Manuel José da Costa e Silva nasceu no dia 05 de Setembro de 1945, na então vila de Anadia. Apesar da sua naturalidade e residência durante a juventude ser vivida em Anadia, certo é que desde cedo passou a partilhar os dias com o seu pai na loja de estilo antigo, uma, senão a única, retrosaria na Mealhada.
O amor por esta terra que o acolheu e lhe deu o trabalho, passou a ser uma causa.
Aliado a este amor pela terra e gentes da Mealhada, vinha também o gosto pelas causas que entendia nobres, a ajuda aqueles que, segundo ele, eram os que mais precisavam e com esta ideologia surgia a filiação no partido socialista.
O facto de trabalhar num local que lhe proporcionava o contacto directo com as pessoas de perto, a loja transformava-se num refúgio onde eram contadas as confissões mais intimas de cada família, as suas angústias e problemas. O Sr. "Manel Zé", ou simplesmente "Manel", para os mais intimos, passou a ser tão conhecido como aqueles seres tão característicos da Mealhada, populares pelo seu carácter de pessoa íntegra, frontal e excessivamente amiga.
As suas participações no partido socialista e na própria vila da Mealhada valeram-lhe a eleição por sucessivos mandatos pela Junta de Freguesia de Mealhada e a participação na Assembleia de Freguesia, como seu Presidente.
A sua vida foi vivida intensamente em prol dum concelho que não era o seu por naturalidade, mas por coração e devoção.
Todos os dias, já depois de casado e a residir na cidade de Coimbra, a sua vida era feita na Mealhada. Coimbra e Anadia, não eram suficientemente fortes para lhe roubar o amor por aquela terra que lhe proporcionou os seus maiores amigos e o seu crescimento como ser humano. Muitas foram as pessoas que ao longo dos anos bateram à porta do "Armazéns da Mealhada", para pedir ajuda e favores, aos quais não negava, mesmo podendo estes vir de pessoas de vários quadrantes políticos. A importância residia em ajudar os que mereciam, e este merecimento era entendido por ele, pelo carácter da pessoa e não da sua ideologia partidária.
Mas a vida tem destas coisas, e dizem os mais velhos e sábios, que Deus só recolhe os bons de espirito, para velarem por aqueles que mais precisam na terra. Lutou de uma forma quase que heróica contra o cancro, como se ele nunca existisse, mesmo quando a dor e o sofrimento dos tratamentos o queriam impedir de vir para a sua Mealhada. Fê-lo sempre, até quando a doença o deixou praticamente cego.
A luta heróicamente travada durante mais de uma dezena de anos contra o cancro, terminava de forma teimosa no dia 22 de Agosto de 2005, em vésperas de completar os seus 60 anos de idade.
Como legado deixou a sua coragem, amor e dedicação aos seus mealhadenses, mais do que razões suficientes para que nesta altura a Câmara da Mealhada já tivesse recebido uma proposta do Presidente da Junta de Freguesia para uma justa homenagem, para que cada um de nós possa recordar, relembrar, ou simplesmente tomar conhecimento quem foi este Homem.








