segunda-feira, 9 de março de 2009

Súplica


Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria…
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

sexta-feira, 6 de março de 2009

O POETA ALEGRE É UMA TRISTEZA!...


Se seguisse o que dita o seu pensamento e o apelo do verbo que vai escorrendo para os inúmeros livros que publica, certamente não teria a reforma vitalícia e muito menos a condecoração presidencial que virá...

Mário Soares é que tinha razão. Soares é que o topa bem. Ao ser como é, ao agir como age, Alegre tornou-se na metafísica do nada, no abismo do vazio, do poema sem alma. Entrou num processo de auto-descaracterização. De eutanásia política. O seu relativismo político, gerador de permissividade, ainda lhe sequestrará o papel que, de facto, teve na história política contemporânea. Por tantas omissões e ausências forçadas - Alegre é, hoje, uma existência sem aspiração, um mero promotor de denúncias do vazio. Um poema sem letras. Alguém ofereça um novo mapa ao poeta... De preferência que tenha escrito duas palavrinhas: responsabilidade e coerência.
Por isso aqui vai Alegre:

Sabe-se que com a idade algumas pessoas vão perdendo discernimento. Outras lembram-se, de repente, que têm direito a ser heróis ou a fazer coisas que em idade de sã consciência não fariam. Manuel Alegre, o nosso poeta, que parece que ainda é militante do PS, não foi ao Congresso do Partido. Não é que fizesse falta, acho eu, porque todos os que poderiam fazer falta estiveram lá. O nosso poeta anda muito chateado com José Sócrates, porque este não o deixa brilhar? Ou será que anda a pensar em concorrer à Presidência da República e decidiu dar uma de sem-partido, como em tempos fez o Prof. Cavaco? É triste ver o poeta Alegre tomar posições aparentemente levianas. Olho para trás e não me lembro que Manuel Alegre tenha feito qualquer coisa de extraordinário pelo país, à parte os versos heróicos. Mas essa faceta poética já todos nós lhe andamos a pagar há trinta e tal anos, desde que se tornou deputado e ainda não quis outra vida. É verdade que não é o único revolucionário a quem eu ajudo a pagar o vencimento desde o 25 de Abril e que ainda não me deu nada em troca. Mas talvez fosse altura de se reformar, deixando-nos ao menos com os seus belos versos, em vez de ficarmos com a ideia de que toda a vida não passou de um revolucionário inútil. E já há tantos!

quarta-feira, 4 de março de 2009

SÓCRATES SERÁ À PROVA DE BALA?



Nenhum político português foi alvo de tantas acusações como José Sócrates desde que assumiu a liderança do PS, mal se candidatou a primeiro-ministro foi logo alvo de insinuações sobre as suas opções sexuais, o PSD chegou mesmo a encher o país com outdoors, uns da iniciativa da JSD, outros de Pedro Santana Lopes, lançando a insinuação.
Depois disso e já como primeiro-ministro foi aquilo a que temos assistido, as suspeitas sobre o diploma, as dúvidas sobre os trabalhos de engenharia e, mais recentemente, o caso Freeport. Tentaram a insinuação de que era gay como humilhação, depois foi a tentativa de provar a “falha de carácter" como lhe chamou Pacheco Pereira e agora a acusação de corrupto.
Em todas estas acusações o PSD ou assumiu claramente a acusação ou não resistiu à tentação de aproveitar as dúvidas. Foi o que sucedeu com o caso Freeport, o PSD não assume a suspeita mas vai aproveitando todas as ocasiões para assegurar que a mesma paira sobre Sócrates, chegou ao ridículo de mandar o líder parlamentar reunir com o Procurador-Geral para discutir a matéria.
Nos outros partidos da oposição a estratégia difere de partido para partido, o CDS tem evitado sujar as mãos enquanto o BE e o PCP assumem uma postura responsável enquanto os seus militantes vão usando todas as formas de lançar a suspeita.
Mas depois de tudo isto e de mais uma grave crise económica o PS sobrevive nas sondagens e arrisca-se mesmo a renovar a maioria absoluta. Porquê?
Em condições normais bastariam as suspeitas que têm vindo a ser lançadas para derrubar o fragilizar psicologicamente o primeiro-ministro. Se isso não bastasse os conflitos com os armadores de pesca, camionistas e professores bastariam para fragilizar eleitoralmente José Sócrates. Se considerarmos o que sucedeu no mandato de Mário Soares teríamos que concluir que a postura de falsa cooperação estratégica de Cavaco Silva seria suficiente para fragilizar eleitoralmente José Sócrates. Mas mesmo assim o líder do PS resiste.
Poder-se-ia dizer que José Sócrates é tão competente que os eleitores estão dispostos a perdoar-lhe tudo, mas isso não é verdade, ainda que seja bem mais competente como primeiro-ministro do que as últimas soluções do PSD. Aliás, quando se candidatou a primeiro-ministro Sócrates não estava preparado para o cargo, o que o levou a falhar tanta promessa.
A verdade é que os eleitores são como as ratazanas, vão-se habituando ao veneno e acabam por se alimentar com ele em vez de morrerem. O José Manuel Fernandes bem pode dedicar todas as edições do Público a Sócrates que os seus leitores limitam-se a pular as páginas e não mudam as intenções de voto em função das desilusões empresariais de Belmiro de Azevedo. A Manuela Moura Guedes bem pode encher aquela enorme boca de gozo que os espectadores vão bocejando até à hora da telenovela. Cavaco Silva bem pode marcar comunicações e recorrer a vetos, não é por isso que os eleitores se vão apaixonar por Manuela Ferreira Leite ou reparar no seu Miguel Relvas.
A força de Sócrates vem da falta de alternativas, vem de uma oposição que esgota as suas energias na crítica e se esquece de propor um projecto com soluções para o país e quando simulam a apresentação de soluções estas tresandam a eleitoralismo.
Com uma oposição destas começo a ficar convencido de que nem à bala se vão livrar de José Sócrates. Aliás, ao PSD já só falta mesmo contratar um gangster para se livrar do líder do PS o que lhes serviria de pouco, estou convencido que Manuela Ferreira Leite perderia até com o porteiro do Largo do Rato.
Jumento

segunda-feira, 2 de março de 2009

ATÉ PARECE QUE É...


Marcelo Rebelo de Sousa na RTP, Vasco Pulido Valente na TVI e José Pacheco Pereira na SIC fazem o pleno no cerco televisivo a Sócrates. Como podem dizer e mostrar o que quiserem, e quando quiserem, vamos admitir que valem pelo que está à vista. Na imprensa, Sol, Expresso, Público e Correio da Manhã, idem, com equipas de dezenas de jornalistas e publicistas em regime de permanente campanha. Nesta paisagem há muita poeira no ar, cães raivosos e a imagem duma caravana já a desaparecer na curva.
- Se o PS encontrar um bom candidato presidencial (por exemplo, uma mulher; a coisa é tão simples quanto isso), Cavaco não será reeleito. Quem apregoa a necessidade de falar verdade, patrocinando campanhas contra o Governo, e depois mantém a confiança política em Dias Loureiro, para além de se deixar humilhar por Jardim, merece ser recambiado.
- Os professores deixaram as palhaçadas. O bigodes amochou. Os Magalhães são um sucesso. A escola portuguesa está muito melhor. Se a guerra civil no ensino acabar, temos muitas razões para ter esperança num futuro de riqueza humana e económica.
- Nenhum partido tem propostas para a reforma do sistema de Justiça. E não há novos partidos na calha. Entretanto, a legitimidade moral da corrupção está entranhada em todas as classes sociais, independentemente da escolaridade e da actividade profissional. De resto, o fenómeno não é nenhum exclusivo nacional, bem pelo contrário. Estão reunidas, pois, as condições para o aparecimento de uma nova geração de portugueses cuja sede de justiça seja a prova mesma da sua inteligência.
- 2009 já só tem 10 meses para dar cabo desta merda toda.

Aspirina B

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A TODOS VOCÊS!...

A todos os que pensam em denegrir...aos Ferroviários...aos asquerosos...
Todos vocês que habitam na minha alma, dia após dia, um a seguir ao outro, tento acabar... em mim, olhar em frente, névoa sem fim.

Dia a dia, hora após hora, eternamente acabar... em mim.

Espíritos que voam em círculos perdidos dentro... nada, zero, frio, e absoluto das palavras, que por vocês o vento carrega.

Fogo ardente, paixão seca e nefasta, como sempre e eternamente sem um fio... corda ao pescoço que alargo entre as tuas mãos que apertam o laço... e lanço-me mais uma vez ao abismo... quase uma vida, esquecida e perdida em montes inúteis de vozes que ecoam na caverna do esquecimento... teus ouvidos moucos ecoam as preces que desaparecem em fezes... nesta vida, ao som do álcool que escorrega, para dentro de um vazio tremendo... oiço a tua voz naquelas palavras que já não me ferem, por anos que já passaram e de nada valeram... continuo a aprender com vocês, vozes que disparam gelo, neste gelo que me aquece... por fim o limiar da meta... que merda.

E em conclusão inócua, ele diz:

“Está bom.”

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O que a TVI e Manuela Moura Guedes têm feito, no jornal das sextas-feiras, é perseguição pura e dura a Sócrates, não é jornalismo.


O negro balanço
É frequente dizer-se que a crise que o Mundo atravessa é culpa da Comunicação Social porque se transforma no veículo de divulgação das más notícias. É frequente dizer-se que a crise económica é culpa dos jornalistas, porque contribuem para agravar a crise de confiança que está instalada. É frequente afirmar-se que são os jornalistas que criam os casos, que perseguem as pessoas, que violam o segredo de justiça, assumindo o papel de abutres.


Ninguém nega que a Comunicação Social vive tempos difíceis, de credibilidade, de afirmação, de rigor e de independência. Hoje temos jornalistas amordaçados pelo medo. E temos jornalistas que estão na bolsa de valores, que se vendem ou deixam comprar, hipotecando no mercado de interesses a sua carteira profissional. Mas daí a dizer-se que são os culpados das crises, culpados, por exemplo, do chamado caso Freeport, por destilarem notícias que não são verdadeiras, é carga a mais para os seus ombros. Ou dizer-se que são todos assim é, no mínimo, injusto e pouco sério.
Assente a poeira, façamos então um breve balanço da cobertura pelos media do caso Freeport. Mas, para isso, importa separar o trigo do joio.
Nunca alinhando nas teses da cabala e das campanhas negras, pode dizer-se, de um modo geral, que a Comunicação Social andou bem e que até fez algum trabalho de investigação. O mesmo não aconteceu com o jornal ‘Público’, com as velhas guerras contra Sócrates, que mancham a sua isenção e credibilidade e com a TVI do casal Moniz. O que a TVI e Manuela Moura Guedes têm feito, no jornal das sextas-feiras, é perseguição pura e dura a Sócrates, não é jornalismo. O casal Moniz serve-se deste órgão de Comunicação Social poderoso para fazer campanha política. É arrepiante o que se passa às sextas-feiras nesta estação, com as peças montadas e articuladas ao sabor dos comentários da pivô do jornal. Este jornal da TVI está transformado numa máquina para triturar Sócrates e para assassinar o seu carácter, sem respeito pelas garantias básicas deste cidadão, que também tem direito ao seu bom-nome. Sem prejuízo da veracidade dos factos sobre o caso Freeport, a informação não pode ser feita a qualquer preço.
Os olhos, o rosto, o fácies, os trejeitos na cadeira e a incomodação de Manuela Moura Guedes são escandalosamente visíveis. E estes também são elementos estimáveis na apreciação de uma informação séria, isenta e responsável, o que não é o caso. Incomoda este espectáculo.
E, quando assim é, Sócrates tem razão.
Rui Rangel, Juiz desembargador

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Quando em 2007 Pina Moura foi para a administração da TVI, as oposições, à direita e à esquerda, previram que o governo iria controlar a informação da


Quando em 2007 Pina Moura foi para a administração da TVI, as oposições, à direita e à esquerda, previram que o governo iria controlar a informação da TVI.

Pina Moura acaba de sair da TVI e, se mais não houvesse, as noitadas de Manuela Moura Guedes com Vasco Pulido Valente seriam suficientes para envergonhar os difamadores pelas suspeições que então lançaram.

Assim vergonha tivessem…

José Ferreira Marques

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A DIFERENÇA ESTÁ À VISTA!


"Palhaço! É mesmo palhaço!" Estas foram as palavras que se ouviram anteontem no Parlamento. Captada pelos microfones, a voz vinda da bancada do PSD foi ontem motivo de conversa no partido segundo a imprensa de hoje.

O CM apurou que terá sido José Eduardo Martins o autor da frase. Questionado pelo CM, o deputado não confirmou nem desmentiu, limitando-se a dizer: "Não faço comentários sobre o assunto."



É todo um comportamento que se revela. É uma linha política trauliteira, mal educada e indigna de um representante eleito. A falha de ... algo que deveria ter ... revela-se ainda mais na declaração proferida.


O Governo aprovou o regime de protecção social da parentalidade, que tem como fim incentivar a natalidade. As principais alterações são: É melhorada a licença por nascimento de filho para 20 dias úteis (10 obrigatórios e 10 facultativos) integralmente subsidiados pela segurança social. Aumenta-se a licença parental para 6 meses subsidiados a 83% ou cinco meses a 100% na situação de partilha da licença entre a mãe e o pai, em que este goze um período de 30 dias ou dois períodos de 15 dias em exclusividade. Cria-se a possibilidade de os pais prolongarem a licença parental inicial por mais seis meses subsidiados pela segurança social, sendo o subsídio, no valor de 25% da remuneração de referência, concedido a ambos os cônjuges alteradamente.



Uma excelente medida na linha das políticas sociais que têm vindo a ser seguidas!



A diferença está à vista! Uns insultam ... outros governam com sensibilidade social!



Ainda se admiram das sondagens do PSD? Como é possível ninguém do PSD se demarcar destes comportamentos? Ou elogiar esta medida do Governo?