quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

MOSTREM A DIGNIDADE A QUE TEM DIREITO!...


A vitória dos professores não será a derrota do Governo, muito menos da magnífica portuguesa de nome Maria de Lurdes Rodrigues. Governo e Ministra estão a cumprir a sua obrigação: fazer o possível para melhorar Portugal. Para tal, negoceiam a torto e a direito. É inquestionável que o actual Governo é o mais profissional de sempre na memória política contemporânea, e a prova vem precisamente do grau de conflitualidade que suscita e a que está sujeito. Convém não esquecer que com a traição de Barroso, e a decadência de Santana, a tristeza e o desânimo invadiram a comunidade e bateu-se no fundo. Foi por isso que se deu a maioria a alguém que até era uma promessa suspeita, um político arisco e vaidoso como Sócrates. Ao tempo, os opinadores chafurdavam na crença de que o País não tinha salvação, era irreformável. Havia cada vez menos vergonha, nas franjas populistas, em louvar publicamente Salazar. Foi também a hora do fulgor analítico de José Gil – a mostrar que, por debaixo da vestimenta democrática, o corpo cheio de chagas da miséria como destino continuava em estado novo.


A vitória dos professores será a derrota de Portugal. Ao dia 5 de Dezembro de 2008, ninguém pôs os olhos num qualquer modelo de avaliação alternativo que tenha sido enfiado por alguma janela do Ministério. Nem há quem saiba ao certo o que os professores querem para além da demissão da Ministra e a garantia de uma progressão linear, sem distinção de mérito nem aumentos da actual carga laboral. Quando acabar esta fase, se garantirem o que a oposição já se comprometeu em lhes dar, vão voltar ao que eram: uma classe profissional que não se une na defesa da escola, que não confia nas autoridades, que despreza os colegas e que tem como principal critério de sucesso a capacidade de antecipar a reforma.

Já agora, o Memorando de Entendimento, assinado com a Plataforma de Sindicatos em Abril de 2008, tem estes dois pontos:

4. Com o objectivo de garantir o acompanhamento, pelas associações sindicais representativas do pessoal docente, do regime de avaliação de desempenho dos professores, proceder-se-á até ao final de Abril à constituição de uma comissão paritária com a administração educativa, que terá acesso a todos os documentos de reflexão e avaliação do modelo que venham a ser produzidos pelas escolas e pelo Conselho Científico da Avaliação de Professores.
Compete a esta comissão paritária, tendo em sua posse a documentação referida e outra que considere adequada, preparar a negociação das alterações a introduzir ao modelo de avaliação.
Estabelecer-se-ão as regras que permitam a participação ou audição de peritos indicados pelas associações representativas do pessoal docente em reuniões do Conselho Científico da Avaliação de Professores, a sua solicitação ou a convite da sua presidente.

5. Durante os meses de Junho e Julho de 2009 terá lugar um processo negocial com as organizações sindicais, com vista à introdução de eventuais modificações ou alterações, que tomará em consideração a avaliação do modelo, os elementos obtidos até então no processo de acompanhamento, avaliação e monitorização de primeiro ciclo de aplicação, bem como as propostas sindicais.

O acordo diz o óbvio: qualquer modelo está sujeito a alterações que resultem da sua avaliação. Sim, também os modelos de avaliação podem ser avaliados. Como o fazer? Criando a comissão paritária, onde se recolherão todas as informações e farão as reflexões e propostas adequadas. A tal comissão paritária que os sindicatos começaram por abandonar. Ter o Ministério da Educação a introduzir alterações já nesta fase inicial só confirma o espírito do que está escrito e assinado.
Neste conflito há uma parte que tem mantido a sua palavra. A outra serve-se de 30 anos de degradação e benefícios injustos para tentar prolongar as mordomias, as disfunções e o atavismo. A tirania dos manifestantes-grevistas avança de costas e com as calças em baixo.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A GUERRA DA ESQUEDA...A DIREITA ONDE FICA?!...


Enquanto à direita a luta trava-se mais no interior do PSD, com o CDS tranquilo, à esquerda nunca houve tanta confusão como aquela a que estamos a assistir. Mais do que a incerteza quanto à renovação da maioria absoluta por José Sócrates, a grande batalha política trava-se no interior da extrema-esquerda ou, como alguns preferem, designar, a esquerda da esquerda.

Nunca o BE esteve tão próximo de ultrapassar o PCP e a estratégia manhosa de Francisco Louça está a irritar Jerónimo de Sousa ao ponto de ter dominado o congresso do PCP, o único facto político relevante do conclave foram as referências feitas o BE no discurso de abertura. Mesmo que o PCP venha a ter mais votos se for ultrapassado pelo BE sofrerá a maior derrota política desde o 25 de Novembro.

Pouco importa o número de deputados, o que está em causa é um princípio sagrado de qualquer partido comunista, por definição é o partido líder do “proletariado”. Se o BE tiver mais votos do que o PCP isso significa uma humilhação da liderança do PCP. Ainda por cima esta avaliação tanto pode ser feita a nível nacional como distrito e mesmo concelho a concelho. Daí que qualquer aliança entre o BE e o PCP é impossível. Trinta e cinco anos o PCP poderá ser ultrapassado por uma extrema-esquerda que aprendeu a esconder os Fazendas e prefere mostrar as Joanas Amaral Dias.

Enquanto Jerónimo de Sousa usa o ineficaz Avante para atacar semanalmente o BE, Louça tem adoptado uma estratégia incómoda para o PCP, aproximou-se das iniciativas da CGTP, participa e apoia as suas iniciativas e nas escolas tem tido um papel activo, condicionando mesmo a estratégia da FENPROF, dividida entre a tentativa de conciliação e o receio de perder a liderança dos professores para os “movimentos independentes”.

Ao mesmo tempo que se cola às iniciativas da CGTP Louça encosta-se ao movimento de Manuel Alegre, namora Helena Roseta e faz suas as propostas de Maria José Morgado. Neutraliza os ataques do PCP com as convergências nas lutas de rua e namora a ala esquerda do PS procurando capitalizar o descontentamento dos eleitores da ala esquerda do PS. Enquanto isso Jerónimo de Sousa acusa Alegre de tentar salvar os votos às esquerda do PS, uma clara manifestação de irritação por perceber que as suas possibilidades de crescimento eleitoral estão a ser barradas por Alegre e Louça. Não admira que tenha proibido o líder da CGTP de estar presente no próximo encontro dos alegristas. Ainda por cima as últimas sondagens provam que Louça está a ganhar pontos ao PCP.

Com a degradação contínua do PSD é cada vez mais provável a renovação da maioria absoluta do PS, até porque Cavaco Silva já percebeu que não pode usar o seu poder para corroer Sócrates sob pena de ter que vir a aturar Paulo Portas, o antigo director de “O Independente” e seu inimigo de sempre. Diria mesmo que o PS se arrisca a reforçar a maioria abosulta, o que não seria nada de novo, isso já sucedeu com Cavaco Silva numas eleições em que muitos apostavam na sua derrota.

Assim, a grande luta política de 2009 não vai ser entre Sócrates e Manuela Ferreira Leite ou alguém que a venha a substituir mas sim entre Louça e Jerónimo de Sousa. Se a luta entre PSD e PS é pelo poder, a luta entre Jerónimo de Sousa e Louça é pela vitória de uma ideologia e, por isso mesmo, poderá vir a ser bem mais fratricida.

Não deixa de ser curioso que Manuel Alegre em vez de dividir PS se está a transformar no símbolo da divisão entre o PCP e o BE.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A GAZETA DO PSD!...


Ainda não refeito da emoção de quinta feira, quando esteve presente na missa em memória de Sá Carneiro (como a foto do Público documenta), Paulo Rangel, que teria para aí uns 12 anos quando o fundador do PSD morreu, foi chamado à directora para explicar a gazeta de 40 por cento da turma, numa cinzenta tarde de sexta-feira que convidava ao regresso ao doce lar: “já chamei cá o presidente do grupo parlamentar para saber exactamente o que é que se passou”.De caminho, o chefe de turma lá foi mostrando, a quem o quisesse ouvir, que a aritmética poderia dissuadir a directora de lhe aplicar o correctivo que a falta de firmeza para com a turma exigia. Aguardemos.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

IVV, UM FUTURO PARA MEALHADA E NÃO SÓ!...


A antiga destilaria da IVV da Mealhada, pode ser um espaço multifacetado, museu, sala de exposições etc.
Atitudes de louvar, porque ao contrário de outras autarquias como por exemplo, Anadia tudo o que é antigo – deita-se a baixo e faz-se de novo não preservando as raízes históricas de um povo.
A Mealhada não estando na perfeição neste aspecto, mais pelo atraso com que trata os assuntos. Mesmo assim a autarquia tem o mérito de não demolir, mas sim recuperar e respeitar a história mealhadense.
A IVV da Mealhada poderá ser o exemplo de aproveitamento de espaços, ferramentas, tecnologia e arquitectura para instalar um museu alusivo ao vinho da Bairrada. Aqui pode ser o futuro baseado no passado. Deve-se pensar, debater e, em todo este espaço da antiga IVV, construir um futuro de cultura para a Mealhada, para a Bairrada e se formos arrojados na forma de empreender porque não ser, o centro do vinho para o país!...
Mas como o espaço é grande poderemos ir mais longe nos projectos e termos um “centro comercial” da cultura na Mealhada, para a vinha e vinho, personalidades, carnaval etc. é só toda a sociedade civil contribuir para um amplo aproveitamento de espaço com história numa área, conserva-la, amplia-la a outros segmentos da nossa cultura, das nossas raízes.

O fracasso ou o sucesso de um povo dependem de seu legado cultural, de trabalho e de sua genética, apresenta-se como um factor educacional como o verdadeiro responsável pelo progresso e crescimento económico da região ou país!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A MENTIRA DE...


Quando assumiu a direcção do Gabinete de Estudos do PSD, António Sampaio e Mello foi apresentado com estrondo: professor catedrático de Finanças (made in USA) que havia dado uma mãozinha ao programa económico de Obama. Consta que dedicava 20 horas por semana a preparar o futuro programa de governo do PSD, coisa nunca vista por aquelas bandas.


Um dia, com a crise internacional a estragar os planos do Compromisso Portugal, Alexandre Relvas (e não só) estava precisado de uma fatiota nova para pregar as ideias de sempre. De imediato, a Dr.ª Manuela desencantou, no sótão da São Caetano, o Instituto Francisco Sá Carneiro e ofereceu-lho. O Mourinho do Presidente anunciou, então, ir preparar o futuro programa de governo do PSD, a Dr.ª Manuela bateu palmas e Sampaio e Mello bateu com a porta.


Moral da história — Nunca tropecem nos homens do Presidente. É que a Dr.ª Manuela, apesar de toda a sua badalada credibilidade, até é capaz de mentir inventar uma história para justificar o injustificável.

domingo, 30 de novembro de 2008

O RANCOR NA POLÍTICA


Como se já não bastasse a circunstância ímpar de um líder de um grande partido manter uma coluna de opinião (no Expresso), a Dr.ª Manuela preenche-a, em regra, com inanidades ditas de um modo que faz acreditar que a crise da educação tem séculos.


Ontem, embora dizendo que não quer falar do assunto, a líder do PSD põe em destaque um ranking do Financial Times, no qual Teixeira dos Santos aparece em último lugar entre os ministros de 19 países europeus. É evidente que a Dr.ª Manuela omite que, no ano anterior, o mesmo Teixeira dos Santos havia sido colocado em terceiro lugar — o que retira credibilidade a um ranking tão volúvel. O artigo é a cara da líder do PSD: uma pessoa que não apresenta uma só ideia, mas que não consegue abafar o rancor que transporta para a política.

O Expresso cita uma sondagem do Semanário Económico, em que o PSD aparece estabilizado em valores em torno dos 26 por cento. A reforma compulsiva da Dr.ª Manuela parece estar em marcha acelerada. Ela merece-o, mas é uma pena.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

SÃO UNS INVEJOSOS!...


Os portugueses são uns invejosos, isso não é novidade, temos inveja da França porque a mulher do presidente é mais bonita que a do nosso, invejamos o governo italiano que tem uma ministra mais jeitosa do que a Milu, temos inveja do vizinho que compra um carro novo, do irmão que tem melhores notas na escola, dos professores antes de ter vindo a Milú dar cabo da “escola pública” e, como não podia deixar de ser, dos políticos bem sucedidos. Se ser político já é defeito, ser político bem sucedido tanto na política como na vida empresarial é mesmo um pecado mortal.


Como é que este país há-de sair da cepa torta se condenamos todos os casos de sucesso. Jorge Coelho é um bom exemplo, chegou onde muitos nunca hão-de chegar por mais licenciaturas, mestrados, MB e doutoramentos que tirem, deveríamos estar todos orgulhosos de alguém ascender de uma penada ao topo do complexo mundo da gestão e até deveríamos dar graças a Deus por nunca mais o termos aturado nas televisões, e o que fazemos? Ganimos de dor de corno, fazemos insinuações torpes, passamos a vida a dar asas à nossa inveja!


Um filho do povo, nascido numa qualquer aldeia que só agora apareceu no mapa, estuda à noite, chega a secretário de Estado, toma conta dos dinheiros do partido que mais progresso trouxe ao país, limpa os arquivos do fisco com perdões fiscais mais simples do que o agora famoso Simplex, e o que fazemos? Mandamos aquele que deveria ser tratado como herói para os desconfortáveis calabouços da Polícia Judiciária, em vez de andar a limpar as medalhas e comendas está a contar grades.


Então um país que anda há décadas à procura da rolha em vez de tomar o exemplo de sucesso do Oliveira e Costa, manda o homem para a prisão, ele que poderia explicar como se passa de teso a possuidor de uma fortuna de milhares de milhões? Não teria sido mais inteligente dar-lhe um programa como o do Marcelo Rebelo de Sousa para, em doses semanais, nos ir ensinando na arte do enriquecimento colectivo. Sempre era melhor do que ouvir as baboseiras do professor, ditas a uma velocidade quase alucinante.


E o coitado do Dias Loureiro? O homem vem revelar as conversas que teve com o António Marta e logo no dia seguinte o ex-dirigente do Banco de Portugal vem dizer que não é verdade, alguém imagina o Dias Loureiro a tentar influenciar a actuação do BdP, logo ele que é a coisinha mais transparente que este país já viu, tão sincero que foi o primeiro português a beneficiar de uma declaração de inocência proferida por um Presidente da República? Nem o Salazar teve tal comenda concedida pelo Carmona.


Ora, se Cavaco Silva diz que não tem razões para duvidar das palavras de Dias Loureiro porque razão andamos todos a tentar encalacrá-lo, porque há-de o MP incomodar-se chamando-o para prestar declarações como testemunha? Se Dias Loureiro não sabe nada de contabilidade, assinou sempre de cruz, o que terá ele para testemunhar?


Somos mesmo um país de tansos, então não seria mais frutuoso que em vez de Dias Loureiro ter que andar a explicar a um qualquer procurador as coisas do deve e haver do BPN, nos viesse explicar como é que alguém tão honesto enriquece de forma meteórica, acabando de vez com o mito de que em Portugal os honestos nunca chegam a lado nenhum. Este país resolvia todos os seus problemas se de uma vez por todas os honestos tivessem uma oportunidade na vida, como aquela que Deus deu a Dias Loureiro.


É tempo deste país deixar de sofrer de dor de corno, até porque na Europa não há nenhum corno, que saiba no mundo só há um, o Corno de África.
Jumento

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

BPN: A PESADA HERANÇA CAVAQUISTA!...



O Grupo Banco Português de Negócios tem ligações a deputados do PSD-Madeira na Assembleia Regional. Tranquada Gomes, membro da direcção do grupo parlamentar do PSD-Madeira, é o advogado na região de Abdool Vakil, presidente do Banco Efisa, incluído no grupo BPN. Além disso, o Efisa tem "representação permanente" da sua sucursal financeira no "off-shore" na Madeira no escritório que esse advogado mantém com Coito Pita, outro deputado do PSD na Assembleia Regional.
À medida que os dias correm, mais teias se vislumbram entre o poder político e o BPN. Coincidência, pode ser! Mas tenho para mim, que são coincidências flagrantes de mais e pior, justificam o amplo protesto e desagrado dos eleitores que ainda se deslocam às urnas.
Uma vez mais aparecem figuras do PSD e também mais uma vez, o BPN e o PSD, são aos olhos do que sabe no momento, a face mais cruel da herança cavaquista.
A dignidade do exercício de funções públicas parece ser à luz dos dias que correm, cada vez mais poesia para os nossos ouvidos.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

MOSTRA SABORES E SABERES DE SEMPRE


Promover os vinhos da Bairrada é o grande objectivo da “Mostra Sabores e Saberes de Sempre” organizada pela Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) com o apoio da Câmara da Mealhada e da Wine Experiences. A iniciativa vai decorrer de sexta-feira até segunda, na antiga destilaria do Instituto do Vinho e da Vinha (IVV).

Fonte MM

Uma boa, ou melhor uma excelente iniciativa da autarquia mealhadense!
Pena é que a imprensa local não tenha também falado na ideia da autarquia em adquirir o espaço da antiga destilaria do IVV para fazer uma loja do cidadão, museu e espaço cultural.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

CERTAS MANHÃS


Certas manhãs chegava

esmagado pela luz

longo, frívolo, ofensivo

qualquer gesto aludia

a uma espécie de temor

a tristeza daqueles que pertencem

a lugar nenhum


Vivia tudo num instante

a solidão, os rancores

as alegrias dos outros
o silêncio do outono


Nunca o amor tocara o seu corpo

com a intensidade do medo

tornou-se parte de um rio

nem perto, nem longe

da palavra justa


Ele só pedia

"não me digam nada"


José Tolentino Mendonça