sexta-feira, 30 de outubro de 2009

SERÁ BRUXEDO?



Segundo o DN, Teófilo Santiago, Director da Polícia Judiciária de Aveiro, atrai ou é atraído por “bruxedo”, tantos os casos notáveis que liderou.



Agora o processo chama-se “Face Oculta”. Anteriormente, os casos notáveis, igualmente mediáticos, também tiveram nomes sugestivos: “Apito Dourado “, "Aveiro Connection" ou sem nome como o processo de investigação a suspeitas de corrupção na PSP Porto ou o processo que metia títulos e o levou a prender Pedro Caldeira.



Se é verdade que em todos estes processos estiveram envolvidos muitos notáveis, com peso mediático e outro, não se percebe da notícia do DN o porquê da atracção pelo bruxedo que imputa ao director da PJ, a não ser que o bruxedo tenha a ver com alguma reza que levou a que todos esses casos tenham redundado em nada de judicialmente significante. Aguardemos pela parte visível da “Face Oculta”.


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A POUCA VERGONHA DO PATRONATO...


Depois dos lay-offs em Braga e do anunciado despedimento de 500 trabalhadores na fábrica da Guarda, a Delphi tornou oficial a sua decisão de encerrar a unidade de Ponte de Sor, empurrando cerca de 430 pessoas para o desemprego. A fabricante de componentes norte-americana tinha já anunciado o fecho da fábrica no ano passado, mas reafirmou agora a sua decisão, tomada em função do fracasso das negociações com os trabalhadores, que não aceitaram as reduções salariais que lhes foram propostas por administradores que auferem mais de cem mil euros ao ano. O preço do factor trabalho em Portugal é, realmente, um problema. E as confederações patronais, que ultimamente se têm insurgido contra o exagero de um aumento de 25 euros no salário mínimo, objecto de um acordo que também assinaram, alertam para a necessidade extrema da manutenção das ajudas estatais pelo menos até 2011. Sem pudor, "contrapartida" continua uma palavra proibida nesta lógica de lucros trituradores de salários e de direitos.

domingo, 25 de outubro de 2009

QUE SEMANA...



Esta foi uma semana de entretenimento, Marcelo Rebelo de Sousa inventou o direito à indignação para entreter o PSD até saber se Cavaco se recandidata, Louçâ entreteve-se a estudar a forma de se antecipar às medidas previstas no programa do PS para se armar em bonito junto dos eleitores, Manuela Ferreira Leite andou a entreter o PSD para preparar a a candidatura de Rangel, Passos Coelho entreteve-se a conspirar contra Manuela Ferreira Leite e Cavaco Silva também deve ter andado entretido mas até ao momento o Fernando Lima ainda não contou ao jornal Público os motivos do entretenimento presidencial.

A grande excepção a esta sessão colectiva de entretenimento veio de João de Deus Pinheiro que foi ao parlamento para dizer que tinha andado entretido a gozar com os portugueses, mas chegada a hora de criar calos no dito cujo parou com a brincadeira porque o seu traseiro é demasiado fino para as cadeiras do hemiciclo, o seu médico recomendou-lhe mesmo que o passeie mais por bares e campos de golfe.

Constâncio e Van Zeller ocuparam a semana com o seu entretenimento favorito, tentarem demonstrar aos portugueses que quantos mais pobres e mal pagos melhor, assim o país pode crescer e ao menos ganham mal mas podem ver as montras, telenovelas e os carros dos mais ricos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

AS FRUSTAÇÕES COELHISTAS!...


Contrariamente ao que era desejado por certos lados, não me parece que o Conselho Nacional do PSD vá ser esquecido tão cedo. Manuela Ferreira Leite não sai antes da discussão do Orçamento de Estado. É maçador para a geração PPC. Só que por este andar a Sra. ainda é a Presidente do PSD responsável pelo renovar do apoio a uma recandidatura a Belém do Prof. Cavaco. Assumindo que o Oliveira Costa não escreva as suas memórias muito depressa.Eu percebo que as coisas perturbam um militante. Especialmente um que já está irritado por o PS ter nomeado uma Ministra da Cultura que de facto nunca ouviu os concertos para violinos de Chopin.Bem, a verdade é que a ala muy liberal deverá esquecer a tomada de assalto do poder. Porque Manuela dá tempo a Marcelo, Morais Sarmento, Rio, ou a quem quiserem daquela tribo que avance. E teremos Coelho a esperar mais uns tempos. E o engraçado é que o tal militante (mais frustrado ainda fará um blogue) a apoiar o candidato que Manuela escolher: se calhar até algum comentador de direita a quem tenha chamado idiota útil. Olha se o Marcelo for candidato?A vantagem das páginas gravadas e da cache é grande. Para esses ditosos tempos.
O valor das ideias

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O PERFIL DO NOVO GOVERNO


Chama-se a atenção antes de mais para que José Sócrates cumpriu as expectativas. O novo governo tem um reforço da componente feminina, um reforço de competência técnica, maior capacidade de diálogo político adequado aos novos tempos, manifesta apostas fortes na economia /emprego/cultura/ambiente/ energia e foi buscar quadros muito qualificados para obras públicas e para a agricultura. Vejamos os perfis.

A representatividade das mulheres no novo governo é muito clara: 5 ministras no total. Isabel Alçada é uma promessa cumprida. Apareceu na campanha eleitoral do PS e não faltou quem achasse ser apenas golpe de marketing político. Afinal, enganaram-se. O PS foi honesto na campanha e o rosto que mostrou é o que assume a posição de ministra da educação: para cumprir o programa do PS, mas com maior capacidade política e dialogante num sector que sofreu profundas e necessárias reformas, mas onde se resolve a crispação social que se gerou.
Gabriela Canavilhas indiscutivelmente sólido ligado ao sector cultural., em concreto à música Reflecte a promessa cumprida de dar maior visibilidade à cultura neste mandato. E uma aposta a materializar-se numa mudança de políticas.

Dulce Álvaro Pássaro suge também com uma experiência ligada ao ambiente e recursos naturais. Tem o perfil certo para o Ministério que lhe é atribuído: o do Ambiente e Ordenamento do Território.

Ana Jorge era uma continuidade esperada na Saúde. E ademais reunindo um amplo consenso na sociedade portuguesa. Helena André tem toda a vida está ligada à actividade sindical e à investigação nas questões do trabalho e segurança social. Estudou particularmente o problema do emprego juvenil. Participou nos fóruns Novas Fronteiras e colaborou no espaço de definição de políticas Res Publica.

Entre o elenco masculino do governo, duas boas novas são a continuidade de Teixeira dos Santos nas Finanças, algo que o próprio Nuno Morais Sarmento considerava uma necessidade, na última Terça, na TVI 24, a continuidade de Luís Amado nos Negócios Estrangeiros, ele que levou a cabo uma eficaz diplomacia económica, e a passagem para a Economia de um dos Ministros que reuniu maior consenso no anterior governo: Vieira da Silva. O seu surgimento na pasta, em lugar do nome especulado de Basílio Horta, aponta para uma efectiva sensibilidade social à crise na condução das questões económicas.

António Augusto de Ascenção Mendonça, professor catedrático do ISEG, com vasta obra no domínio da política comunitária e com vasta experiência de estudos realizados para o Ministério da Economia, no âmbito da competitividade da economia Portuguesa, surge como um nome forte nas Obras, Públicas e Comunicações, por onde passará muito do desenvolvimento do país nos próximos anos, com a aposta em investimentos públicos modernizadores.

António Soares Serrano, Professor Catedrático da Universidade de Évora, produziu trabalho académico na área dos sistemas de informação, tecnologia e modernização. Uma aposta para a a necessária e sempre adiada modernização da agricultura Portuguesa.Nota positiva ainda para a manutenção de um perfil político no novo governo, com boa capacidade de combate. Jorge Lacão tem uma larga experiência parlamentar e será uma mais uma valia importante. Igualmente importante a manutenção de Pedro Silva Pereira. A mudança de pasta de Augusto Santos Silva permite uma importante reserva política para o debate, e adequa-o a um ministério para a qual a sua formação em História confere particular entendimento geopolítico.
O valor das ideias

GOVERNAR OU DESGOVERNAR?


Por aquilo que se vai sabendo os partidos da oposição vão querer transformar o parlamento numa imensa RGA a partir de onde poderão governar o país como se fosse uma universidade dos anos 70. O governo vai governar segundo um programa enquanto a oposição vai usar o parlamento para governar para as sondagens.

Compreende-se que essa seja a estratégia da esquerda conservadora, já não se entende muito bem que o PSD e o CDS, até mesmo o PCP, tenham do parlamento a mesma visão do Bloco de Esquerda. Um país não se governa com medidas pontuais para satisfazer as corporações mais bem organizadas, num contexto de crise o pior que poderia suceder ao país seria ter um parlamento para desgovernar.

Um bom exemplo desta postura auto-destrutiva dos partidos da oposição é a questão da avaliação dos professores, medidas adoptadas por um governo legítimo e que Cavaco promulgou sem hesitações ou dúvidas. Aquilo que os deputados da oposição se preparam para fazer é voltar a transformar os professores na única classe profissional que progride automaticamente e não se sujeita a qualquer avaliação. Os deputados ainda vão mais longe na bandalhice do que pretendia o Mário Nogueira com a sua proposta de avaliação.

Ceder desta forma a um grupo corporativo que não hesita em pôr em causa o sistema de ensino para defesa dos seus interesses é aceitar que a democracia se verga aos interesses de um grupo, que a maioria de um grupo profissional da Função Pública tem mais legitimidade do que a maioria dos portugueses. É legítimo questionar o modelo de avaliação e defender o seu aperfeiçoamento, ceder à bandalhice a troco de votos é uma vergonha para a democracia.

E o que vão dizer aos polícias ou a todos os outros grupos que de alguma forma foram lesados por reformas do anterior governo? É evidente que não vão dizer nada, são poucos e os seus votos de pouco servem, isto é, só os professores é que têm direitos, todos os outros profissionais do Estado são gente de segunda. Se o ensino em Portugal fosse brilhante até se poderia entender, sucede que é dos sectores com piores resultados entre todos os do Estado.

A partir de agora é impossível adoptar quaisquer reformas a não ser que elas deixem intactos os interesses dos grupos corporativos, mesmo que esses interesses estejam em conflito com os do país.

É evidente que os partidos poderão invocar as suas promessas eleitorais (será que no debate do próximo OE o BE vai ser fiel ao seu programa eleitoral e propõe o fim dos benefícios fiscais na saúde e na educação?) e que o parlamento tem legitimidade para revogar, suspender ou alterar as reformas adoptadas pelo anterior governo. Mas isso também se pode dizer na próxima legislatura e na seguinte, isto é, a partir de agora em cada legislatura desmonta-se o que se desmontou na anterior.

Não sei se os professores votaram cinco vezes, uma em cada partido que prometeu rasgar as reformas, o que sei é que não foram os partidos que fizeram promessas aos professores que ganharam as eleições duvido muito que sem a crise financeira tivessem impedido a maioria absoluta. Mas fazem bem em serem coerentes, ainda que se esqueçam de perguntar aos pais se concordam ou não com as reformas que foram feitas.

Um dia destes irão realizar-se eleições legislativas e nessa ocasião tiraremos conclusões.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

PORTUGAL: PARECE QUE QUEREM QUE ANDE DE RECUAS, EM VEZ DE ANDAR PARA A FRENTE!



Ao que aqui se adianta, a avaliação dos professores, o estatuto da carreira docente, as taxas moderadoras nas cirurgias e internamentos, a reforma das leis penais, o estatuto do Ministério Público, a concessão do terminal de Alcântara e as matrículas electrónicas nos automóveis são matérias que toda a oposição quer rever, suspender ou revogar. Fora o que adiante se verá...
Se assim for, tal significa que a oposição é incapaz de conceber alternativas e que a sua imaginação se esgota em destruir o que foi feito. Em vez de propor novas reformas e de construir novas soluções, a oposição entretém-se a tratar de contas do passado.
Terá sido para isto que no dia 27 de Setembro, os eleitores deram ao PS um mandato para governar ?
Não me parece.
Francisco Clamote

terça-feira, 20 de outubro de 2009

CAVACO NÃO QUER SER "ESMIUÇADO" PELO GATO FEDORENTO!


De todos os líderes dos principais partidos, principais candidatos autárquicos e diversas figuras da vida política nacional, Cavaco Silva será o único a ter recusado estar presente no programa da SIC "Gato Fedorento: Esmiúça os Sufrágios". Teve medo de ver esmiuçado o BPN? A inventona das escutas? O que ainda faz Fernando Lima no Palácio de Belém?

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A CIMEIRA: MARCELO FAZ CAMPANHA PARA A SUA LIDERANÇA NO PSD...


Marcelo Rebelo de Sousa ontem na RTP, nas”Escolhas de Marcelo”, lá vai fazendo campanha para liderar o PSD…
Por isso enquanto "pondera", aproveita a generosidade da RTP. E continua a dizer o que lhe vem à cabeça. Sem contraditório, ou vergonha
Por isso fez uma proposta para dentro do PSD (Cimeira de todos os antigos lideres, actuais, Barões e pessoas de vários sectores de opinião do PSD) mas…
Vai uma aposta que ninguém vai ligar nenhuma à proposta que Marcelo Rebelo de Sousa fez, para que se realize esta espécie de cimeira de sábios e de poderosos do PSD.
É que em alguns sectores do PSD a proposta até pode ser recebida com alguma hostilidade, pelas razões mais diversas, algumas delas óbvias. Marcelo Rebelo de Sousa sabe muito bem que, para ter pernas para andar, a sua proposta teria necessitado de um trabalho prévio de bastidores. Trabalho o qual ignorou por completo. No fundo, aquilo que lhe interessava era expressar publicamente essa proposta. Mostrar liderança e esforço de apaziguamento, marcar a agenda e colocar-se numa posição central, independentemente dos resultados práticos. Se a proposta fosse séria teria sido anunciada quando já houvesse um entendimento mínimo quanto à sua concretização, o que manifestamente não foi o caso. A mesma velha história. Ninguém como Marcelo Rebelo de Sousa se diverte com a política. O seu código genético não perdoa, é uma velha raposa, que até já se atirou ao Tejo, só para português ver…
Decididamente, Marcelo tem de ser eleito, novamente, para a liderança do PSD. Só ele está em condições de prosseguir a Política de Verdade da Dra. Manuela, agora na versão de Verdade Verdadinha...
Talvez aí faça, não uma universidade de verão, mas sim uma cimeira com todos, até com Cavaco e independentes, para conseguirem decifrar o código genético do PSD. Porque uma coisa ele tem razão – o PSD vive a pior crise dos últimos trinta anos!
Na Mealhada o problema ainda é mais grave. O PSD precisa de limpar, excluir muita “gentinha” se quiser ser um partido com responsabilidade autárquica, uma alternativa.
O texto que escrevo é ainda mais exigível para o PSD Mealhada…

sábado, 17 de outubro de 2009

RANKING DAS ESCOLAS...



A divulgação do ranking das escolas do ensino secundário foi divulgado esta semana mas mal foi notícia, os jornais limitaram-se a tratá-lo como se fosse o final de um campeonato da terceira divisão, viram quem ganhou, quem desceu e identificaram as primeiras escolas públicas. É uma pena, o ranking das escolas poderia servir para uma reflexão séria sobre a situação do ensino em Portugal.

Não entendo a razão porque se presta tanta atenção ao topo da classificação, onde o ensino público está quase ausente e ninguém se incomoda em analisar as escolas pior classificadas. Serão em locais de grane pobreza? Terão quadros de professores pouco estáveis? Enfim, poder-se-iam colocar muitas interrogações.

Por exemplo, seria interessante comparar os modelos de gestão das escolas bem classificadas com as do final da lista. Um estudo sério sobre as aptidões e projectos promovidos pelas diversas escolas poderia ajudar a compreender as diferenças. Afinal, quando se avaliam as escolas não se está a avaliar apenas os alunos cujos resultados nos exames servem para a classificação das escolas, está-se também a avaliar os gestores e os professores das escolas.

Seria muito interessante comparar a qualificação dos professores das escolas privadas que lideram o ranking com os das escolas públicas. Ajudaria a perceber melhor a realidade do nosso ensino se fossem comparados os vencimentos auferidos pelos professores das escolas privadas com os das escolas públicas.

Porque não comparar as taxas de absentismo entre escolas públicas e escolas privadas e entre as escolas no topo do ranking com as do fim da lista?

E como há muita gente a tentar justificar as misérias das escolas com a miséria social seria interessante proceder a um estudo sociológico das escolas públicas e das escolas privadas. Não tenho grandes dúvidas de que, em regra, as diferenças poderão ser grandes, mas serão assim tão grandes entre as escolas privadas de Lisboa e liceus da capital como o Liceu Camões e o Liceu Pedro Nunes.

O ranking das escolas suscita muitas dúvidas, mas parece que ninguém está interessado em esclarecê-las, começando pelos sindicatos dos professores que normalmente não perdem uma oportunidade para ocupar a comunicação social mas que desta vez optaram pelo silêncio. Compreende-se, há coisas em que não convém mexer porque cheiram mal.