sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

BVM: VENCEU O MÉRITO, O TRABALHO COM HUMILDADE, QUANTO NÃO VALE A HUMILDADE...


Mais uma vez os sócios dos Bombeiros Voluntários da Mealhada deram força ao seu voto e souberam escolher entre a vaidade e o trabalho…
Estes sócios mais não foram do que um povo humilde que quis escolher o trabalho de alguém conhecem bem pelo esforço e humildade, a um projecto a que eles viram como arrogante e instabilidade.
Pelo meu lado, melhor, na minha opinião estes sócios só deram prova de conhecerem bem a realidade dos bombeiros da Mealhada, e com isso deram confiança à equipa liderada por Abílio Semedo.
Mostraram que apreciaram o seu trabalho, e que não gostam de aventuras com “estranhos”.
Os bombeiros são uma instituição de grande responsabilidade para ser confundida com guerrilhas politicas, antes pelo contrário a politica não é precisa, é preciso humanismo e força para lutar, por isso são os soldados da paz.
De tudo que disseram no post anterior nada tenho a acrescentar, só e apenas dizer que estou satisfeito pelos resultados: lista A – 71,67, lista B – 28,10 e votaram 420 sócios.

Parabéns à lista A!
Agora tudo o que ainda não foi conseguido o seja, porque em instituições com esta o trabalho nunca está concluído, é preciso sempre lutar por mais e melhor.

Nota: o comentador anónimo dos post anterior, que fala de com não fosse mas é o visado do post, digo-lhe que tenho muitos espelhos e todos os dias me olho e reflicto, e nada me arrependo da minha vida tanto a nível pessoal como profissional.
Vida publica não tenho, mais, meu caro estou bem vivo de consciência tranquila.
O EGO ESTÁ MUITO MAU, MAS NADA QUE NAS SUAS FARMÁCIAS NÃO SE ARRANJE PARA COMPOR A AUTO-ESTIMA...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

BVM ELEIÇÕES: JOÃO PIRES O CANDIDATO...



Porque será?


É uma pergunta que faço para mim!


Isto a propósito das eleições para os bombeiros voluntários da Mealhada.


Há três anos atrás esta corporação viveu momentos muito controversos: ficou sem comandante, sem direcção, em suma tornou-se um caos a corporação, bem como ser bombeiro.


Aí apareceu Abílio Semedo, que ao momento ficou conhecido como “Abílio sem medo”, pois a situação era muito complexa, foi preciso quase do zero, arranjar um comandante, travar demissões de vários bombeiros, resumindo, “limpar e reorganizar toda a casa”.


Abílio Semedo conseguiu! Construiu uma equipa uma boa equipa, trouxe quem tinha ido, serenou toda a comunidade, conseguiu um bom comandante com curso para tal funções. Hoje temos os bombeiros da Mealhada com dinamismo e com força para servir a comunidade.


Por isso pergunto como muitos mealhadenses, se perguntarão, se os bombeiros estão bem, o seu presidente em conjunto com os seus pares fizeram um bom trabalho em prol da comunidade, então o porquê de o Dr. João Pires lutar pela presidência?


O senhor em causa até não reside no concelho da Mealhada, nunca foi bombeiro, e quando foi vereador do PSD na câmara municipal da Mealhada esteve mais tempo ausente do que presente, na defesa dos seus eleitores.


Agora, isto na minha perspectiva, vem ver se consegue destabilizar os bombeiros, porquê?


Será uma questão de vaidade pessoal?


Será que este senhor quando tudo está bem e já não dá muito trabalho, ele aparece para destabilizar?


Estas são as perguntas que me ocorrem, porque não entendo a sua candidatura BVM , até porque não lhe vejo nenhuma relação, nem historial nos bombeiros da Mealhada, será uma questão politica ? Ou de vaidade pessoal?


Penso que os sócios dos Bombeiros Voluntários da Mealhada lhe saberão dar a resposta adequada…


Nota: depois do império das farmácias, restauração, agora será mais uma aventura pelos bombeiros só para satisfazer o seu ego…



domingo, 10 de janeiro de 2010

DN: MARIA DE JOSÉ MORGADO...




Um dos rostos mais conhecidos no combate à corrupção em Portugal, e, quando é necessário um protagonista para esta bandeira, o seu nome surge no topo da lista. Durante uma hora de conversa com o DN, irrita-se com a repetição de algumas perguntas e nega-se a comentar os casos doutros magistrados. Mas não tem papas na língua.

Para quem vem do MRPP, houve um grande desvio de direita ao entrar para a Polícia Judiciária e Ministério Público?

O MRPP é uma coisa remota na minha vida, que tem mais de 30 anos. Mas o MRPP era o sonho de uma sociedade melhor, com igualdade, justiça e liberdade. Portanto, não concordo com essa acusação de "desvio", bem pelo contrário, esse passado até me dá uma propensão para a luta pela justiça.

O actual líder do MRPP, Garcia Pereira, diz que o Ministério Público é um Estado dentro do Estado e que ninguém o contraria. Revê-se nisto?

É a opinião dele. O meu Ministério Público (MP) é humilde, servidor e combatente dos interesses colectivos, porque é a nossa obrigação e pelo que lutamos. Se há desvios da parte da alguém, são questões pontuais, porque o MP é um órgão que representa os interesses do Estado na perseguição e punição do crime. É a minha visão do Ministério Público, do que gosto, sirvo e quero continuar a fazer.

Estão longe os tempos do MRPP?

Éramos um grupo de pessoas muito radicalizadas, porventura, num contexto histórico completamente diferente do actual. Mas tinha jovens generosos que lutavam por uma sociedade melhor. Era o que nos unia e os objectivos principais.

Alguns desses maoístas também tiveram "desvios de direita". Durão Barroso, por exemplo, acaba no PSD e como presidente da Comissão Europeia. Ou Pacheco Pereira…

Pacheco Pereira nunca foi do MRPP.

Mas era maoísta!

Maoísta, mas de outro grupúsculo. Aliás, os maoístas são bem retratados num filme do Godard (La Chinoise), em termos caricaturais, através daquele maoísta fanático incapaz da analisar criticamente a realidade e ser casmurro. Era uma geração, cultural, mas depois as pessoas seguiram cada um o seu caminho.

Partilha da opinião de Godard?

Era assim. Éramos criaturas um bocado ridículas, e ainda bem que nunca tivemos poder algum.

No caso de Pacheco Pereira, volta a cruzar-se com ele agora, depois de ter proposto a comissão contra a corrupção no Parlamento. Irá ter um papel efectivo nesse combate?

Sou magistrada e não tenho o hábito de me intrometer em questões políticas, nem quero fazê-lo directa ou indirectamente. A minha matriz no combate à corrupção é a convenção da ONU contra a corrupção. Neste momento, creio que anda toda a gente com o termómetro na mão a achar que o doente está com muita febre e é preciso baixá-la. Só que, na corrupção, temos de passar do discurso e da análise meramente eufemística para medidas efectivas de ataque.

E o papel do Ministério Público?

Essa é que é a grande questão, qual é o papel do MP e das polícias? Até agora, as medidas de política criminal de combate à corrupção têm 15 a 20 anos de atraso. Estamos habituados neste combate a comer o pão que o diabo amassou porque o combate à corrupção não é uma mera questão de quadro legal, embora também seja importante.

Esta comissão poderá acelerar o encontro de novas medidas?

É bom que haja no poder político gente preocupada com o combate à corrupção porque ele é multifacetado - a frente da justiça é a última e subsidiária das outras - e temos de passar das palavras aos actos nas decisões políticas. Não só em termos de quadro legal, mas na atribuição de instrumentos legais e recursos aos magistrados que possibilitem mais recursos tecnológicos no combate à corrupção.

Pode especificar o que é preciso?

Medidas de tecnologia e meios de actuação porque, enquanto o poder político e executivo não decidir investir, temos de trabalhar com esta realidade em vez de fomentar formas racionais de organizar investigação criminal face à criminalidade nova e altamente organizada.

A comissão vai concorrer com o MP?

Uma nada tem a ver com a outra!

Mesmo com tantas propostas?

Precisamos muito de medidas efectivas porque a corrupção, o meio em que se insere e os fenómenos associados causam um grande dano social. E, como se tem visto, origina sentimentos de impunidade muito grandes. Não podemos estar em Portugal como na América Latina, onde há, ao nível da política criminal de combate à corrupção, um sentimento de impunidade generalizado em relação aos poderosos e aos titulares de cargos políticos.

Essa situação de impunidade não acontece por acaso. Os políticos protagonizam muitos desses casos!

A corrupção insere-se nos sectores da administração pública central e local e nos sectores da titularidade dos cargos políticos - é essa a patologia -, apesar de também termos corrupção no sector privado.

Porque é que a justiça rápida não tem interessado ao poder político?

Tivemos uma última reforma penal que só cria entraves à celeridade, apesar de ter criado um quadro aparentemente rígido de prazos e de tramitações processuais que, na aparência, parecem conduzir num sentido de rapidez. Na prática, tornam quase inviável a investigação célere da criminalidade grave e complexa. Esse foi um dos maiores erros da reforma de 2007, apontado até por professores catedráticos com autoridade que eu não tenho.

Acha que é por causa disso que o Conselho Consultivo e o ministro da Justiça se vão reunir amanhã?

Não faço ideia e nada tenho a ver com essas reuniões. As minhas preocupações são outras após 30 anos de luta na magistratura.

Mas em relação ao Código de Processo Penal é muito crítica.

Avisámos desde o princípio que o código criaria, ao nível da criminalidade grave e complexa, dificuldades de aplicação da lei e no exercício da acção punitiva do Estado. Foi um código que desequilibrou a harmonia do anterior exageradamente, que desprotege o poder punitivo e deixa o Estado de direito completamente desarmado e à mercê do crime organizado, que hoje é transnacional, utiliza tecnologias de informação e formas empresariais de actuação e associa-se à corrupção para atingir os seus fins. Como não é estigmatizado, beneficia-se da respeitabilidade de certos sectores da sociedade, existindo até um fenó-meno de porosidade entre determinados sectores da sociedade e determinadas áreas do crime organizado ao nível do económico-financeiro. O código ignorou essa realidade.

Essa nova criminalidade tem a vida facilitada em Portugal?

Como em todos os países, mas com a agravante de termos ferramentas de actuação do poder punitivo muito morosas e pouco eficazes.

Portugal é demasiado brando?

Não sei o que quer dizer com a palavra "brando". Em termos de detecção da criminalidade, perseguição, recolha da prova e apresentação dos autores dos crimes a julgamento, temos as maiores dificuldades processuais por exigências da recolha de prova. Há exigências excessivamente ritualizadas para combater fenómenos criminais complexos e difíceis de detectar e de combater com eficácia no sentido da recolha da prova. É um código que facilita em termos de pequena e média criminalidade o julgamento rápido em processo sumário dos autores de crimes surpreendidos em flagrante delito. Mas nem sequer isso tem acontecido na comarca de Lisboa, por dificuldades de organização, jurisdição e previsão processual penal.

Daí, a crítica à demora na justiça?

Sim, e o cidadão tem toda a razão. Não é por acaso que todos os dias vamos para casa com esse peso, mas é preciso perceber que não há culpas intrínsecas da justiça. Po-deremos organizar mal os meios ou ter más metodologias, mas há uma partilha de responsabilidades - assinalada até pelo Observatório Permanente da Justiça - em relação ao poder político no que diz respeito ao quadro legal e aos recursos atribuídos à investigação criminal. A partilha de responsabilidades é um veneno que existe entre nós. Porquê? Porque desculpabiliza magistrados e políticos.

Gere-se mal os meios de investigação existentes?

Sim, e existe má organização da investigação criminal por culpa nossa e do próprio quadro legal. Aqui mesmo, na direcção do DIAP, tenho de me entender com dezenas de entidades para fazer a gestão dos recursos, que já são escassos. Não há racionalidade nessa gestão.

O cidadão vai ficar perplexo perante esta sua afirmação.

O cidadão não tem de ficar perplexo, as minhas afirmações são sinceras, e acho que as pessoas têm capacidade para compreender as nossas dificuldades quando somos sinceros. Não estou com representações, temos é dificuldades sérias, e qualquer pessoa que queira vir ao DIAP de Lisboa ver o que é um dia na investigação criminal de um magistrado português testemunhará que estamos estrangulados por um sistema informático que não trabalha em rede, nem sequer há uma rede nacional de dados de criminalidade participada. Não quer dizer que não tenhamos dificuldade em nos adaptar às novas realidades.

Nós, quem?

O sistema de justiça penal. Que está perante uma nova criminalidade, enquanto a forma de responder continua a tradicional, que conduz ao falhanço muitas vezes. Mas não é a única explicação, temos problemas com a recolha e aquisição de provas, porque na criminalidade grave e complexa não se a detecta sem usar meios específicos e modernos. Ou seja, há desfasamento entre a justiça e realidade que provoca um fosso e um sentimento de impunidade. Mas também há resultados, nem sempre valorizados.

Tais como?

No DIAP de Lisboa, por exemplo, tem havido frutos no combate à criminalidade violenta com o desmantelamento de gangues que actuavam por todo o País, no crime económico e no transnacional. Pode-se dizer que é uma gota de água, mas, como só podemos agir depois de o crime ter acontecido, agimos sempre em desvantagem.

Explique melhor a falta de meios?

A palavra meios está extraordinariamente desacreditada - tem sido abusada na sua utilização - e surge aos olhos da opinião pública como uma desculpa. Quando falo de meios, quero dizer recursos tecnológicos, electrónicos, informáticos, bases de dados e possibilidade de organizar de uma forma moderna.

Apesar de estar num prédio moderno [no Campus da Justiça], ainda está distante de ter os meios do CSI?

Isto é a moldura, porque o quadro e as cores são outros! Também não estou a pôr as séries televisivas como modelo, não podemos é trabalhar num caldeirão de papéis.

Há um claro divórcio entre os meios do DIAP, da Judiciária e outras instâncias. Não estão em rede...

O que não há é uma economia de escala ou uma organização concentrada no que respeita à investigação do crime económico. Uma definição de objectivos comuns, com equipas robustas que acompanhassem o caso até à fase de julgamento e algum princípio de oportunidade, porque é impossível tratar dos casos mais graves sem arquivar os menos. Há que estabelecer objectivos e ter coragem de decidir o que é que se investiga e o que não. Não é possível investigar tudo.

Quando houve o caso da Maddie, no Algarve, os primeiros elementos policiais contaminaram o local do crime. É preciso mais formação?

Temos bons polícias, o mal é transformarem em regra casos que correram mal e que são excepcionais. O caso Maddie é de rara dificuldade e excepcional. Temos boas polícias, preocupadas com a protecção, o contraponto é enfrentarmos uma criminalidade com muitos, melhores e mais meios do que nós.

Quando diz caso excepcional...

É mesmo excepcional!

... Refere-se até ao facto de os McCann terem proibido a venda do livro de Gonçalo Amaral?

Não faço comentários nenhuns.

Então, o que correu mal para a investigação da polícia portuguesa?

A investigação criminal é uma luta para a aquisição de prova e dos meios específicos de obtenção da prova. Umas vezes consegue-se, outras vezes, não.

Assistiu ao caso com curiosidade?

Curiosidade não é coisa boa para magistrados. Torna-os mesquinhos.

Sob o aspecto profissional, acompanhou-o com muita atenção?

Tenho de acompanhar os casos que me dizem respeito, o da Maddie nunca foi comigo.

Mas envolveu os portugueses todos.

Dramática e sentimentalmente, mas aí estamos no plano da paixão e do sentimento. Podemos falar de filmes, romances e dramas mas não estaremos a falar de justiça penal.

O surto de capitais angolanos que estão a ser investidos em Portugal já gerou alguma investigação?

Que eu saiba, não. Pela forma como coloca a questão, está a falar de negócios, não de crimes. Não posso dizer nada a esse respeito!

É um fluxo de vários milhões…

Mas eu não sou anticapitalista, o capitalismo é bom! O nosso problema é a corrupção dar cabo do capitalismo. Existe até uma certa esquerda que nem valoriza o combate à corrupção porque pensa que é produto do capitalismo. Não é assim, o capitalismo é a produção de riqueza com a livre concorrência de mercado, num Estado de direito e em sistema pluripartidário.

Há justiça de direita e de esquerda?

Não há. A justiça e o combate à corrupção são pela honestidade e pelo tratamento igual do cidadão perante a lei. Isso pode parecer assim um bocado sonhador, mas é a luta que se trava todos os dias.

No caso das gravações das conversas entre Armando Vara e o primeiro-ministro, o juiz de Aveiro decidiu uma coisa, o procurador-geral da República tem uma opinião e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, outra. Também não há um pensamento uniforme nas mais altas instâncias da justiça?

Não me pronuncio sobre processos.

Mas este caso das escutas é semelhante a muitos outros que trata.

Cada processo tem uma condução.

Acha que as gravações deveriam ou não ser divulgadas?

Não dou opinião, não conheço o caso. Tenho o dever de reserva sobre casos concretos e sempre o respeitei, porque um magistrado não pode publicamente tomar posição sobre processos. É uma questão deontológica sagrada para mim.

Freitas do Amaral veio reclamar…

O professor não é magistrado! Tem liberdade de expressão que não se compara à minha, minúscula!

Ele achava que nunca nenhum deles fazia declarações esclarecedoras.

Sobre o caso concreto, não tenho nada a dizer. Em relação ao procurador-geral, há alguma injustiça, porque tem sido uma pessoa com uma política de transparência muito exigente em relação à comunicação social. No meu entender, a sua orientação para dentro do MP tem sido sempre no sentido de esclarecer tudo quanto é possível. Aliás, diz que o MP só se afirmará quando a sociedade perceber que a instituição tem utilidade para ela.

Que humildade e responsabilidade é importante e cada um responde pelos seus actos.

Mesmo quando algumas declarações do Presidente da República e do primeiro-ministro parecem pressões?

Nunca ninguém me pressionou, nem me sinto pressionada. A única pressão que tenho é trabalhar com ferramentas de século XIX.

As escutas são instrumento actual.

São meios específicos de obtenção de prova! E há uma escutomania na sociedade portuguesa que é muito pouco saudável, porque elas são um meio de obtenção de prova como outro qualquer e regulamentadas no Código de Processo Penal.

Que são generalizadas.

Mas qual generalizadas, as escutas são excepcionais e utilizadas nos crimes graves. A me-nos que… Esta é uma discussão esquizofrénica!

A desta entrevista?

Um pouco. Os senhores jornalistas fazem-se mensageiros de algum sentimento de impunidade por parte da sociedade, de exigências de celeridade, de eficácia e de justiça. Temos de ouvir essas exigências e responder, mas não podem, ao mesmo tempo, querer que se combata criminalidade altamente sofisticada com fisgas! Temos de ter meios modernos de obtenção de prova, e isso resulta de um prin-cípio que está consagrado na Constituição, o da proporcionalidade: para grandes males, grandes remédios! Se não estamos dispostos a pagar um preço, não teremos liberdade alguma! O terrorismo tem-nos ensinado isso, é global, não tem fronteiras nem é controlável facilmente.



Têm-lhe caído investigações sobre terrorismo na sua mesa?

Os processos não caem nem deixam de cair na minha mesa! Sou uma directora de um departamento e trabalho com uma equipa que é constituída por procuradores que chefiam as secções e procuradores adjuntos que os coadjuvam. Trabalhamos em equipa!

Refaço a pergunta. A questão do terrorismo tem vindo até ao DIAP?

O terrorismo é da competência do Departamento Central de Investigação e Acção Penal. É uma ameaça global, e quando se fala de corrupção, esta também se associa ao terrorismo. A corrupção existe sempre com fins instrumentais, porque o poder e a riqueza andam associados, em termos sociológicos, ao crime organizado. Como a corrupção é um vírus associado às manifestações de criminalidade mais graves, ela enfraquece os Estados e as instituições que têm de enfrentar fenómenos do terrorismo. Portanto, ninguém pode dizer que está fora dessa ameaça.

Nem o DIAP, portanto?

O DIAP é como qualquer outra estrutura da sociedade portuguesa.

Mas essas situações têm surgido?

Isso é matéria das polícias... O nosso país não é considerado de alta incidência dos fenómenos do terrorismo, mas pode ser utilizado para actos de apoio de financiamento a células terroristas, de estágio ou do que quiserem. São fenómenos invisíveis e silenciosos, e por isso temos de ter instituições suficientemente robustas para lhes resistir.

Passa-se a mesma situação no combate ao crime económico, com bastantes casos nos últimos anos.

O DIAP de Lisboa tem acusações, tem condenações na área do crime económico e tem pronúncias.

Está a ganhar a guerra ao crime económico em Portugal?

Nunca se ganha uma guerra destas, porque é prolongada e inicia-se todos os dias devido à sua dinâmica própria. Estamos melhor do que há dez anos na capacidade de detecção dos fenómenos, de organização das investigações e na capacidade de apresentar os casos em julgamento. Espero que daqui a dez anos estejamos ainda melhor. Evidentemente que admito o sentimento de impunidade que existe no que respeita ao crime económico, até porque estamos perante um fenómeno que também exige uma mudança de jurisprudência. Robusta e que seja capaz de interpretar e compreender a realidade através das provas pericial e documental e da conjugação e contextualização de toda essa prova. É um caminho que temos de percorrer.

Como aconteceu com a corrupção no futebol, que era intocável?

Não gosto muito de considerar as coisas como definitivas. É como na luta contra o cancro, os médicos nunca falam de cura, mas de regressão. São fenómenos virais que a todo momento se auto-reconstituem e se auto-reproduzem. O que tem de existir da parte das autoridades é uma pressão permanente para manter a criminalidade grave dentro do limite do suportável para a sociedade. E criar um risco para o infractor! O problema é que há risco para traficantes de droga, mas se for uma gestão danosa, corrupção ou participação económica em negócios, há sempre a esperança de impunidade, porque esse é ainda o ADN da nossa justiça.

O triângulo de corrupção futebol/política/construção civil mantém-se na vida nacional?



A vida fala por si e não é preciso dizer nada, basta olhar em volta. A crise e os fenómenos de criminalidade financeira têm revelado coisas bastante interessantes a esse respeito.

O crime urbanístico é um perigo?

É uma caixa-negra do crime económico e da corrupção porque está lá muito do que representa de incidência de tráfico de influências e de corrupção triangulada entre vários intervenientes: administração local; sector empresarial do Estado e titulares de altos cargos administrativos. Aí esbarramos com fenómenos de grande danosidade social e que são crimes sem responsabilidade, tipicidade e lei que acontecem todos os dias em Portugal.
Macro

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

PSD E OS SEUS PROJECTOS PARA O PAÍS


Castanheira Barros está a fazer um giro pelos Açores para promover a sua candidatura à presidência do PSD. Ele “não perdoa” a Manuela Ferreira Leite “ter-se preparado tão mal” para os debates com Sócrates nas últimas legislativas e, por isso, toca de mostrar que já fez o trabalho de casa: quer túneis a ligar algumas das ilhas açorianas. Uma vez que, em seguida, se desloca à Madeira, os ambientalistas temem que o rival de Passos Coelho possa propor algo similar que venha a destruir a reserva biogenética das Ilhas Desertas.
C C

sábado, 2 de janeiro de 2010

CAVACO FAZ O PAPEL DA OPOSIÇÂO!...


Cavaco Silva surpreendeu os portugueses para, na parte final do seu discurso de ano novo, anunciar, de forma velada, que é candidato às eleições presidenciais.

Por isso, foi piscando o olho aos seus fiéis e apelou a entendimentos parlamentares para evitar legislativas antecipadas, facto que dificultaria a sua reeleição.

Entretanto, foi fazendo um retrato negro da situação nacional, ocultando completamente o contexto da maior recessão internacional desde os anos 30 do Século XX, esquecendo os importantes avanços em políticas sociais dos últimos 4 anos e nada dizendo sobre a questão energética, a principal raiz do nosso endividamento externo.

Enfim, mais um discurso panfletário que entusiasmará, talvez, os seus apoiantes e os que compram as suas ilusões, mas que não oferece esperança e energia ao país real.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

FELIZ ANO 2010!...



Entrar em 2010 com um sorriso não se afigura nada fácil…mas até pode ser fácil…haver sempre um sorriso constante em 2010 é que pode não ser possível, mas todos lutaremos para que tal seja possível.


Por mim só posso desejar um óptimo 2010, cheio, recheado de felicidade!


Que todos tenham o direito a ser felizes…


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

PORQUE SERÁ?


Algo de estranho se passa com o processo Face Oculta, ao contrário do que tem sido o padrão espalhafatoso deste tipo de processos conduzidos pela nossa justiça, de repente fez-se silêncio, até parece o processo BPN ou operação Furacão que não envolvem nem Sócrates, nem professores, familiares, amigos ou meros conhecidos do primeiro-ministro.

Quando surgiu este processo prometeu muito, as buscas conduzidas pelo Ministério Público deram lugar a um imenso espectáculo mediático, os próprios políticos que tinham sido comedidos em anteriores processos não resistiram à tentação de se envolverem. Ainda antes de se saber quem era o “face oculta” já Jerónimo de Sousa exigia investigações a fundo e o senhor Palma, o sindicalistas dos magistrados do MP exigia que houvessem meios para as investigações irem para “Angola e em força”.


O país foi intoxicado com mentiras acerca de luvas pagas a Vara, um verdadeiro petisco para jornalistas, caricaturistas, bloggers e gente que sofre de dor de corno. Só que afinal em vez de luvas vara recebeu um par de robalos numa festa de Vinhais (lá ficou com o carro do BCP a cheirar a peixe) e o verdadeiro petisco do processo nem era robalo “ao sal”, mas sim as escutas feitas de forma oportuna ao primeiro-ministro.


Só que desta vez alguém deu um tiro no pé, a mentira foi desmontada depressa, o país desconfiou dos magistrados e muitas vozes protestaram contra a orgia de violações do segredo de justiça. O PGR até teve que explicar que não fazia sentido desmentir mentiras (como se fizesse sentido confirmar verdades) e até abriu um processo contra um advogado , acusado de violação do segredo de justiça. Ao que parece os magistrados fizeram umas marcas para apanharem alguém com a boca na botija.


Só que algo não está a correr como é normal na nossa justiça, algo está a correr mal pois nem a TVI fez uma das suas vídeo-novelas simulando conversas escutadas, nem a Felícia Cabrito conseguiu ajudar o dono do Sol a vender mais jornais. De repente fez-se silêncio no processo, a “Face Oculta” ocultou-se.


Será que a justiça retomou a normalidade? Duvido, só que desta vez a corda esticou tanto que o feitiço se virou contra o feiticeiro e os portugueses em vez de desconfiarem do Vara acabaram por desconfiar de outras personagens. Porque será que o senhor Palma nunca mais falou do assunto? Porque Razão Jerónimo de Sousa vão voltou a exigir que as investigações fossem até ao fim?


Por falar em Face Oculta ocorre-me uma outra interrogação: o que se passará com o processo Freeport? Por este andar ainda o centro Comercial se vai reformar por velhice e a nossa justiça ainda anda a preparar as conclusões das investigações. Compreendo perfeitamente a dificuldade, depois de haverem arguidos suspeitos de terem cometido crimes imaginados vai ser um problema desfazer o nó. Depois de tudo o que sucedeu ou o Ministério Público arranja qualquer coisa para mostrar aos portugueses ou estes vão chegar à conclusão de que andam a alimentar burros a pão-de-ló.


Tenho a ligeira sensação de que não é só no carro do BCP que cheira a peixe, tudo isto começa a cheirar muito mal.


Jumento

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

PSD: Vasco Pulido Valente




«Ora a acção do PSD é desastrosa. Não vale a pena falar da interminável querela interna que dia a dia o desacredita - um partido que publicamente confessa a sua falta de unidade (Marcelo) ou a sua completa irrelevância (Balsemão) talvez ganhe o Céu, mas não ganha votos. Nem ganha votos de certeza a campanha parlamentar contra a alegada corrupção do Governo e do primeiro-ministro. Ou a proposta de política económica para atenuar a crise, que na aparência favorece os "ricos" (subsidiando as PME) e reserva a caridade para os pobres (prometendo, aliás nebulosamente, ajuda às famílias). O PSD, de resto, tende às vezes para o populismo ou o liberalismo, como qualquer direita numa social-democracia e, quando se toma por social-democrata, conforme o seu nome, não é tão convincente como o PS. Nesta barafunda, começa a emergir a suspeita de que o país se prepara para o dispensar como um anacronismo sem utilidade.»


Vasco Pulido Valente, Público, 13.12.09.


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

QUEM SERÃO OS PALHAÇOS?


O Parlamento está a servir para desancar ora no governo, que volta e meia é devolvido à oposição, num ambiente sem semelhanças até então. Ora entre deputados, sejam já experientes nessas andanças, sejam novatos a ocupar tão elevado cargo.
E o pior é o nível baixo de linguagem que se usa para desancar nos visados.
A missão de um deputado aos olhos da opinião pública já é sombria. Cheia de interrogações quanto ao que deles se espera. Pede-se que estejam ao lado das populações que os elegeram e na maioria dos casos estão mas é ao lado dos seus interesses pessoais e o resto é conversa. Mas agora assistir a autênticos duelos carnavalescos como o de hoje é demais!
Não interessa estar perante a Ministra da Saúde, na comissão parlamentar, onde se deslocou para responder a questões tão pertinentes. Acho que se fosse o Papa era o mesmo. E toca a abrir as goelas e pumba lá vai bomba e toma lá deputado socialista que levas-te para contar e de permeio levas com palhaço em alto e bom som.
Caldo entornado e comissão incrédula perante tamanha ousadia da deputada.
Logo o deputado visado com o sangue a subir-lhe à cabeça ripostou prontamente. E não adiantava o presidente meter-se no meio para tentar parar com o pingue-pongue de descobrir o rabo aos dois, porque nenhum deles fazia questão de se ficar por ali.
E nós portugueses que elegemos esta gente, assistimos a estes folhetins de roupa suja, que pensávamos erradicada de tão distinto palco, entrar no caminho de se generalizar e bater no fundo.
Se tal acontecer e espero que fique por aqui, para isso alguém com responsabilidades neste País terá que dar um murro na mesa e por na ordem os desordeiros que estão a manchar o Parlamento, de zanga de comadres com birras de adolescentes traídos.
O novo Parlamento ainda não aqueceu o lugar e já contabiliza cenas impróprias de um País Europeu e Democrático!
Impera o nervosismo e o autoritarismo de um lado, onde deputados habituados a fazer valer as suas convicções, são hoje postos em causa com o diz que disse de uma comunicação que mete veneno para o lado que mais lhe convém.
Impera a inexperiência e a pouca preparação de quem ainda agora chegou e de quem está lá para se projectar e tirar dividendos pessoais e que logo caí na tentação de responder na mesma moeda perdendo desde logo a razão que possa ter ao ser tão directamente insultado.
E nós vamos assistindo a este fogo cerrado manchando a passos largos toda a credibilidade de pessoas que lá foram postas com o voto de milhões de portugueses, para enriquecerem a nossa democracia e nos dar garantias de defenderem as regiões para os quais foram eleitos.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

CIMEIRA DE COPENHAGA



Já passaram os tempos em que os ambientalistas tinham aquelas atitudes patéticas e parvas para chamar a atenção para as questões ambientais.


Hoje os jovens, e os menos jovens, já têm essa consciência!


Todos nós temos a obrigação de ter atitudes em prol do nosso Planeta. Nos tempos actuais levantam-se temas para os quais os o cidadão deve participar e ter uma actividade.


Para além das questões sociais, hoje obrigatoriamente a merecer a nossa atenção, temos também as questões ambientais.


São dois temas fortes em pleno século XXI!


São assuntos de cidadania a que os responsáveis políticos não têm sabido responder.


Por estes e outros motivos, cada vez mais, na sociedade actual as organizações não governamentais tem uma papel já preponderante, e essencial, no apoio aos desfavorecidos e no alerta para as questões do ambiente.


A Cimeira de Copenhaga iniciada hoje discutirá o próximo passo internacional contra o aquecimento global, nunca o mundo esteve tão preocupado com a causa climática. As próximas duas semanas serão decisivas nesta matéria, é necessário impedir o aumento da temperatura, em cerca de dois graus, até ao final do século actual.


Mas para tal é premente que se limitem as emissões de CO2.


E é aqui que organizações e todos nós temos um papel essencial a desempenhar, dando a máxima colaboração ao Programa de Ambiente das Nações Unidas (PANU), bastando para tal ter atitudes de prevenção e de alerta para o meio ambiente.