sexta-feira, 20 de março de 2009

NASCIMENTO RODRIGUES, NÃO FOI, MAS QUER SER AGORA...


Uns comportamentos típicos dos boys, quando não é o seu partido que está no poder e como se aproximam do fim das mordomias, então saem do anonimato, enchem-se de coragem e desatam a criticar o Governo. Lamenta-se que ao perfilhar este procedimento tão típico da política portuguesa Nascimento Rodrigues tenha-se desviado da dignidade do cargo de Provedor de Justiça.
É uma pena que Nascimento Rodrigues tenha sido tão apagado ao longo de todo o seu mandato e tenha tido este arremesso de coragem quando já ninguém lhe presta atenção.
E o mais grave é que este senhor tenha só culpado o PS, quando o PSD e PS são ambos os culpados, visto que é entre eles que alternam o cargo, embora este cargo já há muitos anos seja pertença do PSD.
Nascimento Rodrigues sempre foi um quadro do PSD, que foi um Provedor da Justiça muito apagado, para não dizer quase um roçago à incompetência. E porque não culpar o PS…agora é moda culpar o PS de tudo de mal o que existe em Portugal.
E Nascimento Rodrigues mostra já um ser démodé basta olhar para a sua carinha, então porque não tentar entrar na moda e ser anti-Sócrates, já temos a Manuela Ferreira Leite que está démodé, então porque não dois para fazerem um par de jarras jeitoso.
Parece que o PSD teve de ir ao armário, e no meio da naftalina tentar fazer mudanças para o país…será? Que com este cheiro a naftalina teremos algo de melhor?

quinta-feira, 19 de março de 2009

AS MANIFESTAÇÕES...


Um post sobre manifestações começa obrigatoriamente por uma declaração de princípios, que do direito à manifestação é indispensável à democracia. É evidente que estou a falar em manifestações onde os cidadãos se podem manifestar contra o poder, sem serem sujeitos a qualquer forma de coacção. Digo que é evidente porque também há regimes políticos onde as manifestações são uma obrigação, são encenações melhor organizadas do que os desfiles das escolas de samba.


As manifestações são uma forma de um grupo de cidadãos, muito ou pouco numeroso, protestar, defender o que entendem ser os seus direitos, pressionar o poder a favor de uma reivindicação. Podem também servir para influenciar a opinião pública e é esse o caso de muitas das manifestações que ocorrem em Lisboa. Neste aspecto as manifestações têm evoluído. Já não se organizam manifestações para incomodar a população de Lisboa, lançando a confusão no trânsito, os nossos sindicalistas perceberam que era má estratégia. Agora as manifestações visam passar a mensagem na comunicação social, fazem-se manifestações a contar com editoriais do director do Público, com os orgasmos da Manuela Moura Guedes e até com os posts do Abrupto de Pacheco Pereira.


É por isso que agora a aposta é a organização de grandes manifestações, umas maiores de que as outras, tentando passar a mensagem de que a maioria dos portugueses estão com Carvalho da Silva. À legitimidade do Governo os organizadores das manifestações querem sobrepor a legitimidade da rua, o que já foi defendido explicitamente por Jerónimo de Sousa aquando da presentação da moção de censura ao Governo por ocasião da aprovação das alterações da legislação laboral. Nessa altura Jerónimo de Sousa disse que a moção que tinha sido reprovada no Parlamento tinha sido aprovada na rua, isto é, que a legitimidade das ruas se sobrepunha à legitimidade constitucional.


Confesso que gostei de ver a última manifestação da CGTP, foi bem organizada, foi ordeira, evitaram-se os cartazes rascas que marcaram as manifestações dos professores (enfim, no melhor pano cai a nódoa). Gosto de ver grandes manifestações, muitas das lutas políticas em Portugal tiveram expressão pela realização grandes manifestações, principalmente antes de o país entrar na normalidade constitucional.


Ora é neste ponto que discordo dos organizadores das grandes manifestações e alguns dos seus inesperados admiradores da direita, é que se a liberdade de manifestação é um direito sagrado da democracia muito mais sagrado é o recurso ao sufrágio universal para escolher quem nos governa e é bem mais fácil juntar umas dezenas de milhares de manifestantes do que conquistar a autarquia de Lisboa. Os manifestantes da CGTP era menos de metade dos eleitores do PCP e nem conto com os do BE e dos que dizem ter votado PS que curiosamente não apareceram na última manifestação.


Parece que anda por aí muita gente, incluindo alguns jornalistas mais zangados com Sócrates, que acham que as políticas de um país devem ser alteradas em função de manifestações, como se a vontade dos que vão ao Rossio tivesse mais valor dos que vão a votos. Por essa lógica eu não contaria para nada em democracia, já que não costumo participar em manifestações.


Isto significa Carvalho da Silva, alguma direita (principalmente os autarcas que emprestam os autocarros e o pessoal dos centros de dia) e até alguns defensores da cidadania têm um profundo desprezo por todos aqueles que não optam pela manifestação como forma de se manifestarem na vida pública.

Jumento

quarta-feira, 18 de março de 2009

VAMOS EXCOMUNGAR O PAPA?

O Papa Ratzinger XVI é um humorista.
A bordo do avião que o levava aos Camarões, o Papa disse aos jornalistas que a distribuição de preservativos não é a resposta adequada para se ajudar a África a combater a sida. “Pelo contrário” - acrescentou - “isso só irá complicar a situação”.
Como é que o uso da camisinha nas relações sexuais pode complicar ainda mais a situação da sida em África?
Como se sabe, a África subsariana é a zona do mundo com mais casos de sida. São cerca de 22,5 milhões de pessoas infectadas. Essa região contribui para 76% do total de mortes por sida.
Mas usar a camisa de vénus, na óptica do Papa, não é a solução.
Ele advoga a abstinência sexual!
Estou mesmo a ver o jovem habitante de Yaundé, Makamula Ynhatama, a ser tentado pela bela Sinora Bembé, que lhe exibe dois espetados seios e um robusto traseiro e ele dizendo:
- A miúda tá maluca! Nós só vai foder depois do casamento! Foi o que aquele homem branco, que tem voz de falsete, disse! Antes do casamento, podes apanhar sida!
A existência deste Papa é a prova de que deus não existe!
Porque até Jesus Cristo se hoje tivesse este dilema da Sida, diria usem e abusem da camisinha!
o coiso

segunda-feira, 16 de março de 2009

SÓCRATES E O CULTO DA PERSONALIDADE



Existe um culto da personalidade à volta de Sócrates, é indesmentível. Começou em 2006, com as corridinhas a assustarem os pançudos, as tareias no Parlamento a envergonharem os palonços e a evidência de que o homem ia mesmo tentar reformar alguma coisa. E o culto cresceu. Cresceu como nunca se tinha visto em Portugal. Até no PS há militantes e deputados que alimentam o culto da personalidade a Sócrates, veja-se o ponto a que isto chegou. O Alegre, por exemplo, é um deles. E outros que estão com ele, que até chegam a votar contra o partido na Assembleia da República ou sonham com a perda da maioria absoluta, não se cansam de falar em Sócrates. Mas onde o culto da personalidade atinge o seu histerismo é na oposição. À direita, o mais destacado cultor é o Pacheco, coadjuvado pelo Zé Manel e pasquim, a que se juntou o Sol, TVI e Correio de Manhã, pelo menos. À esquerda, PCP, BE e sindicatos amigos, vocacionados para cultos da personalidade desde o berço, não deixam os seus créditos por manipulações alheias. Todavia, nada se compara com o paroxismo que acaba de ser alcançado pelos professores:
"Sou professor não voto em Sócrates"
Os professores consideram que a governação de Portugal é matéria da exclusiva responsabilidade de um indivíduo. Não há partidos, não há militantes, não há programas, não há eleições, não há Parlamento, não há sociedade, não há comunidade, não há Pátria, não há nada para além de um nome, uma cara, um poder que se projecta absoluto, um monarca.
Espero que os professores não andem a ensinar estas porcarias aos seus alunos. Para isso, mais vale que ocupem o seu tempo em manifestações, onde podem dar largas ao culto da personalidade de Sócrates com aqueles cartazes tão giros que o procuram ofender, precisamente, na sua personalidade. Os alunos, assim livres da influência destes professores, terão até tempo para aprender alguma coisa de política.

AspirinaB

domingo, 15 de março de 2009

SÓ (as minhas) PALAVRAS ESCRITAS.



Pois que a vida não deve existir,

nem ser escrita.

Não parti, porque afinal nunca cheguei.

Estou aqui, na terra de todos aqueles que

não se conhecem, estendendo-te a mão.

Querias ser como eu? Não queremos

ser todos algo que não somos? É

duro reencontrarmo-nos, sim.

Nunca soube, nunca perceberei

se o hábito, a rotina, essa solidão

é prenda ou veneno... Tu sabe-lo?

Assim, escrevo como se

tudo fosse perguntar.

E cá vou andando, nunca partindo,

nunca chegando...
Alexandre Fonseca

quinta-feira, 12 de março de 2009

AR LIVRE


Ar livre que não respiro!
Ou são pela asfixia?
Miséria de cobardia
Que não arromba a janela
Da sala onde a fantasia
Estiola e fica amarela!
Ar livre,digo-vos eu!
Ou estamos nalgum museu
De manequins de cartão?
Abaixo! E ninguém se importe!
Antes o caos que a morte...
De par em par,pois então?!
Ar livre! Correntes de ar
Por toda a casa empestada!
(Vendavais na terra inteira,
A própria dor arejada,
- E nós nesta borralheira
De estufa calafetada!)
Ar livre! Que ninguém canta
Ar livre! Que ninguém canta
Com a corda na garganta,
Tolhido da inspiração!
Fora do ventre da mãe
Desligado do cordão!
Ar livre,sem restrições!
Ou há pulmões,
Ou não há!
Fechem as outras riquezas
Mas tenham fartas as mesas
Do ar que a vida nos dá!
Miguel Torga

segunda-feira, 9 de março de 2009

Súplica


Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria…
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

sexta-feira, 6 de março de 2009

O POETA ALEGRE É UMA TRISTEZA!...


Se seguisse o que dita o seu pensamento e o apelo do verbo que vai escorrendo para os inúmeros livros que publica, certamente não teria a reforma vitalícia e muito menos a condecoração presidencial que virá...

Mário Soares é que tinha razão. Soares é que o topa bem. Ao ser como é, ao agir como age, Alegre tornou-se na metafísica do nada, no abismo do vazio, do poema sem alma. Entrou num processo de auto-descaracterização. De eutanásia política. O seu relativismo político, gerador de permissividade, ainda lhe sequestrará o papel que, de facto, teve na história política contemporânea. Por tantas omissões e ausências forçadas - Alegre é, hoje, uma existência sem aspiração, um mero promotor de denúncias do vazio. Um poema sem letras. Alguém ofereça um novo mapa ao poeta... De preferência que tenha escrito duas palavrinhas: responsabilidade e coerência.
Por isso aqui vai Alegre:

Sabe-se que com a idade algumas pessoas vão perdendo discernimento. Outras lembram-se, de repente, que têm direito a ser heróis ou a fazer coisas que em idade de sã consciência não fariam. Manuel Alegre, o nosso poeta, que parece que ainda é militante do PS, não foi ao Congresso do Partido. Não é que fizesse falta, acho eu, porque todos os que poderiam fazer falta estiveram lá. O nosso poeta anda muito chateado com José Sócrates, porque este não o deixa brilhar? Ou será que anda a pensar em concorrer à Presidência da República e decidiu dar uma de sem-partido, como em tempos fez o Prof. Cavaco? É triste ver o poeta Alegre tomar posições aparentemente levianas. Olho para trás e não me lembro que Manuel Alegre tenha feito qualquer coisa de extraordinário pelo país, à parte os versos heróicos. Mas essa faceta poética já todos nós lhe andamos a pagar há trinta e tal anos, desde que se tornou deputado e ainda não quis outra vida. É verdade que não é o único revolucionário a quem eu ajudo a pagar o vencimento desde o 25 de Abril e que ainda não me deu nada em troca. Mas talvez fosse altura de se reformar, deixando-nos ao menos com os seus belos versos, em vez de ficarmos com a ideia de que toda a vida não passou de um revolucionário inútil. E já há tantos!

quarta-feira, 4 de março de 2009

SÓCRATES SERÁ À PROVA DE BALA?



Nenhum político português foi alvo de tantas acusações como José Sócrates desde que assumiu a liderança do PS, mal se candidatou a primeiro-ministro foi logo alvo de insinuações sobre as suas opções sexuais, o PSD chegou mesmo a encher o país com outdoors, uns da iniciativa da JSD, outros de Pedro Santana Lopes, lançando a insinuação.
Depois disso e já como primeiro-ministro foi aquilo a que temos assistido, as suspeitas sobre o diploma, as dúvidas sobre os trabalhos de engenharia e, mais recentemente, o caso Freeport. Tentaram a insinuação de que era gay como humilhação, depois foi a tentativa de provar a “falha de carácter" como lhe chamou Pacheco Pereira e agora a acusação de corrupto.
Em todas estas acusações o PSD ou assumiu claramente a acusação ou não resistiu à tentação de aproveitar as dúvidas. Foi o que sucedeu com o caso Freeport, o PSD não assume a suspeita mas vai aproveitando todas as ocasiões para assegurar que a mesma paira sobre Sócrates, chegou ao ridículo de mandar o líder parlamentar reunir com o Procurador-Geral para discutir a matéria.
Nos outros partidos da oposição a estratégia difere de partido para partido, o CDS tem evitado sujar as mãos enquanto o BE e o PCP assumem uma postura responsável enquanto os seus militantes vão usando todas as formas de lançar a suspeita.
Mas depois de tudo isto e de mais uma grave crise económica o PS sobrevive nas sondagens e arrisca-se mesmo a renovar a maioria absoluta. Porquê?
Em condições normais bastariam as suspeitas que têm vindo a ser lançadas para derrubar o fragilizar psicologicamente o primeiro-ministro. Se isso não bastasse os conflitos com os armadores de pesca, camionistas e professores bastariam para fragilizar eleitoralmente José Sócrates. Se considerarmos o que sucedeu no mandato de Mário Soares teríamos que concluir que a postura de falsa cooperação estratégica de Cavaco Silva seria suficiente para fragilizar eleitoralmente José Sócrates. Mas mesmo assim o líder do PS resiste.
Poder-se-ia dizer que José Sócrates é tão competente que os eleitores estão dispostos a perdoar-lhe tudo, mas isso não é verdade, ainda que seja bem mais competente como primeiro-ministro do que as últimas soluções do PSD. Aliás, quando se candidatou a primeiro-ministro Sócrates não estava preparado para o cargo, o que o levou a falhar tanta promessa.
A verdade é que os eleitores são como as ratazanas, vão-se habituando ao veneno e acabam por se alimentar com ele em vez de morrerem. O José Manuel Fernandes bem pode dedicar todas as edições do Público a Sócrates que os seus leitores limitam-se a pular as páginas e não mudam as intenções de voto em função das desilusões empresariais de Belmiro de Azevedo. A Manuela Moura Guedes bem pode encher aquela enorme boca de gozo que os espectadores vão bocejando até à hora da telenovela. Cavaco Silva bem pode marcar comunicações e recorrer a vetos, não é por isso que os eleitores se vão apaixonar por Manuela Ferreira Leite ou reparar no seu Miguel Relvas.
A força de Sócrates vem da falta de alternativas, vem de uma oposição que esgota as suas energias na crítica e se esquece de propor um projecto com soluções para o país e quando simulam a apresentação de soluções estas tresandam a eleitoralismo.
Com uma oposição destas começo a ficar convencido de que nem à bala se vão livrar de José Sócrates. Aliás, ao PSD já só falta mesmo contratar um gangster para se livrar do líder do PS o que lhes serviria de pouco, estou convencido que Manuela Ferreira Leite perderia até com o porteiro do Largo do Rato.
Jumento

segunda-feira, 2 de março de 2009

ATÉ PARECE QUE É...


Marcelo Rebelo de Sousa na RTP, Vasco Pulido Valente na TVI e José Pacheco Pereira na SIC fazem o pleno no cerco televisivo a Sócrates. Como podem dizer e mostrar o que quiserem, e quando quiserem, vamos admitir que valem pelo que está à vista. Na imprensa, Sol, Expresso, Público e Correio da Manhã, idem, com equipas de dezenas de jornalistas e publicistas em regime de permanente campanha. Nesta paisagem há muita poeira no ar, cães raivosos e a imagem duma caravana já a desaparecer na curva.
- Se o PS encontrar um bom candidato presidencial (por exemplo, uma mulher; a coisa é tão simples quanto isso), Cavaco não será reeleito. Quem apregoa a necessidade de falar verdade, patrocinando campanhas contra o Governo, e depois mantém a confiança política em Dias Loureiro, para além de se deixar humilhar por Jardim, merece ser recambiado.
- Os professores deixaram as palhaçadas. O bigodes amochou. Os Magalhães são um sucesso. A escola portuguesa está muito melhor. Se a guerra civil no ensino acabar, temos muitas razões para ter esperança num futuro de riqueza humana e económica.
- Nenhum partido tem propostas para a reforma do sistema de Justiça. E não há novos partidos na calha. Entretanto, a legitimidade moral da corrupção está entranhada em todas as classes sociais, independentemente da escolaridade e da actividade profissional. De resto, o fenómeno não é nenhum exclusivo nacional, bem pelo contrário. Estão reunidas, pois, as condições para o aparecimento de uma nova geração de portugueses cuja sede de justiça seja a prova mesma da sua inteligência.
- 2009 já só tem 10 meses para dar cabo desta merda toda.

Aspirina B