
Passas por mim diariamente
Passo por ti distraidamente
Nunca me disseste um olá
Nunca viste o meu sorriso...
Hoje, por um momento por um instante
Dei-te todo o meu tempo...
Fui ao encontro de ti...
E tu
Mostraste-me o mais profundo da tua alma...
Quis abraçar-te
Quis dar-te a minha mão
Mas não consegui mover os meus passos
E tu estavas tão só, no meio de tanta gente...
Jamais, nunca, em nenhum tempo
Esquecerei aquela imagem
Nunca, em tempo algum
Conseguirei apagar o teu grito da minha memória
Gravei o som que te ouvi com os meus olhos
Gravei a tua dor no meu ser...
Choro contigo, sinto-te morrer também...
A vida continua, era o que mais se ouvia...
Continua?
Como é possível continuar?
Como?
Eu queria que ele estivesse agora
A dormir perto de ti
Ai como eu queria…
Queria que tudo tivesse sido um pesadelo...
Mas não, o que eu quero não vale nada
Que Deus te dê colo
E que ajude a suportar a tua dor
Tu não me viste
Tu nem conseguias ver mais nada…
A não ser um punhal no teu coração...
Eu estive lá por ti
E, mesmo que eu não te oiça um olá
E tu não me vejas um sorriso
Quando passares por mim ou eu passar por ti
Por aí…diariamente e distraidamente…
Sentirei contigo
O grito que um instante cruel te arrancou
O teu amado filho
Assim à minha frente, sem mais...
Sempre ouvirei esse grito de mãe…
Perdoa-me, vizinha estranha…
Por expor aqui a tua dor
Mas eu preciso dar colo
A estas palavras gritadas sem som....
Pode ser que Deus as oiça e alivie o teu sofrimento...