consequências que não seja a de vender papel.
Confunde-se liberdade de informação com arruaça e desrespeito da vida pública e privada de quem quer que seja. Nenhum jornalista levou qualquer caso até às ultimas consequencias de modo a demonstrar que os, putativos, corruptos o eram, efectivamente. Em português vernaculo é o que se pode chamar de "jornalismo de merda".
Os visados deveriam constituir-se em associação para processar, por difamação e por outras razões fundamentantes para litigar exigindo a reposição do bom nome dos ofendidos e exemplares indemnizações aos difamados.
Mesmo em criança Hásempre um interesse por trás de um sorriso.
Quando sorrimos é porque queremos algo, seja o leite para a alimentação, seja num brinquedo que vimos algures. Na fase adulta é pior. Ninguém sorri de graça. Por trás do sorriso há um pedido de desculpas ou um pedido para se fazer algo, seja sexo, seja para ver TV, seja tomar um copo, jogar à bola ou um arranjo diferente para o que se faz dia a dia.
É uma merda mesmo. O ser humano nunca é sincero ou verdadeiro por completo. Há sempre uma intenção oculta. Pelo menos é o que eu penso e vejo que acontece frequentemente. Somos todos uns interesseiros por detrás do sorriso
Somos todos uns interesseiros por detrás do sorriso.