
A Sr. Manuela Ferreira Leite vai fazendo política – envergonhando-se a si, embaraçando Belém (Cavaco em particular) e frustrando todas as residuais expectativas que as bases do PSD ainda tinham na dita senhora.
Traduzindo: quer e não quer o investimento público, quer e não quer aumento do salário mínimo, quer e não quer imigração, e, agora, como se vê – de forma lamentavelmente original - quer e não quer a democracia - que julga-se melhor servida se a dita DEMOCRACIA for congelada por 6 meses - que é o tempo que Manuela Ferreira leite acha adequado para meter "tudo na ordem". Só faltou dizer: regressa Salazar, estás perdoado...
Isto revela os sentimentos duais de Ferreira leite, denuncia a sua duplicidade política em relação aos projectos para Portugal, é como se a sua personalidade sofresse uma divisão constante que a empurrasse simultaneamente para a planície e para o abismo. Em rigor, estamos diante uma mulher prisioneira de si.
Depois, se notar atentamente na sua face quando repetiu a expressão supra (inclusa na imagem), verificamos que uma boa parte do "EU" de Ferreira leite acredita piamente que o País só teria a ganhar se, por momentos, fosse possível governar Portugal com uma ditadura, seguindo o método que enunciou: quero, posso e mando.
Ora, todo este quadro clínico do dislate configura, naturalmente, um estudo de psicanálise. De resto, creio, será esse o seu contributo para a vida pública nacional: constituir-se em objecto de estudo para que psicanalistas do poder possam observar, estudar, investigar condutas atípicas do mundo da política, e aqui – também cairá essa outra personalidade perturbante – a que os experts designam por personalidade borderline – como é Alberto João Jardim da Madeira.
Porquê? A acção (leia-se, a estrutura da linguagem que Jacques Lacan diz estar intimamente ligada ao subconsciente, e nem poderia ser doutro modo!!!) – completamente disfuncionada de Manuela Ferreira leite – inscreve-se, desde logo, na sua fala, onde o inconsciente se manifesta de forma estrondosa, mediante actos falhados – que ela depois procura corrigir conforme pode e sabe. Só que hoje a sua fala foi grave de mais. De tal modo que no fim da conferência percebeu que se justificasse aquelas declarações ainda agravaria mais o ambiente político gerado, razão por que deixou essa tarefa ao "songa-monga" de serviço.
Portanto, temos em Ferreira Leite um conjunto de actos falhados, esquecimentos, imprecisões, dislates aliado a um relato de outras disfunções que Lacan designa de formações do inconsciente – o qual é definido pela linguagem utilizada.
Entre o Real, o Simbólico e o Imaginário (RSI) Ferreira leite quer sempre ir nas três direcções e na sua antítese, ora isto em política é tão impossível quanto fatal. É assim a Manuela entrou em espiral consigo própria, querendo uma coisa e o seu contrário, e, hoje, de forma pioneira (“QUALIDADE EM PESSOA”) em Portugal, desejou democracia e ditadura de forma mitigada e ambivalente – para resolver problemas políticos concretos do País. Uma vez mais a estrutura do seu raciocínio e da sua (modesta) linguagem – traiu-a de forma estrondosa.
Caso o País tivesse esta senhora no Poder - a tomar decisões - haveria, automaticamente, um conjunto múltiplo de efeitos desastrosos em cadeia no próprio sistema de poder: crise estratégica, crise de orientação, crise de representatividade, crise de endividamento, enfim, haveria uma regressão competitiva em todos os sectores da economia e da sociedade que comprometia a viabilidade de tudo o que mexesse. Até as folhas das árvores deixariam de ser animadas pelo vento, que também congelava – tal como a democracia...
Numa palavra: estudar o comportamento político de Ferreira Leite no decurso destes breves meses em que se encontra à frente do PSD - não é tanto uma tarefa para politólogos, sociólogos, historiadores ou juristas, mas mais uma retorno aos inúmeros actos falhados explicados há um século por Sigmund Freud - depois retomados por Jacques Lacan e por todo um conjunto de confusões, desordens, perturbações, transtornos e distúrbios que denunciam mais o sintoma duma doença de todo um corpo político (o PSD), do que propriamente a doença de uma pessoa isolada que, em rigor, nenhuma relação tem com o mundo politico.
E quando ontem Ferreira Leite se referia à "hipotética e desejável" suspensão da democracia por 6 meses - pergunto-me se seria esse o tempo de que ela necessitaria para arrumar a casa, constituir uma equipa de governo-sombra para governar em 2020 e, de caminho, tratar de despachar Santana Lopes no quadro das eleições autárquicas de 2008 - que tanta contradição e paralisia lhe têm gerado.
Entre Setúbal e a Figueira-da-Foz – há sempre a possibilidade a de vir para a Mealhada!
Porque não?
Que dizem Breda, Carlos Marques?
A César não vale a pena perguntar, porque ou é ele ou então muda para o PS novamente!
A João Pires – com toda a certeza ficará descrente na democracia PSD!
A Miguel Miranda – não gostará da ideia, visto para ele, César é César uma santidade embora, gostasse de uma Ferreira Leite V Salazar! Mas coitado não mais podia insultar mas poderia ser a comandante da polícia politica, eu seria por certo o primeiro nos calaboiços!
Pronto, está tudo dito, desabafei, ainda bem que existe democracia em Portugal!
E que viva a DEMOCRACIA PARA SEMPRE, SEM INTERVALOS!...